Radio Havana Cuba-08 de fevereiro 2002 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 08 de fevereiro 2002 . *FIDEL CASTRO SUGERE USAR IDÉIAS AO INVÉS DE CANHÕES *CUBA É A REPÚBLICA MAIS INDEPENDENTE DO MUNDO: FIDEL CASTRO *POLICÍA ARGENTINA ATACA MANIFESTANTES *FRANÇA EXIGE AOS EUA QUE ABANDONEM SUA POLÍTICA UNILATERALISTA *DELEGAÇÃO DE LEGISLADORES MEXICANOS EM HAVANA *EDITORA MEXICANA DOA LIVROS A ESTUDANTES E PROFESORES CUBANOS *RICARDO ALARCÓN SE AVISTA COM SENADORES FRANCESES *ACORDOS DE COLABORAÇÃO ENTRE EQUADOR E CUBA NO SETOR DO ESPORTE *MILITANTES PALESTINOS DETIDOS POR SOLDADOS ISRAELENSES *Comentario: FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE HAVANA . *FIDEL CASTRO SUGERE USAR IDÉIAS AO INVÉS DE CANHÕES Havana, 8 fevereiro (RHC)--"O mundo devia deixar para a pré-história o uso dos canhões e substituí-los pelo uso das idéias, como vem fazendo o povo cubano, hoje em dia, em sua batalha de idéias," afirmou o presidente Fidel Castro ao inaugurar, na quinta-feira, no Forte San Carlos de la Cabaña, em Havana, a 11ª Feira Internacional do Livro, que congrega 120 expositores de 24 países. A Feira do Livro, neste ano, é dedicada à França. Ao referir-se à homenagem, o líder cubano comentou que tinha sido uma escolha justa porque essa nação européia jogou importante papel no desenvolvimento da literatura cubana e no pensamento político e cultural, não só da Ilha, mas também de toda a América Latina. Fidel Castro afirmou que, nesta ocasião, a Feira se apresentará em cidades importantes do resto das provincias para que todos possam se beneficiar, e se referiu à recuperaçao da impressão de livros no país. O presidente cubano explicou o esforço feito para criar determinadas condições em cada provincia para que os escritores e autores possam imprimir suas obras. Nesta Feira - frisou- há mais de 400 títulos confeccionados por essa vía, com modestos recursos. "Estamos, também, desenvolvendo a idéia das bibliotecas populares," disse Fidel, e assinalou que está sendo testado seu comportamento. O propósito principal é que o livro esteja ao alcance dos cidadãos, bem pertinho de suas casas. A 11ª Feira Internacional do Livro, dedicada igualmente ao escritor cubano Miguel Barnet, se apresentará, neste ano, até o dia 11 de março em 18 importantes cidades do país colocando a disposiçao do público cinco milhões de exemplares. Jamais na história da industria editorial e literatura cubanas, e poucas vezes no resto do mundo, organizou-se uma feira de proporções semelhantes," sustenta a imprensa cubana. *CUBA É A REPÚBLICA MAIS INDEPENDENTE DO MUNDO: FIDEL CASTRO Havana, 8 de fevereiro (RHC)--O presidente Fidel Castro afirmou que Cuba é uma república revolucionária e, sem discussão, a mais independente entre todos os países do mundo. Falando para a imprensa após inaugurar, em Havana, a Feira Internacional do Livro, o primeiro mandatário cubano falou sobre diferentes temas de atualidade nacional e internacional, desde a recente visita do presidente mexicano, Vicente Fox, até a política agressiva dos EUA contra Cuba. O líder cubano disse não se surpreender com as declarações do Depto. de Estado norte-americano, feitas nesta semana, conferindo o prosseguimento do bloqueio contra seu país. "Isso não é novo, levam dizendo a mesma coisa faz 43 anos. Não é outra coisa senão uma repetição," comentou. Em relação às compras feitas por Cuba nos Estados Unidos depois do furacão de novembro passado, Fidel disse que compra similar no ano que vem dependeria da existência de financiamento e de outros aspectos que limitam o comércio, levando em conta que, para cada operação, precisa-se de autorização do Departamento de Tesouro norte-americano. O presidente cubano frisou que o bloqueio limita a capacidade cubana de adquirir alimentos nos EUA, seu fim significaria a possibilidade de importar desse mercado mais de 50% dos produtos comprados no exterior. Em outra parte da entrevista à imprensa credenciada na Feira do Livro de Havana, o Chefe de Estado cubano comentou que ficou muito satisfeito com a recente visita do presidente mexicano. Disse que foi altamente satisfatória a declaração de Vicente Fox no sentido de que não apoiaria nem participaria de nenhuma conspiração contra Cuba na Comissão da ONU para os Direitos Humanos, em Genebra. Quanto à relação de Cuba com a República Mexicana, Fidel sublinhou que lhe interessam mais os vínculos com a Revolução desse país, levando em conta que foi a primeira gestal social que promoveu a educação, a cultura e o desenvolvimento no país latino-americano, impossíveis de conquistar sem esse acontecimento de princípios do século passado. A uma pergunta sobre Cuba e a globalização, respondeu que o país participa do processo com a educação e a saúde, sem roubar de ninguém, e sim dividindo o que se tem. Na abordagem da dengue em Cuba, Fidel Castro admitiu que ainda não foi controlada totalmente, mas todo o povo está mergulhado na campanha contra o mosquito que transmite esse mal. Disse estar preocupado pela propagação da epidemia em muitos países da América Latina. E se perguntou como vão resolver esse problema, se nem sequer têm a 10ª parte da capacidade organizativa e de mobilização que tem Cuba para combatê-la. *POLICÍA ARGENTINA ATACA MANIFESTANTES Havana, 8 fevereiro (RHC)--A policía de Paraná, capital da provincia argentina de Entre Rios, dispersou com gases lacrimogêneos e balas de borracha manifestação de trabalhadores, estudantes, desempregados, profesores e pequenos e médios empresários que protestavam contra o pagamento de salários em cupões. Igualmente houve protestos contra as restrições financeiras e falta de medicamentos em Buenos Aires, La Plata, Salta, Rosario e Casilda. Outras noticias informam que comissão da Câmara de Deputados declarou admissível o julgamento político dos membros da Suprema Corte e abriu inquérito que pode levar a deposição dos magistrados por morosidade em investigações, ou libertação de funcionários corruptos. *FRANÇA EXIGE AOS EUA QUE ABANDONEM SUA POLÍTICA UNILATERALISTA Havana, 8 fevereiro (RHC)--O primeiro-ministro francês Lionel Jospin exortou os Estados Unidos a abandonarem o unilateralismo e a retornarem à política multilateral em prol de um mundo mais equilibrado, justo e seguro. Ao falar, em Paris, perante delegados de uma conferência do Parlamento Europeu sobre lavagem de dinheiro, Jospin disse que os novos equilibrios que busca seu país, o resto do continente e outras nações do mundo, serão mais difíceis de atingir sem a participação dos Estados Unidos. Estado algum - frisou - pode resolver por si os graves problemas existentes no planeta. Nesse sentido, falou nas negociações sobre armas, acordos sobre Meio Ambiente e aprovação de regras gerais para que a globalização beneficie todos. Lionel Jospin deixou claro que todos os problemas não podem ser reducidos à luta contra o terrorismo, nem contar só com o caminho da guerra para resolvê-los. *DELEGAÇÃO DE LEGISLADORES MEXICANOS EM HAVANA Havana, 8 fevereiro (RHC)--O presidente do Parlamento cubano Ricardo Alarcón e o secretário executivo do Conselho de Ministros, Carlos Lage, receberam nesta sexta-feira, em Havana, delegação de legisladores do estado mexicano de Hidalgo. O chefe da missão mexicana, Manuel Angel Núñez, governador de Hidalgo, declarou que a visita permitirá potenciar os programas de cooperação, e agradeceu a possibilidade de jovens de seu estado estudarem na Escola Latino-Americana de Ciências Médicas. A delegação mexicana é integrada, também, por empresários e funcionários dos setores da saúde, educação, cultura e artes. *EDITORA MEXICANA DOA LIVROS A ESTUDANTES E PROFESORES CUBANOS Havana, 8 fevereiro (RHC)--A editora Fundo de Cultura Economica do México acaba de doar coleções de livros a centros especializados cubanos para que sejam utilizados por estudantes e professores. A doação foi recebida no Capitolio de Havana por cientistas e profissionais dos setores da educação e cultura. *RICARDO ALARCÓN SE AVISTA COM SENADORES FRANCESES Havana, 8 fevereiro (RHC)--O presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular de Cuba, Ricardo Alarcón, recebeu em Havana legisladores que integram, no senado francês, o grupo de Amizade ao Caribe. Os visitantes assistem à Feira Internacional do Livro, onde tem estande sobre França e o Caribe. Os senadores anunciaram que vão doar uma parte dos livros trazidos ao parlamento cubano e à Aliança Francesa, radicada nesta capital. *ACORDOS DE COLABORAÇÃO ENTRE EQUADOR E CUBA NO SETOR DO ESPORTE Havana, 8 fevereiro (RHC)--Juan Cordero Iñiguez, ministro da Educação, Cultura, Esportes e Recreação do Equador, se avistou nesta sexta-feira com Luis Ignacio Gómez, ministro cubano de Educação. Cordero Iñiguez assinará, no sábado, vários acordos de colaboração entre a entidade equatoriana e o Instituto Nacional de Esportes, Educação Física e Recreação da Ilha, e será informado como se formam os atletas cubanos. *MILITANTES PALESTINOS DETIDOS POR SOLDADOS ISRAELENSES Havana, 8 fevereiro (RHC)--O exército israelense prendeu vários militantes palestinos durante incursão na cidade cisjordaniana de Nablus. Em declarações publicadas pelo jornal West France, editado em Paris, o chanceler francês, Hubert Verdín, afirmou que a política israelense de deslegitimar a Autoridade Nacional Palestina,leva a um ponto morto, até porque não haverá solução sem um Estado palestino. Por sua vez, Yasser Arafat disse que o premier Ariel Sharon era um ditador. "Não sei quem virá depois de Sharon, mas eu continuarei negociando a paz também com o próximo governo de Israel, explicou o líder palestino em referência irônica ao fato de o atual chefe do gabinete sionista estar procurando abertamente um sucessor na liderança da Autoridade Nacional Palestina. *Comentario: FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE HAVANA Passou-se muito tempo desde que Gutemberg inventou a imprensa libertando o livro dos enclaves criados por ordens religiosas europeias, que guardavam a sete chaves o conhecimento, o saber e a cultura. Porém, em pleno século XXI, o fantasma de Jorge Burgos, criação literária de Humberto Eco em seu livro O Nome da Rosa, ainda percorre o planeta tratando de evitar que o conhecimento chegue aos cantos mais profundos da sociedade. Hoje em dia, não se precisa de labirintos repletos de ciladas mortais para fechar o acesso ao livro, e seu mais sagrado templo, a biblioteca. Há dois poderosos aliados que fazem seu trabalho: a pobreza, criada pela distribuição injusta dos bens, e a ignorância em que vivem milhões de pessoas submetidas a um analfabetismo medieval. Para vastos segmentos de pessoas em nosso continente, e no mundo, o livro continua sendo algo tão distante como se vivessem no século XV. Por isso, a 11ª edição da Feira Internacional do Livro de Havana é um acontecimento verdadeiramente extraordinário e excepcional como o qualificara Fidel Castro na inaguração do evento, quinta-feira à noite. É verdadeiramente extraordinário que um país bloqueado, submetido a grandes pressões econômicas derivadas dos rigores de um mercado internacional injusto e castigado, por cima disso, por fenômenos naturais como o furacão de novembro passado, faça um esforço tão grande para que 124 editoras de 24 paises, e mais de 66 editoras cubanas marquem encontro a fim de mostrar o melhor da produção literária contemporânea. É excepcional que um país de pouco mais de onze milhões de habitantes se permita colocar à venda cinco milhões de exemplares de livros, o que dá uma média impresionante de quase um volume para cada duas pessoas em Cuba, média praticamente inigualável em outros lugares do mundo. E como se não bastasse, este ano o evento é um acontecimento nacional. Ao finalizar em Havana, no dia 17 de fevereiro, a feira muda-se para outras 18 cidades e vira verdadeira Feira Cubana do Livro, o país todo mergulhado na festa do espirito. Tudo isto é possivel graças à existência de um sistema de educação e de cultura geral que fazem do conhecimento alguma coisa mais do que um direito do homem, e o elevam a categoría de autêntica necessidade. Se você, algum dia, tiver a oportunidade de entrar na casa de uma familia cubana, verá logo estantes de livros, grandes ou pequenas, onde os volumes alinhados estão gastados pela leitura e releitura. Em Cuba, desde janeiro de 1959, o fantasma de Jorge de Burgos e seu esforço por sequestrar o conhecimento está totalmente desterrado. Parafraseando o pensamento de Jose Marti, que é, ao mesmo tempo, o lema da 11ª da Feira Internacional do Livro de Havana, Revolução também é ler. (c) 2002 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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