Radio Havana Cuba-13 de fevereiro 2002 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 13 de fevereiro 2002 . *ENCONTRO DE ECONOMISTAS EM CUBA ANALISA DOLARIZAÇÃO NA ARGENTINA *LEGISLADORA ARGENTINA PEDE POSIÇÃO DIGNA DE SEU PAÍS EM RELAÇÃO A CUBA NA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA ONU *ENTRAM EM VIGOR NOVAS MEDIDAS ECONÔMICAS NA VENEZUELA *MAIS DE 150 MIL PESSOAS VISITARAM FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE HAVANA *ISRAEL MATA QUATRO PALESTINOS NA FAIXA DE GAZA *SEMINÁRIO SOBRE EDUCAÇÃO ENTRE PROFESSORES CUBANOS E NORTE-AMERICANOS *MORRE DIRIGENTE DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS *ARGENTINA PRECISA DE 23 BILHÕES DE DÓLARES PARA COMEÇAR A RECONSTRUÇÃO DE SUA ECONOMIA *SECRETÁRIO-GERAL DA CHANCELARIA ARGELINA VISITA CUBA *Comentario: CONFERÊNCIA MUNDIAL DE FINANCIAMENTO AO DESENVOLVIMENTO . *ENCONTRO DE ECONOMISTAS EM CUBA ANALISA DOLARIZAÇÃO NA ARGENTINA Havana, 13 fevereiro (RHC)--Charles Collins, assessor principal no departamento do hemisfério ocidental do Fundo Monetário Internacional, admitiu em Havana que essa instituição financeira não previu a crise na Argentina nem percebeu os sinais. Por esse descuido choveram as críticas sobre o FMI, disse o funcionário ao fazer uso da palavra no 4º Encontro Internacional de Economistas sobre Globalização e Problemas do Desenvolvimento, que decorre em Havana. Por sua vez, Juan Francisco Rojas, secretário executivo da Associação Latino-Americana de Integração, ao referir-se à ALCA -Área de Livre Comércio das Américas- advertiu que se deve estudar detidamente o custo e os benefícios do projeto, que não é outra coisa senão um novo modelo de subordinação aos EUA. Os oradores, em geral, coincidem em que o caráter neoliberal da globalização aumentou a pobreza e a marginalização da maioria dos países do Terceiro Mundo. A dolarização na Argentina foi um dos temas analisados ao longo do dia pelos mais de mil delegados de 40 países que prestigiam o encontro. Na véspera, o presidente Fidel Castro assistiu aos debates. *LEGISLADORA ARGENTINA PEDE POSIÇÃO DIGNA DE SEU PAÍS EM RELAÇÃO A CUBA NA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA ONU Havana, 13 fevereiro (RHC).-Juliana Mariño, legisladora argentina pela cidade de Buenos Aires, pediu ao governo de seu país que assuma posição digna e independente frente às pressões dos EUA em relação a Cuba na próxima sessão da Comissão da ONU para os Direitos Humanos, em Genebra. Em nota publicada no jornal Página 12, a deputada advoga por evitar o pior das ingratidões com o povo cubano, ao criticar recentes declarações da chancelaria argentina adiantando novo voto contra a Ilha, em Genebra. Na nota divulgada pelo jornal, editado em Buenos Aires, a legisladora conclui que um voto contra Cuba em Genebra é um voto contra a Argentina. Terça-feira, o deputado argentino Francisco Gutiérrez encaminhou ao órgão legislativo projeto de resolução para repudiar recentes declarações anticubanas do chanceler desse país, Carlos Ruchauf. O projeto denuncia que essa postura assumida perante o secretário de Estado norte-americano Colin Powell é uma subordinação da política externa da Argentina às pressões de Washington. *ENTRAM EM VIGOR NOVAS MEDIDAS ECONÔMICAS NA VENEZUELA Havana, 13 fevereiro (RHC)--O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou a entrada em vigor, a partir desta quarta-feira, de medidas fiscais, econômicas e cambiais para resguardar a economia das dificuldades provocadas pela queda do preço do petróleo e a recessão mundial. O pacote compreende sistema de flutuação da moeda que elimina as faixas que controlavam até agora o câmbio, a redução de 7% do gasto administrativo do estado e a utilização de parte das utilidades operativas do Banco Central para pagar a dívida externa. O presidente da Venezuela anunciou igualmente a redução dos programas de investimento, sem tocar nos da saúde e educação. Ao adotar estas medidas- explicou Chávez- o governo venezuelano se adianta ao aprofundamento da crise internacional, já afetada pela recessão e a situação na Argentina. *MAIS DE 150 MIL PESSOAS VISITARAM FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE HAVANA Havana, 13 fevereiro (RHC)--Mais de 150 mil pessoas assistiram à 11ª Feira Internacional do Livro de Havana e se adquiriram cerca de 335 mil exemplares. Edel Morales, vice-presidente do Instituto Cubano do Livro, confirmou a participação entusiástica dos capitalinos e das editoras nacionais no lançamento de livros. Na véspera, se realizou mesa-redonda sobre a década de 60, o pensamento social francês e a Revolução Cubana, e o lançamento do livro "Discurso Escritural Caribenho," de Emílio Jorge Rodriguez. A edição deste ano da Feira tributa homenagem à França, convidada de honra, e ao escritor cubano Miguel Barnet. *ISRAEL MATA QUATRO PALESTINOS NA FAIXA DE GAZA Havana, 13 fevereiro (RHC)--Soldados israelenses mataram quatro palestinos ao entrarem, de madrugada, em três localidades da Faixa de Gaza, uma das quais, Beit Janun foi totalmente reocupada. As forças israelenses estabeleceram o toque de recolher e invadiram as casas após bloquearem todos os acessos à cidade com tanques. Os tanques israelenses bombardearam um escritório da Frente Popular para a Libertação da Palestina, os soldados ocuparam posto da segurança pública e, segundo testemunhas, prenderam pelo menos dez palestinos. *SEMINÁRIO SOBRE EDUCAÇÃO ENTRE PROFESSORES CUBANOS E NORTE-AMERICANOS Havana, 13 fevereiro (RHC)--O 9º seminário científico sobre a qualidade da educação, uma troca de idéias entre professores de Cuba e dos Estados Unidos, continuou nesta quarta-feira, na província cubana de Matanzas, com a participação de 50 educadores de cada lado. Na abertura do encontro, acontecida na véspera, falaram a doutora Lídia Turner, presidente da Associação de Pedagogos de Cuba, e a doutora Sherryl Luhens, da Universidade de Arizona, coordenadora do grupo norte-americano. *MORRE DIRIGENTE DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS Havana, 13 fevereiro (RHC)--Carlos Aboim Inglez, dirigente do Partido Comunista Português, morreu em Lisboa aos 72 anos, informaram fontes do Comitê Central dessa organização política. Aboim Inglez, entrou na luta política aos 16 anos integrando-se às fileiras do Partido Comunista Português, onde se destacou como membro da Comissão Central de Controle e da Seção Internacional desde 1990. O dirigente comunista esteve dez anos preso durante a ditadura fascista portuguesa. *ARGENTINA PRECISA DE 23 BILHÕES DE DÓLARES PARA COMEÇAR A RECONSTRUÇÃO DE SUA ECONOMIA Havana, 13 fevereiro (RHC)--A Argentina precisará de ajuda financeira internacional de 23 bilhões de dólares para começar a reconstruir sua economia, disse o vice-ministro do ramo Jorge Toscana. Falando para a emissora radiofônica de Buenos Aires "El Mundo," comentou que as recém-iniciadas negociações, em Washington, entre o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, e instituições financeiras internacionais poderiam durar de 30 a 45 dias. Remes Lenicov começa, nesta quarta-feira, segunda jornada de contatos com autoridades financeiras em busca de apoio. Na véspera, os protestos com panelas, manifestações e obstrução de estradas tomaram conta de novo das províncias de Buenos Aires, Córdoba e El Chaco, onde desempregados, poupadores, pequenos e médios empresários reclamaram emprego, pagamento de salários atrasados, aposentadorias e a entrega de suas reservas bancárias. Para o jornal britânico Finanshial Times, a suposta estabilidade do peso argentino significa em outros termos que o sistema financeiro do país não tem liquidez nenhuma. *SECRETÁRIO-GERAL DA CHANCELARIA ARGELINA VISITA CUBA Havana, 13 fevereiro (RHC)--O secretário-geral do ministério das Relações Exteriores da Argélia, Abdelaziz Djerrad, chegou na véspera a Havana de visita de trabalho. Ao desembarcar, destacou as excelentes relações de cooperação entre os dois países, principalmente no campo da saúde pública e na comercialização de medicamentos. Na capital cubana, será recebido pelo ministro interino de assuntos exteriores, Fernando Remirez de Estenoz, e pelo ministro do Comércio Exterior, Raúl de la Núez. *Comentario: CONFERÊNCIA MUNDIAL DE FINANCIAMENTO AO DESENVOLVIMENTO A cooperação para o desenvolvimento do mundo pobre, isto é, para a maior parte do mundo, foi tema de debates durante muito tempo com o lógico enfoque duplo dos que mais têm e o dos que nada possuem. O assunto vem à tona porque a partir de 18 de março, na cidade mexicana de Monterrey, se realizará a Conferência Mundial de Financiamento ao Desenvolvimento, um encontro que, em termos práticos, nasce morto devido à posição dos Estados Unidos a respeito. As autoridades de Washington sustentam, por boca de seu embaixador nas Nações Unidas, o tristemente célebre John Dimitri Negroponte, que a questão do desenvolvimento é um assunto de investimento interno de países pobres e tem a ver mais como o aumento da produtividade do que com a assistência financeira externa, portanto, não estão dispostos a discutir o aumento das verbas que ora destinam a esse fim. Com mentalidade típica de corsário, os Estados Unidos tentam ignorar o âmago da questão: o desenvolvimento do norte foi financiado com os recursos roubados ao sul e a pobreza não existe por determinismos genéticos, sociais ou geográficos, e sim devido a uma ordem econômica mundial injusta, baseada no despojo, na competição desleal e no depósito de lixo do mercado internacional, onde se continua trocando ouro por bujigangas. Ao ser apresentado em Havana, no marco do Encontro Internacional de Economistas, o projeto que se levará à Monterrey, percebeu-se logo que havia omissões em questões concretas. A principal carência do denominado Consenso de Monterrey é justamente a falta de temas fundamentais para eliminar os problemas nas nações mais pobres, devido, principalmente, a que os interesses dos mais ricos nada têm a ver com as necessidades dos países pobres. Como encontrar, em meio de tanta diferença de interesses e aspirações, o caminho para transformar a cooperação em motor do desenvolvimento? Estarão os países industrializados dispostos a eliminar as estruturas injustas do comércio mundial, fonte das crescentes diferenças entre norte e sul? Temas como a dívida externa, o comércio justo e a proteção dos recursos nacionais não estão incluídos na pauta de Monterrey, nem o nefasto impacto da globalização neoliberal. Neste aspecto, temos como exemplo atual a Argentina. Enquanto continue se pensando que a assistência para o desenvolvimento é uma dádiva do mundo rico para atenuar os efeitos da pobreza, enquanto os recursos só apareçam no caso de catástrofe extrema e sejam distribuídos como curativo, as graves deformações do planeta seguirão se aprofundando e a curto prazo todos, tantos os ricos quanto os pobres, teremos sérias dificuldades para sobreviver. Portanto, não se trata de caridade, nem sequer de um questão de justiça. É muito mais grave. Se não se começar a fechar o fosso crescente entre ricos e pobres, simplesmente o planeta vai estourar, e os que consigam sobreviver terão de achar outra maneira de distribuir os escombros para não repetir a triste história. (c) 2002 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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