RHC Weekend-11/12 de maio 2002 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit RHC Weekend - Resumo de noticias - 11/12 de maio 2002 . *FIDEL ACUSA EUA DE MENTIREM PARA TENTAR JUSTIFICAR BLOQUEIO A CUBA *120 MIL CUBANOS REJEITAM EM HAVANA FALSAS ACUSAÇÕES DE ALTO FUNCIONÁRIO NORTE-AMERICANO *EX-PRESIDENTE JAMES CARTER CHEGA AMANHÃ A HAVANA *CONCLUIU SESSÃO ESPECIAL DA ASSEMBLÉIA GERAL DA ONU SOBRE A INFÂNCIA *GRUPO GUERRILHEIRO ELN ACUSA GOVERNO COLOMBIANO POR DEMORA EM INSTAURAR TRÉGUA *PRESIDENTE DA ARGENTINA ADMITE QUE ESTÁ FICANDO SOZINHO Em Foco: *CEPAL AFIRMA QUE FMI TEM VISÃO DISTORCIDA DA CRISE NA ARGENTINA . *FIDEL ACUSA EUA DE MENTIREM PARA TENTAR JUSTIFICAR BLOQUEIO A CUBA Havana, 11 de maio (RHC).- O presidente Fidel Castro afirmou que a idéia obssessiva dos EUA de destruir Cuba levou a política exterior norte-americana por um caminho tortuoso, errado e de fracassos. Em comparecência na Tv, em Havana, para contestar as declarações do sub-secretário norte-americano de Estado para o Controle de Armas e a Segurança Internacional, John Bolton, em torno do presumível desenvolvimento em Cuba de programas de armas biológicas, o líder cubano sublinhou que se trata de uma mentira sinistra, absoluta, e de um golpe traiçoeiro para barrar a venda de alimentos a esta Ilha, autorizada por lei aprovada no Congresso dos EUA. Fidel Castro negou que Cuba esteja propiciando a guerra biológica, e acusou os EUA de mentirem reiteradamente para tentar justificar o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto à Ilha há mais de quatro décadas. Garantiu que os avanços da biotecnologia cubana estão à serviço dos mais carentes no mundo. Ao se referir ao que disse o alto funcionário norte-americano, sobre uma eventual ameaça do potencial biológico e químico da indústria farmacêutica cubana, o presidente Fidel Castro o desafiou a apresentar uma prova sequer de suas acusações. "Não tem provas, nem pode tê-las, porque não existem nem poderiam existir, porque os cientistas cubanos estão formados numa ética revolucionária e no princípio de solidariedade humana" - sublinhou. Fidel recordou que em Cuba está vigente uma lei contra atos de terrorismo, que estipula pena de morte para os que usem armas químicas, e garantiu que se um cientista cubano pertencente a qualquer instituição tivesse cooperado com alguma nação para o desenvolvimento de armas biológicas, ou tivesse tentado criá-las por iniciativa própria, seria levado imediatamente aos tribunais acusado de cometer um ato de traição ao país. Com suas mentiras ante a opinião pública norte-americana e internacional, o governo dos EUA busca confundir e desalentar o crecente número de cidadãos desse país que rejeitam a política genocida do bloqueio a Cuba, uma pequena nação cujo prestígio aumenta pelos resultados no setor da saúde, entre outros, e sua cooperação gratuita nessa área com muitos países. Fidel Castro recordou que apesar das dificuldades econômicas desta Ilha, ocasionadas principalmente pelo endurecimento do bloqueio norte-americano, mais de 8 mil jovens da América Latina, Caribe e África estudam Medicina em Cuba, sem pagar um centavo. Por outro lado, o trabalho dos médicos cubanos noutros países tem contribuído para melhorar os índices de saúde desses povos. O líder cubano perguntou se os EUA fazem algo parecido, ou estão dispostos a prestar ajuda humanitária, quando 16 % dos cidadãos norte-americanos não tem seguro médico, inclusos 10 milhões de crianças. Fidel recordou que graças ao desenvolvimento do setor biomédico em Cuba, todas as crianças cubanas estão vacinadas contra 13 doenças, e toda a população tem acesso à assistência médica gratuita. "Quem vai acreditar que os cubanos estão desenvolvendo armas biológicas?," disse Fidel Castro, e afirmou que os promotores dessa campanha são os mesmos que permitem desde seu território ações terroristas contra Cuba, que têm ocasionado a morte de milhares de cubanos. Ratificou que Cuba não tem nada a ocultar. Pelo contrário, sente orgulho pelo seu desenvolvimento biomédico, que continua avançando. Prova disso é que nos próximos anos entrarão no mercado 50 novos produtos cubanos nessa área, entre biofármacos e vacinas. O presidente cubano apontou que do ponto de vista político, vivemos numa época em que há, e haverá cada vez mais, armas mais poderosas do que as nascidas da tecnologia: as armas do moral, da razão e das idéias. "Sem elas nenhuma nação é poderosa; com elas nenhum país é fraco," disse Fidel. Em sua comparecência na Tv, na sexta-feira, Fidel Castro sublinhou que para o povo cubano, acima de qualquer outro valor, estão os valores que inspiram a liberdade, a dignidade, o amor a sua pátria, sua identidade, sua cultura e o mais estrito senso de justiça que possa conceber o ser humano. Esses valores não são armas de destruição massiva, e sim de defesa moral massiva, e o povo cubano está disposto a combater e morrer por eles, afirmou o presidente Fidel Castro, ao contestar recentes declarações do sub-secretário norte-americano de Estado para o Controle de Armas e a Segurança Internacional, John Bolton. *120 MIL CUBANOS REJEITAM EM HAVANA FALSAS ACUSAÇÕES DE ALTO FUNCIONÁRIO NORTE-AMERICANO Havana, 11 de maio (RHC).- O presidente Fidel Castro estava presente no comício em que 120 mil cubanos, reunidos no município de Regla, em Havana, rejeitaram recentes acusações dos EUA em torno do presumível envolvimento de Cuba no desenvolvimento de armas biológicas. Os oradores da tribuna aberta recordaram que os cubanos têm sido vítimas, nas últimas quatro décadas, da guerra biológica levada a cabo contra a Ilha por vários governos norte-americanos, e ratificaram a disposição de lutar contra as campanhas de mentiras. Exigiu-se, também, o fim do bloqueio econômico e a soltura dos cinco cubanos presos injustamente nos EUA por tratarem de barrar as ações terroristas contra Cuba, financiadas, preparadas e lançadas a partir do território norte-americano. *EX-PRESIDENTE JAMES CARTER CHEGA AMANHÃ A HAVANA Havana, 11 de maio (RHC).- O ex-presidente dos EUA, James Carter, chega amanhã a Havana, em visita privada, atendendo convite do presidente Fidel Castro. Carter vai se reunir com dirigentes do governo cubano, e tem uma volumosa agenda de atividades, que inclui visitas a centros de interesse econômico, científico, cultural e social, além de se entrevistar com qualquer cidadão, sem restrições. James Carter governou os EUA de 1977 a 1981. Durante seu mandato foram criados os escritórios de interesses dos dois países em Havana e Washington. Assinou, também, os tratados Torrijos-Carter sobre o Canal do Panamá, os acordos de Camp David entre o Egito e Israel, o Tratado Salt-2 com a então União Soviética, e estabeleceu as relações diplomáticas dos EUA com a China. *CONCLUIU SESSÃO ESPECIAL DA ASSEMBLÉIA GERAL DA ONU SOBRE A INFÂNCIA Havana, 11 de maio (RHC).- Após prolongados debates, terminou nesta madrugada de sábado a sessão especial da Assembléia Geral da ONU sobre a Infância. Os representantes de mais de 180 países chegaram a consenso sobre ítens ligados à saúde, educação, luta contra a AIDS e a proteção das crianças contra abusos, exploração e violência. Os EUA conseguiram que não se fizesse referência à Convenção sobre os Direitos da Criança, que proíbe a aplicação da pena de morte a menores de idade, como acontece nos tribunais norte-americanos. *GRUPO GUERRILHEIRO ELN ACUSA GOVERNO COLOMBIANO POR DEMORA EM INSTAURAR TRÉGUA Havana, 11 de maio (RHC).- Os guerrilheiros do ELN-Exército de Libertação Nacional da Colômbia, acusaram o governo de demorar a assinatura de uma trégua bilateral, em debate há vários meses, encaminhada a fortalecer o processo de paz. Em mensagem enviada ao Congresso da Paz, em curso em Bogotá, o líder do ELN, Nicolás Rodríguez, garantiu que a ausência de uma resposta oficial impediu avançar nesse tema. *PRESIDENTE DA ARGENTINA ADMITE QUE ESTÁ FICANDO SOZINHO Havana, 11 de maio (RHC).- O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, admitiu que está ficando sozinho, abandonado por aliados no Parlamento e sindicalistas do governamental peronismo, que acabam de conclamar a uma greve. Porém, disse confiar na rápida ajuda do FMI-Fundo Monetário Internacional. Um setor da Confederação Geral do Trabalho da Argentina confirmou o chamamento a greve geral na terça-feira, contra a política econômica de submissão ao FMI e às pressões exercidas pelos EUA. Em Foco: *CEPAL AFIRMA QUE FMI TEM VISÃO DISTORCIDA DA CRISE NA ARGENTINA Nos alegres anos 50, o planeta acordava dos horrores da Segunda Guerra Mundial, havia esperanças e otimismo em que a responsabilidade internacional evitaria novos traumas dessa magnitude, as economias nacionais se fortaleciam sob o amparo dos governos, e o grupo de países da América Latina abocanhava 12 % do comércio mundial. Com os anos 60, a situação começou a mudar. Por um lado, o Vietnã demonstrou como eram vãs as ilusões de uma geração de paz, e pelo outro, as potências começaram a pressionar para que os governos mudassem suas políticas de substituição de importações, ou seja, dava início a época da abertura econômica. Tímido nos primeiros anos, esse movimento chegou ao cume empurrado por Milton Friedman e seus "Chicago Boys," fundadores do neoliberalismo, que impunha a eliminação do Estado como regulador das relações comerciais, a privatização das empresas públicas e o império das leis de mercado, como juízes supremos entre sociedades e entre nações. A miragem do livre comércio levou vários governos da região a acreditarem em que era possível trocar legumes por eletrodomésticos, e nos anos 90 vendeu-se tudo o que podia ser oferecido, descentralizou-se, hipotecou-se e houve até quem, no cúmulo do entusiasmo, proclamou-se membro do clube dos ricos e cidadão do Primeiro Mundo. Contudo, rapidamente o verdadeiro rosto do neoliberalismo mostrou sua feia realidade. Um exército de desempregados começou a perambular pelas ruas das cidades lotadas, sobre cuja superfície se alastraram as manchas da pobreza: as favelas. Crianças se lançaram a pedir esmola ou vender balas nos cruzamentos, para só descansar à noite nas calçadas, adormecendo com suas esperanças frustradas. Apenas um segmento muito pequeno da sociedade beneficiou-se com os duvidosos frutos do neoliberalismo, e naturalmente apressou-se em colocar seus capitais à salvo em bancos e instituições estrangeiras, que imediatamente abriram suas portas dando-lhe as boas-vindas. Para os demais latino-americanos, sobrou a pobreza, que atinge, hoje, quase a metade dos habitantes da região, o desemprego, as doenças, a falta de oportunidades e uma segunda exclusão do paraíso, ou seja, do mercado internacional. Cinqüenta anos depois, a participação regional no comércio mundial é de apenas 4 %. Além disso, dos 20 produtos que exporta, nove são agrícolas ou minérios, com preços semelhantes aos de 1920. Só dois ítens fazem parte do setor mais dinâmico do mercado internacional: as confecções téxteis e as bebidas não alcoólicas. Cabe destacar que as peças de vestuário representam a fatia maior do trabalho das maquiadoras, sobretudo as de capital procedente do sudeste asiático, e as bebidas são fabricadas em filiais de transnacionais, cuja casa matriz está nos EUA. Portanto, os povos da América Latina entraram no terceiro milênio quase nas mesmas condições que faz cem anos atrás, com apenas algumas mudanças ao redor. Hoje são fartos o ferro, o cimento e o asfalto, mas faltam os bosques, lagos e rios, e sequer pode se dizer que são ricos em ilusões e esperanças, porque entre tanta crise, ajustes estruturais, efeitos "tequila" e "tango," não sobra nem isso. Só resta a coragem para resistir, dada pela fome e a necessidade de lutar para conquistar um pedacinho de futuro com lugar para seus filhos. Quinhentos anos de história não fazem outra coisa senão empurrar para a frente, que é, após tanto recuo, a única opção disponível. (c) 2002 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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