Radio Havana Cuba-20 de marco 2002 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 20 de marco 2002 . *PRESIDENTE FIDEL CASTRO FALA NA QUINTA-FEIRA NA CÚPULA DE MONTERREY *CUBA DENUNCIA POLÍTICA SELETIVA CONTRA PAÍSES DO SUL NA COMISSÃO DA ONU PARA DIREITOS HUMANOS *AUTORIDADE NACIONAL PALESTINA CONDENA ATENTADO NO NORTE DE ISRAEL *OUTRO ATAQUE NO AFEGANISTÃO CONTRA TROPAS LIDERADAS PELOS EUA *ATENTADO TERRORISTA NA ITÁLIA *SALÁRIOS DESVALORIZADOS EM 60% NA ARGENTINA *GREVE DE MÉDICOS NO PARAGUAI *MOVIMENTO ANTIGLOBALIZAÇÃO PODE TRANSFORMAR O MUNDO, AFIRMA ALARCÓN *NOVO MEDICAMENTO CUBANO PARA INSUFICIÊNCIAS DO CORAÇÃO *CENTRO CULTURAL ALEMÃO EM CUBA *Comentario: EUA E UE DISPUTAM REPARTIÇÃO DE MIGALHAS AO MUNDO POBRE . *PRESIDENTE FIDEL CASTRO FALA NA QUINTA-FEIRA NA CÚPULA DE MONTERREY Havana, 20 março (RHC)--O presidente Fidel Castro falará na quinta-feira, na Cúpula de Monterrey, informa nota oficial divulgada em Havana. Cinquenta e oito Chefes de Estado de todos os continentes confirmaram presença na Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento que, em nível de presidentes, começa na quinta-feira, na cidade mexicana de Monterrey. A Cúpula finaliza na sexta-feira com a assinatura do documento Consenso de Monterrey, fartamente criticado pelas organizações não governamentais. No entendimento das mesmas a declaração aprofunda ainda mais o fosso entre ricos e pobres. Um dos participantes do encontro ministerial, Matt Robson, da Nova Zelândia, admitiu que a ajuda oficial ao desenvolvimento é ínfima em relação aos gastos militares cada vez maiores dos países industrializados. *CUBA DENUNCIA POLÍTICA SELETIVA CONTRA PAÍSES DO SUL NA COMISSÃO DA ONU PARA DIREITOS HUMANOS Havana, 20 março (RHC)--O representante cubano na Comissão da ONU para os Direitos Humanos, Juan Antonio Fernández, disse em Genebra que o atual período de sessões poderia ser o ponto de partida para uma verdadeira cooperação internacional, mas numerosos sinais estão indicando o contrário. Fernández sustentou que novos países em desenvolvimento são empurrados ao banco dos réus e se sabe de antemão que serão condenados. Há uma pretensão, disse, de ditar normas e comportamentos aos países-membros da Comissão de Direitos Humanos. E recordou que no período anterior de sessões não se conseguiu acabar com a prática perniciosa de utilizar esse fórum para dominar politicamente e calar vozes que ousem discordar dos interesses hegemônicos de poder. O representante de Cuba frisou que muitas nações industrializadas se deixaram levar, e algumas até aplaudiram a política seletiva de satanização e estigmação de países do Sul nos trabalhos da comissão de Direitos Humanos. Não obstante, asseverou, confiamos na melhora e no futuro da Humanidade e não hesitaremos em condenar essa situação. *AUTORIDADE NACIONAL PALESTINA CONDENA ATENTADO NO NORTE DE ISRAEL Havana, 20 março (RHC)--A Autoridade Nacional Palestina condenou o atentado suicida cometido nesta quarta-feira em um ônibus, no norte de Israel. Por consequência morreram o atacante e sete passageiros, 34 pessoas ficaram feridas. Yihad Islâmica se responsabilizou pela ação. Em comunicado divulgado pela agência de notícias Uafa, a direção palestina sublinhou que seu povo não admitirá que nenhum palestino ataque civis no território de Israel. Apesar dessa posição palestina em face do atentado, o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon prometeu retaliações e insinuou a possibilidade de impedir a viagem de Yasser Arafat ao Líbano para participar da Cúpula da Liga Árabe, que começa na próxima semana. *OUTRO ATAQUE NO AFEGANISTÃO CONTRA TROPAS LIDERADAS PELOS EUA Havana, 20 março (RHC)--Membros do movimento talibã e do grupo Al Qaeda atacaram tropas da coalizão liderada pelos Estados Unidos no leste do Afeganistão. Porta-vozes militares norte-americanos informaram que os atacantes utilizaram foguetes, morteiros e metralhadoras em batalha que durou várias horas, e nenhum dos fundamentalistas afegães foi capturado. *ATENTADO TERRORISTA NA ITÁLIA Havana, 20 março (RHC)--Os três principais grupos sindicais italianos convocaram greve de duas horas em repúdio ao assassinato, em Bolonha, do economista Marco Biagi, assessor do ministro do Trabalho, Roberto Maroni. Biagi foi morto com dois tiros na nuca por desconhecidos que viajavam em motocicleta. Os sindicatos italianos exortaram os trabalhadores a se unirem contra o terrorismo e convocaram à greve geral para protestar contra a política trabalhista de Silvio Berlusconi. *SALÁRIOS DESVALORIZADOS EM 60% NA ARGENTINA Havana, 20 março (RHC)--Os salários e outras rendas se desvalorizaram 60% nos últimos meses, na Argentina, em relação ao dólar norte-americano, revelou estudo feito pela firma consultora Equis. Na pesquisa, Equis assegura que o fim da conversibilidade entre o peso argentino e o dólar afetou os salários e teve forte impacto nos preços. Além disso, a taxa de desemprego na Argentina é de 22% resultante de uma recessão econômica que leva quase quatro anos. *GREVE DE MÉDICOS NO PARAGUAI Havana, 20 março (RHC)--Greve de médicos e funcionários da saúde estremeceu o Paraguai nesta quarta-feira. Os grevistas reclamam verbas do governo para reabilitar o setor com medicamentos e insumos. Representantes do grêmio médico do Hospital Nacional declararam à imprensa que mais de 1 600 trabalhadores aderirão ao movimento paredista na próxima sexta-feira se as autoridades fizerem ouvidos moucos às suas reivindicações. *MOVIMENTO ANTIGLOBALIZAÇÃO PODE TRANSFORMAR O MUNDO, AFIRMA ALARCÓN Havana, 20 março (RHC)--O presidente do Parlamento de Cuba, Ricardo Alarcón, prognosticou a recomposição das forças de esquerda no mundo a partir da resistência à globalização neoliberal e do impulso desse movimento contra o capitalismo. O jornal mexicano La Jornada publica uma entrevista feita a Alarcón durante o Fórum Inter-Parlamentar das Américas, realizado na semana passada, no México. Em suas declarações, Alarcón disse ter certeza de que a partir da nova situação internacional, o movimento antiglobalização está dirigido a transformar, ou mudar a ordem existente. *NOVO MEDICAMENTO CUBANO PARA INSUFICIÊNCIAS DO CORAÇÃO Havana, 20 março (RHC)--CIDEM- Centro Cubano de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos-elaborou produto para insuficiências cardíacas, o que permite ao país poupar divisas e melhorar a saúde dos pacientes. Segundo a imprensa, ao expirar em 1999 a patente de firmas multinacionais sobre o medicamento Enalapril Maleato, comercializado no mundo, e em face da falta de recursos em Cuba para sua compra, CIDEM obteve rapidamente fórmula própria e a menor custo. O novo produto ENALAPRIL-20 é produzido nos laboratórios NOVATOC. No ano passado, se fabricaram 26 264 frascos, e nos primeiros três meses de 2002 essa quantidade pulou para o dobro. *CENTRO CULTURAL ALEMÃO EM CUBA Havana, 20 março (RHC)--Alemanha e Cuba assinarão acordo cultural para abrir, em Havana, um Centro que pode começar a ser montado tão logo se fixem as condições da cooperação. Ao espírito do acordo, o Instituto Goethe, da Alemanha, poderá organizar atos culturais na capital cubana, e os interessados terão acesso à informação na biblioteca do Centro, ou através de meios eletrônicos. Para além de promover o ensino do idioma alemão e difundir sua cultura, a filial do Centro Goethe objetiva contribuir para a discussão global em torno de valores e sociedades. A abertura do Centro Cultural foi anunciada durante visita do vice-presidente cubano, Carlos Lage, a Berlim por ocasião da Feira Internacional do Turismo. *Comentario: EUA E UE DISPUTAM REPARTIÇÃO DE MIGALHAS AO MUNDO POBRE Como se fosse uma competição entre Papai Noel e os Reis Magos para ver quem oferece o melhor presente a um grupo de crianças pobres, os Estados Unidos e a União Européia acorrem à Conferência de Monterrey com pontos de vista divergentes quanto à cooperação para o desenvolvimento. Os europeus insistem em manter o atual modelo de financiamento, com modesta subida em troca de maior disciplina fiscal, luta contra a corrupção e mais estabilidade monetária, mas sem chegar a comprometer o 0,7% de seu Produto Interno Bruto. Sustentam estar dispostos a desembolsar até sete bilhões de dólares por ano, a partir de agora e até o ano 2006, para fortalecer o atual fundo de financiamento ao desenvolvimento do mundo pobre. Do outro lado, Washington acorre à Monterrey com a idéia de suprimir os empréstimos como base do desenvolvimento e substituí-los por subsídios ou ajuda direta não reembolsável, o que envolve sérios riscos para o futuro a médio prazo. A condição dos Estados Unidos para a entrega da ajuda é disciplina financeira e sanidade fiscal que possam ser fiscalizadas. Perguntamos, quem vai fiscalizar? Da mesma maneira como existe a certificação em matéria de luta contra o narcotráfico e a proteção dos direitos humanos, agora a Casa Branca quer impor certificação financeira, para ter tudo na mão e transformar este processo em maquinaria política. Se, hoje em dia, os Estados Unidos manejam as finanças internacionais com critérios políticos, e o bloqueio a Cuba é prova disso, não queremos pensar no que vai acontecer quando tiver nas mãos o instrumento dos subsídios como contribuição para o desenvolvimento. Qual será o serviço a prestar em troca da ajuda, se, hoje, no modelo atual, vimos como a Argentina teve de anunciar o voto contra Cuba na Comissão da ONU para os Direitos Humanos a fim de apanhar algumas migalhas dos Estados Unidos? Na prática, nenhuma das duas visões do problema, nem o enfoque europeu, nem o dos Estados Unidos, resolve o desequilíbrio atual do mundo, até porque nenhuma delas é capaz de gerar um desenvolvimento autêntico. Os créditos viabilizados até agora só serviram para atar bala de canhão ao pescoço dos países pobres com a dívida externa, e não temos referência de nenhuma nação que tenha saído do subdesenvolvimento por essa via. Os subsídios serão mais do que isso, uma verdadeira camisa de força, que liquidará a soberania das nações em troca de uns trocados. Os países pobres precisam de outra coisa, do cancelamento da dívida externa, de acesso ao mercado internacional com seus produtos em condições de igualdade, da eliminação das barreiras tarifárias e de investimento em educação e tecnologia. Nada disso se fala, infelizmente, no Consenso de Monterrey, um documento que já foi preparado e aprovado antes de ser discutido, e que não oferecerá nada de novo. Não se trata de presentinhos que nos deslumbrem, não estamos pedindo presentes, também não esquemas de fria eficiência financeira, e sim justiça e ética, traduzidas em emprego, educação, saúde, desenvolvimento humano e um horizonte no qual nossos filhos possam ser protagonistas de seu futuro. Só isso para começar a construir esse outro mundo, que é possível. (c) 2002 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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