Radio Havana Cuba-01 de maio 2002 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 01 de maio 2002 . *AO FALAR EM COMÍCIO PELO PRIMEIRO DE MAIO, EM HAVANA, FIDEL CASTRO REJEITA RESOLUÇÃO ANTICUBANA SOBRE DIREITOS HUMANOS *TRABALHADORES URUGUAIOS REJEITAM DECISÃO DO GOVERNO DE ROMPER RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS COM CUBA *MANIFESTAÇÕES PELO PRIMEIRO DE MAIO NA AMÉRICA LATINA CONDENAM POLÍTICAS NEOLIBERAIS *COMEMORAÇÕES PELO DIA INTERNACIONAL DO TRABALHO NO MUNDO *UM MILHÃO DE FRANCESES REJEITAM AVANÇO DA EXTREMA-DIREITA NO PAÍS *MORREM QUATRO PALESTINOS, ENTRE ELES UMA MENINA, DURANTE NOVA INVASÃO DE TROPAS ISRAELENSES *INSTALADA COMISSÃO PARA O DIÁLOGO NACIONAL NA VENEZUELA *CONFIRMAM NEGATIVA DE VISTO DE ENTRADA NOS EUA PARA FUNCIONÁRIO CUBANO *PRESIDENTE DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE SÃO PAULO RECEBE PREFEITO DE HAVANA *INAUGURADA NOVA ROTA AÉREA ENTRE GRÃ BRETANHA E CUBA *Em Foco: A CORDA NO PESCOÇO . *AO FALAR EM COMÍCIO PELO PRIMEIRO DE MAIO, EM HAVANA, FIDEL CASTRO REJEITA RESOLUÇÃO ANTICUBANA SOBRE DIREITOS HUMANOS Havana, 1º de maio (RHC).- Perante mais de um milhão de pessoas, que se concentraram na Praça da Revolução de Havana para comemorar o Primeiro de Maio, Dia Internacional do Trabalho, o presidente Fidel Castro afirmou que Cuba foi condenada em Genebra pelos que consideram que todo esse povo reunido na praça foi privado de seus direitos humanos. Com certeza, nenhum dos governos que apoiaram o projeto anticubano poderiam reunir na capital de seus países nem 5 % dos cidadãos que participaram do comício em Havana - disse Fidel, e afirmou que entre os reunidos ali não há ninguém sem saber ler ou escrever, nem analfabeto funcional sem terminar o primeiro grau. O presidente cubano sublinhou as tradições gloriosas de igualdade e dignidade do ser humano, os sentimentos de solidariedade, espírito internacionalista, confiança infinita e postura heroica ao longo de 43 anos de luta firme e incansável, que têm feito de Cuba um país diferente. Disse que o sistema de saque, que ontem exterminou os habitantes autóctones e criou as colônias e neo-colônias dependentes, rege ainda o destino de muitos povos. O que aconteceu antes, durante e depois da votação em Genebra não tem quase diferenças quanto ao que Cuba conheceu nos primeiros dias da Revolução, quando foi traída e abandonada vilmente pelos demais governos da região - afirmou o presidente cubano. Hoje, os povos latino-americanos, que abrangem 526 milhões de habitantes, tiveram também a oportunidade de aprender o que é a dominação imperialista, a expoliação e o saque. Apesar das calúnias e mentiras, compreendem cada vez mais e sabem que, diante dessas claudicações, Cuba constitui uma força moral poderosa, defensora da verdade e solidária com os demais povos do mundo - apontou o líder da Revolução cubana. Os povos latino-americanos acreditam cada vez menos na estória de que há democracia e respeito aos direitos humanos nos países onde centenas de milhares de crianças morrem a cada ano por falta de atendimento médico e fome, enquanto milhões não vão à escola e trabalham em troca de salários miseráveis, ou são alvo da exploração sexual. Fidel Castro indicou que querem fazer crer que as centenas de milhões de seres humanos que vivem na pobreza, apesar da riqueza que os cerca, o enorme número de desempregados ou trabalhadores eventuais, o desatendimento médico às mães, crianças e idosos e à população pobre em geral, a marginalização, as drogas, a insegurança e o crime, chamam-se democracia e respeito aos direitos humanos. O sistema atual - disse o presidente cubano - é a negação total de qualquer igualdade ou justiça social, porque uma pessoa analfabeta, que vive na pobreza ou na pobreza extrema, em bairros marginais ou perambulando pelas ruas, recebendo o veneno constante da publicidade comercial, as enormes massas que lutam deseperadamente pela vida, podem ser vítimas de todos os tipos de abusos, e dificilmente tenham condições para compreender os problemas complexos do mundo ou da sociedade em que vivem. Não pode haver liberdade alguma de expressão onde os meios de comunicação são monopólio exclusivo dos interesses de poderosos inimigos juramentados de qualquer mudança política, econômica ou social. Ao se referir à suposta falta de liberdades e de democracia em Cuba, Fidel Castro indicou que na Ilha há um povo culto e corajoso, que não poderia ser governado à força, nem haveria força para governá-lo, porque o povo cubano é a força, a Revolução, o governo e o poder, e soube se defender das agressões do império mais poderoso da história. Esse fenômeno político não tinha acontecido jamais neste hemisfério - sublinhou Fidel Castro - e garantiu que todos os países que condenaram Cuba em Genebra estão muito longe de mostrar os índices de saúde, culturais e de educação fundamentais para uma vida sã e decorosa dos cidadãos. Em seu discurso no ato de massas pelo Dia Internacional do Trabalho, na Praça da Revolução de Havana, o presidente cubano referiu-se à recente intentona golpista fascista na Venezuela, impulsionada pelo imperialismo e liderada pelos meios de comunicação privados. Disse que foi evitada uma guerra civil graças à postura calma do presidente Hugo Chávez, à lealdade de oficiais e soldados, e ao povo. Mais adiante, ao abordar os acontecimentos decorrentes da Cúpula de Monterrey, quando foram colocadas em dúvida a honra, moral e credibilidade de Cuba, Fidel explicou que preferiu ser leal à verdade e aos povos, porque apesar de suas advertências, as autoridades mexicanas continuaram com suas mentiras e exigências para que Cuba apresentasse provas do que estava dizendo, e não deixaram outra alternativa senão divulgar a ligação telefônica do presidente Vicente Fox. Cuba demorou em apresentar as provas justamente para evitar prejuízos a um país que respeito e admiro - frisou o presidente cubano, e disse que a mentira é injustificável do ponto de vista político, ético e religioso. Fidel Castro sublinhou que Cuba, apesar de ter um território muito pequeno, é o país mais independente do mundo hoje, o mais justo e solidário, e o mais democrático. Existe um partido, mas este não postula nem elege, são os cidadãos os que, a partir da própria base, propõem seus candidatos, os postulam e elegem. Cuba mostra uma invejável e cada vez mais sólida e indestrutível unidade, a mídia tem caráter público, não faz propaganda comercial nem promove o consumismo, recreia, informa, educa, e não aliena. Fidel Castro frisou que Cuba ocupa lugares cimeiros no mundo, muito difíceis de ultrapassar, numa quantidade crescente de esferas, fundamentais para a vida e os mais essenciais direitos políticos, civis, sociais e humanos, no intuito de garantir o bem-estar e o porvir do povo. No ato pelo Primeiro de Maio, em Havana, falou também o secretário-geral da CTC-Central de Trabalhadores de Cuba, Pedro Ross, que exigiu a soltura dos cinco compatriotas presos nos EUA por tratarem de evitar as ações terroristas preparadas e lançadas contra esta Ilha a partir do território norte-americano. Ross conclamou todos os homens honestos do mundo a erguerem suas vozes para exigir a liberdade dos cinco heróis, e acusou a extrema-direita da emigração cubana em Miami e dos EUA de serem as responsáveis por essa injustiça. O sindicalista ratificou que Cuba é contra qualquer tipo de terrorismo, incluso o terrorismo de Estado, como o praticado por Israel contra o povo palestino com o apoio dos EUA. Sublinhou que Cuba rejeita a resolução aprovada na Comissão de Genebra, porque nesta Ilha é onde mais se respeitam os direitos humanos. *TRABALHADORES URUGUAIOS REJEITAM DECISÃO DO GOVERNO DE ROMPER RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS COM CUBA Havana, 1º de maio (RHC).- Juan Castillo, dirigente da Plenária Intersindical de Trabalhadores PIT-CNT, afirmou que os uruguaios aproveitam a data de Primeiro de Maio para externar sua solidariedade a Cuba, e rejeitar a decisão do governo de romper as relações diplomáticas com esta Ilha. A central sindical uruguaia convocou, para sábado, uma caravana que vai acompanhar até o aeroporto internacional de Montevidéu o embaixador cubano José Alvarez Portela, que tem de retornar a Havana. Reinaldo Gargano, chefe da Comissão de Assuntos Internacionais do Senado uruguaio, disse que foi vergonhosa a postura do presidente Jorge Batlle ao apresentar uma resolução anticubana, redigida pelos EUA, na Comissão da ONU para os Direitos Humanos, em Genebra. *MANIFESTAÇÕES PELO PRIMEIRO DE MAIO NA AMÉRICA LATINA CONDENAM POLÍTICAS NEOLIBERAIS Havana, 1º de maio (RHC).- As manifestações na América Latina pelo Dia Internacional do Trabalho tem como característica comum exigir o fim das privatizações, condenar as políticas neoliberais impostas pelo FMI-Fundo Monetário Internacional, e lutar contra o desemprego, entre outras reivindicações. Na Colômbia, os trabalhadores denunciam, também, os assassinatos de líderes sindicais. Neste ano já foram mortos 65 sindicalistas. Os colombianos rejeitam a violência imperante no país. Em El Salvador, os sindicatos apresentaram ao governo um pacote de reivindicações econômicas, sociais e de respeito a seus direitos elementares. No Equador, indígenas, comerciantes, educadores e outros segmentos da sociedade reivindicam seus direitos, entre eles fontes de emprego. *COMEMORAÇÕES PELO DIA INTERNACIONAL DO TRABALHO NO MUNDO Havana, 1º de maio (RHC).- 140 Mil pessoas se concentraram na Praça Vermelha, de Moscou, para exigir do governo russo uma melhor política social, aumentos de salários e a demissão dos ministros do setor econômico. Em Berlim, a repressão da polícia alemã contra manifestantes deixou saldo de uma mulher gravemente ferida e 25 detidos. Na Austrália, milhares de trabalhadores aproveitaram a data para defender os direitos dos imigrantes detidos. Em Tórquio, um milhão de japoneses saíram às ruas para pedir do governo proteção para as fontes de emprego. Na Indonésia, manifestantes pediram a aplicação da reforma trabalhista. *UM MILHÃO DE FRANCESES REJEITAM AVANÇO DA EXTREMA-DIREITA NO PAÍS Havana, 1º de maio (RHC).- Cerca de um milhão de pessoas rejeitaram o avanço da extrema-direita e seu líder, Jean Marie Le Pen, durante as manifestações pelo Primeiro de Maio nas principais cidades do país, quando faltam apenas quatro dias para o segundo turno das eleições presidenciais. Hoje, Le Pen, líder da Frente Nacional, desfilou pelas ruas de París acompanhado por milhares de seguidores. Sua presença no segundo turno, como rival do atual presidente Jacques Chirac, ocasionou uma comoção política na França. *MORREM QUATRO PALESTINOS, ENTRE ELES UMA MENINA, DURANTE NOVA INVASÃO DE TROPAS ISRAELENSES Havana, 1º de maio (RHC).- Quatro palestinos, entre eles uma menina, morreram no campo de refugiados de Rafah, na Faixa de Gaza, durante nova invasão de tanques e tropas israelenses. Os blindados sionistas tornaram a entrar no centro da cidade palestina de Ramalah, do qual tinham se retirado na semana passada, bloqueando ruas e impedindo a passagem de carros e pedestres. Em sua tradicional audiência geral das quartas-feiras, o Papa João Paulo Segundo emitiu mensagem em favor da concórdia no Oriente Médio. *INSTALADA COMISSÃO PARA O DIÁLOGO NACIONAL NA VENEZUELA Havana, 1º de maio (RHC).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tomou juramento dos integrantes da Comissão Presidencial para o Diálogo Nacional. A comissão, presidida pelo próprio Chávez, terá como coordenador-geral o vice-presidente José Vicente Rangel, estando nela 40 representantes de vários segmentos da sociedade venezuelana, incluso da oposição. *CONFIRMAM NEGATIVA DE VISTO DE ENTRADA NOS EUA PARA FUNCIONÁRIO CUBANO Havana, 1º de maio (RHC).- O secretário norte-americano de Estado, Collin Powell, confirmou que não será outorgado visto de entrada ao diretor da empresa cubana ALIMPORT, Pedro Alvarez, que deveria viajar aos EUA para comprar grãos no valor de 70 milhões de dólares. Legisladores norte-americanos, de estados eminentemente agrícolas, rejeitaram a medida do governo, que interfere em seus propósitos de manter a venda de grãos e cereais a Cuba, segundo autorização dada por Washington há poucos meses para aliviar os efeitos da passagem do furacão Michelle pela Ilha, em novembro passado. *PRESIDENTE DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE SÃO PAULO RECEBE PREFEITO DE HAVANA Havana, 1º de maio (RHC).- O presidente da Assembléia Legislativa do estado brasileiro de São Paulo, Walter Fellman, recebeu o presidente do Poder Popular de Havana, a capital cubana, Conrado Martínez Corona. Fellman agradeceu às autoridades cubanas o recebimento que teve durante sua visita à Ilha no ano passado, e prognosticou um crescimento dos laços entre os dois povos. *INAUGURADA NOVA ROTA AÉREA ENTRE GRÃ BRETANHA E CUBA Havana, 1º de maio (RHC).- Com chegada de um avião com 252 turistas, foram inaugurados os vôos diretos entre Londres, a capital britânica, e a província de Ciego de Ávila, na região central de Cuba. A linha será operada pelas agências JMC e Cubanacán Viajes. Estão previstos dois vôos semanais, um partindo de Londres e o outro de Manchester. *Em Foco: A CORDA NO PESCOÇO O Dia Internacional do Trabalho não gera muitas esperanças para os latino-americanos que, em meio a um processo de globalização neoliberal considerado um sucesso pelos meios oficiais, não sentem melhora alguma em seus bolsos nem na cozinha. A vigésima-sétima Conferência da FAO para América Latina e o Caribe foi encerrada há poucos dias em Havana, após debate que mostrou um panorama sombrio para a região. A FAO-Oganização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, afirma que 54 milhões de latino-americanos e caribenhos sofrem desnutrição crônica, e 211 milhões vivem na pobreza, ou seja, 11 milhões mais do que em 1990. No mesmo período houve um crescimento das pessoas subnutridas na América Central, que passaram de 17 para 19 % da população total. Este panorama negativo tem uma relação direta com o aspecto econômico, porque o Produto Interno Bruto da América Latina cresceu apenas 2,7 % na década passada. Este crescimento foi medíocre, apesar do que disse José Antonio Ocampo, secretário executivo da CEPAL-Comissão Econômica da ONU para América Latina. Ele considera que teve sucesso a inserção da região na economia globalizada, além de ter elogiado a rapidez com que assimilou os padrões que prevalecem nestes tempos. Estamos falando da assimilação acrítica dos investimentos estrangeiros, da capitulação da indústria nacional ante a avalanche de produtos importados a custo menor, e da incorporação de modelos culturais e de informação marcados por Hollywood e pelas TVs a cabo, cujas matrizes estão, naturalmente, nos EUA. Qual foi a contribuição para o mundo, e para o subcontinente, desta caminhada pelas trilhas da globalização? A FAO deu a resposta na reunião de Havana, critério ratificado por relatórios de outros órgãos especializados. A globalização agravou o impacto negativo da recessão norte-americana nos países do Terceiro Mundo, segundo externou a UNCTAD-Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento. O crescimento da economia mundial baixou, no ano passado, para apenas 1,3 %, quando no 2000 foi de 3,8 %. A América Latina foi abalada, também, pela queda da economia norte-americana, ao ver diminuir suas exportações. Pior que as cifras negativas, é a falta de vontade para pôr freio à deterioração econômica e social, porque a maioria dos governos e partidos políticos prefere seguir o ritmo marcado por Washington, que acena com a cenoura da ALCA-Área de Livre Comércio das Américas. Essa proposta norte-americana propõe livre transferência de mercadorias e capitais, zerando as tarifas alfandegárias para o comércio, mas não fala dos fluxos financeiros necessários para compensar as nações com graus menores de desenvolvimento. Nesta data de Primeiro de Maio, os trabalhadores devem exigir maior informação sobre a corda que está sendo colocada ao redor de seus pescoços com o avanço da implantação da ALCA. (c) 2002 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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