Radio Havana Cuba-22 de marco 2002 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 22 de marco 2002 . *PEREZ ROQUE AFIRMA QUE CONSENSO DE MONTERREY É UM DOCUMENTO NEGOCIADO *IMPRENSA BRASILEIRA DESTACA DISCURSO DE FIDEL CASTRO EM MONTERREY *IGREJA CATÓLICA ARGENTINA CRITICA AUTORIDADES DO PAÍS *A PARTIR DE MAIO CUBA VAI GERAR QUASE TODA SUA ENERGIA ELÉTRICA COM PETRÓLEO E GÁS NACIONAIS *UNIÃO EUROPÉIA APROVA RATIFICAÇÃO PROTOCOLO DE KYOTO *REUNIÃO ENTRE ISRAELENSES E PALESTINOS TERMINA SEM ACORDOS *PRESIDENTE DA BOTSUANA VISITA CUBA *COLABORAÇÃO ENTRE CUBA E MOÇAMBIQUE *CUBA DENUNCIA EM GENEBRA MANOBRAS PARA COLOCAR EM LIBERDADE O POSADA CARRILES Comentario: *EXPLICAÇÕES NECESSÁRIAS EM MONTERREY *PRESIDENTE FIDEL CASTRO DENUNCIA EM MONTERREY SISTEMA DE SAQUE E EXPLORAÇÃO IMPERANTE NO MUNDO . *PEREZ ROQUE AFIRMA QUE CONSENSO DE MONTERREY É UM DOCUMENTO NEGOCIADO Havana, 22 março (RHC)--O chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, afirmou que o Consenso de Monterrey é um documento negociado na ONU em momentos posteriores aos atentados de 11 de setembro, nos Estados Unidos, e em meio a uma atmosfera de intolerância e imposição dos interesses do grupo dos países poderosos. Falando por telefone com os analistas da mesa-redonda, nos estudios da televisão cubana, na véspera, Pérez Roque disse que Cuba, em solidariedade ao Grupo dos 77 e os países do Terceiro Mundo, aderiu ao consenso, mas o documento não espelha nem suas posições nem suas aspirações. O chanceler cubano renovou que Cuba reclama reforma total do sistema econômico internacional, o cancelamento da dívida externa, a cessação do comércio desigual e do roubo de cérebros. *IMPRENSA BRASILEIRA DESTACA DISCURSO DE FIDEL CASTRO EM MONTERREY Havana, 22 março (RHC)--Noticiários de rádio e tele-jornais, assim como os principais jornais do Brasil destacaram o discurso do presidente Fidel Castro na Cúpula sobre Financiamento ao Desenvolvimento, em Monterrey. OGlobo estampou em manchete "Pobres preferem comércio justo e não esmolas," frase de Fidel. Entre as idéias expressas pelo líder da Revolução cubana, OGlobo destaca suas críticas ao sistema de roubo e exploração prevalecente, a definição da economia mundial como "gigantesco cassino" e as "esquálidas e muitas vezes ridículas ofertas de ajuda financeira aos mais pobres." Os noticiários de rádio e tele-jornais mencionaram, em todas as emissões, o impacto provocado pelo discurso pronunciado por Fidel Castro. O discurso de Fidel em Monterrey também foi divulgado pelos principais jornais mexicanos, nicaraguenses, argentinos, espanhóis entre muitos outros. *IGREJA CATÓLICA ARGENTINA CRITICA AUTORIDADES DO PAÍS Havana, 22março (RHC)--A Igreja Católica da Argentina avisou em Buenos Aires que as ações das autoridades feriram gravemente a confiança do povo em seus dirigentes políticos e no futuro do país. Documento emitido pela Comissão Permanente do Episcopado sublinha que a Argentina está parada por falta de acordos e de porte de seus atores políticos, sociais e econômicos. O texto reclama o fim da corrupção na vida política e social, menos despesas para fins políticos, reforma do Estado e a cessação da sonegação de impostos. Por último, os bispos argentinos exortam os dirigentes a se afastarem das formas imorais na vida pública e renunciarem a seus irritantes privilégios. *A PARTIR DE MAIO CUBA VAI GERAR QUASE TODA SUA ENERGIA ELÉTRICA COM PETRÓLEO E GÁS NACIONAIS Havana, 22 março (RHC)--A partir do mes de maio a produção de eletricidade em Cuba será muito mais estável, ao não depender praticamente da importação de combustível. Ao entrar em produção a termelétrica Antonio Guiteras, de Matanzas, modernizada e transformada, e concluirem os trabalhos realizados na usina de Felton, em Holguin, 90% da geração elétrica do país será garantido com petróleo e gás cubanos. O diretor da União Elétrica Nacional, Juan Antonio Pruna, disse sentir-se muito satisfeito com os resultados do esforço que se está fazendo para que as duas usinas retomem a produção no próximo mes de maio. *UNIÃO EUROPÉIA APROVA RATIFICAÇÃO PROTOCOLO DE KYOTO Havana, 22 março (RHC)--Por unanimidade, a Câmara Baixa do Parlamento alemão ratificou o Protocolo de Kyoto sobre mudança climática. Com este passo, a Alemanha é um dos primeiros países da União Européia a ratificar o documento, que limita as emissões de gases de efeito estufa. Os ministros da União Européia determinaram, em declaração conjunta, a ratificação do Protocolo de Kyoto por todos os países-membros, apesar da oposição do governo norte-americano a aderir a esse convênio, sendo os Estados Unidos os maiores emissores de gases contaminantes. *REUNIÃO ENTRE ISRAELENSES E PALESTINOS TERMINA SEM ACORDOS Havana, 22 março (RHC)--Durante reunião de segurança entre palestinos e israelenses, que finalizou sem acordos, houve novo atentado a bomba em posto de controle israelense, na Cisjordânia. Na ação só perdeu a via o suicida que levava carga explosiva. Na quinta-feira, Israel tinha cancelado reunião entre experts das duas partes com a presença do emissário norte-americano Anthony Zinni, após o atentado em Jerusalém, onde morreram quatro pessoas, um deles o próprio fundamentalista palestino que carregava a bomba. Meios de imprensa informam que a polícia israelense prendeu um dos ministros da Autoridade Nacional Palestina por ter entrado em Jerusalém sem licença das autoridades. Ziad Abu Ziad, ministro da presidência responsável pelos assuntos ligados à Jerusalém, está sendo interrogado. *PRESIDENTE DA BOTSUANA VISITA CUBA Havana, 22 março (RHC)--O presidente de Botsuana, Festus Mogae, chegará no sábado à Havana de visita oficial, convidado por Fidel Castro. A delegação de Botsuana se reunirá com o Chefe de Estado cubano e fará visitas a lugares históricos e de interesse social e econômico. Cuba e Botsuana estabeleceram relações diplomáticas a 9 de dezembro de 1977, e esta é a segunda vez que um presidente botsuano visita formalmente a Ilha. *COLABORAÇÃO ENTRE CUBA E MOÇAMBIQUE Havana, 22 março (RHC)--Cuba e Moçambique assinaram, em Havana, convênio de colaboração, que compreende a formação de professores, assistência técnica, intercâmbio de atletas e equipes, por ocasião da visita do ministro da Juventude e Esportes da nação africana, Matias Libombo. O presidente do Instituto Cubano de Esportes, Humberto Rodriguez, destacou que o propósito da Ilha é renovar a necessidade de globalizar muito mais a solidariedade com os países africanos, e especialmente com os do Terceiro Mundo. Libombo agradeceu a ajuda oferecida por Cuba e destacou que Moçambique foi um dos primeiros países africanos que recebeu bolsas para jovens estudarem na Escola Internacional de Educação Física e Esportes. *CUBA DENUNCIA EM GENEBRA MANOBRAS PARA COLOCAR EM LIBERDADE O POSADA CARRILES Havana, 22 março (RHC)--Cuba denunciou perante a 58ª sessão da Comissão da ONU para os Direitos Humanos as manobras para libertar o terrorista Luis Posada Carriles, detido no Panamá, junto a outros cúmplices por tentarem assassinar o presidente Fidel Castro. A delegada cubana Mercedes de Armas disse que a máfia terrorista de Miami e o governo dos Estados Unidos continuam suas ações para frustrar o processo judicial contra o célebre terrorista. De Armas denunciou os preparativos para facilitar a fuga e recordou que governos norte-americanos organizaram, financiaram e executaram, durante décadas, numerosas operações terroristas contra Cuba utilizando mercenários como os anteriormente mencionados. Comentario: *EXPLICAÇÕES NECESSÁRIAS EM MONTERREY Um mundo de pernas para o ar foi mostrado no primeiro dia da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo, em Monterrey, pelos presidentes da Venezuela e Cuba, Hugo Chávez e Fidel Castro, únicas vozes que distoaram de um coro reverente. Graças a essas explicações urgentes e necessárias, a Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento finaliza hoje com alguma substância e conteúdo e não entrará na história como outro exercício a mais de oratória e retórica vazia, à qual os países pobres teriam assistido para continuar ignorando que são pobres, e os ricos para encobrir a causa dessa situação. Porque, como disse Fidel, não foram os países subdesenvolvidos os que conquistaram e saquearam continentes inteiros, não foram eles que estabeleceram o colonialismo, nem a escravidão, e muito menos foram eles que criaram o atual imperialismo, portanto, não se pode culpá-los de serem o que são. Parecia que em Monterrey se reafirmaria a concepção classista e racista de que o sul do planeta é subdesenvolvido por sua própria condição humana, geográfica e social, por isso convêm lhe atirar algumas moedas, não muitas naturalmente, para evitar que seus povos acabem de morrer de fome, mas sem a convicção de que tenham forças e recursos próprios suficientes para sair, por si mesmos, de sua triste situação. O pior é que, em outras circunstâncias, se não se tratasse da vida de milhões de pessoas, poderia até ser engraçado. É que este consenso estava sendo admitido por todos, até pelas vítimas do genocídio, que aceitavam, assim, a responsabilidade que não têm em sua própria morte. Felizmente, houve duas vozes que escabuliram do consenso e falaram claro, forte e alto, denunciando que a atual ordem econômica mundial é, na verdade, um sistema de saque e exploração jamais visto antes na história. Chávez frisou que as recomendações do Fundo Monetário Internacional foram veneno para os povos pobres, e Fidel renovou que os povos acreditam cada vez menos nessas instituições, principais responsáveis das crises que castigam nossos países e funcionam, de fato, como eficientes fábricas de pobreza. Gostaríamos de acreditar que esta conferência terá alguma utilidade prática para os que, humilhados e ofendidos, nos negamos a receber migalhas e esmolas, e que a mesma seja para começar a falar já da dívida social e histórica que o mundo desenvolvido e rico tem com o resto do planeta, uma dívida que ultrapassa qualquer quantia de dinheiro da que querem nos cobrar e pela qual somos vítimas de chantagens de tempo em tempo. Se só esta concepção saísse de Monterrey, poderia se pensar que tanto esforço e gasto tiveram alguma razão de ser, mas até agora nada nos permite tal otimismo, por isso preferimos aderir às vozes de Fidel e Chávez: basta de promessas e de declarações, chegou a hora de começar a fazer, em lugar de dizer! *PRESIDENTE FIDEL CASTRO DENUNCIA EM MONTERREY SISTEMA DE SAQUE E EXPLORAÇÃO IMPERANTE NO MUNDO O presidente Fidel Castro, ao discursar na Conferência Internacional sobre Financiamento ao Desenvolvimento, em Monterrey, sustentou que a atual ordem é um sistema de saque e exploração jamais visto antes na história. "Os povos acreditam cada vez menos em declarações e promesas. O prestígio das instituições financeiras internacionais está debaixo de zero. A economia mundial é, hoje em dia, um enorme cassino. Análises recentes indicam que para cada dólar utilizado no comércio mundial, mais de cem se empregam em operações especulativas que nada têm a ver com a economia real. "Esta ordem econômica - afirmou o presidente cubano - conduziu 75% da população mundial ao subdesenvolvimento. A pobreza extrema no Terceiro Mundo envolve 1,2 bilhão de pessoas. O fosso aumenta, não diminui. A diferença de renda entre os países mais ricos e os mais pobres, que era de 37 vezes em 1960, é, hoje, 74 vezes maior. Chegou-se a tal extremo que as três pessoas mais ricas do mundo possuem ativos equivalentes ao PIB dos 48 países mais pobres juntos. "No 2001, o número de pessoas famintas era de 826 milhões, o de adultos analfabetos 884 milhões, o de crianças que não freqüentam a escola 325 milhões, o de pessoas que não têm medicamentos essenciais dois bilhões, o dos que não dispõem de saneamento básico 2,4 bilhões. Não menos de 11 milhões de crianças menores de cinco anos morrem, todos os anos, de doenças curáveis e 500 mil ficam definitivamente cegas por falta de vitamina A. Os habitantes do mundo desenvolvido vivem 30 anos mais do que os da África Subsaariana. Um verdadeiro genocídio. Não se pode culpar os países pobres. Estes não conquistaram nem saquearam, durante séculos, continentes inteiros, nem estabeleceram o colonialismo, nem implantaram a escravidão, nem criaram o imperialismo moderno, foram as vítimas. A responsabilidade principal de financiar seu desenvolvimento corresponde às nações que, hoje, por razões históricas óbvias, desfrutam os benefícios daquelas atrocidades. "O mundo rico - sublinhou Fidel - deve cancelar a dívida externa e conceder novos empréstimos brandos para financiar o desenvolvimento. As ofertas de ajuda sempre esquálidas e muitas vezes ridículas não bastam, ou não se cumprem. Para um verdadeiro desenvolvimento econômico e social sustentável faz falta muito mais do que se afirma. "Medidas como as sugeridas pelo recém-falecido James Tobin para frear a indetível especulação monetária, ainda que não era sua intenção ajudar o desenvolvimento, seriam hoje, talvez, as únicas capazes de gerar fundos suficientes, que em mãos dos organismos das Nações Unidas, e não de funestas instituições como o FMI, poderiam ajudar diretamente o desenvolvimento com a participação democrática de todos, sem sacrificar a independência e a soberania dos povos. "O projeto de consenso que os amos do mundo nos impõem nesta conferência é que nos devemos resignar com uma esmola insuficiente, condicionada e ingerencista. É preciso repensar tudo que se criou desde Bretton Woods até hoje. Não houve, então, verdadeira visão de futuro. Prevaleceram os privilégios e os interesses do mais poderoso. Em face da profunda crise atual, nos oferecem um futuro ainda pior, no qual não se resolveria jamais a tragédia econômica, social e ecológica de um mundo que será cada vez mais ingovernável, onde haverá a cada dia mais pobreza e mais famintos, como se uma grande fatia da Humanidade sobrasse. "Chegou a hora de os políticos e homens de estado refletirem serenamente. Acreditar em que uma ordem econômica e social, que demonstrou ser insustentável, possa ser imposta à força é uma idéia louca. As armas, cada vez mais sofisticadas, que se acumulam nos arsenais dos mais poderosos e ricos, como já disse uma vez, poderão matar os analfabetos, os doentes, os pobres, e os famintos, mas não poderão matar a ignorância, as doenças, a pobreza e a fome. De uma vez por todas deveria dizer-se adeus às armas. Alguma coisa deve ser feita para salvar a Humanidade. Um mundo melhor é possível." Ao concluir a fala, Fidel Castro pediu 20 segundos para esclarecer: "Rogo a todos que me desculpem por não poder continuar acompanhando-os devido a uma situação especial criada pela minha participação nesta Cúpula e me veja obrigado a voltar imediatamente a meu país. À frente da delegação fica o companheiro Ricardo Alarcón de Quesada, presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular, infatigável batalhador na defesa dos direitos do Terceiro Mundo. Delego nele as prerrogativas que me correspondem nesta reunião como Chefe de Estado. "Espero que ele não seja proibido de participar de nenhuma atividade formal à qual tem direito como chefe da delegação cubana e como presidente do órgão supremo do poder do estado, em Cuba." (c) 2002 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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