Radio Havana Cuba-06 de fevereiro 2002 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 06 de fevereiro 2002 . *FÓRUM SOCIAL MUNDIAL DE PORTO ALEGRE AFIRMA-SE COMO MAIOR EVENTO CONTRA GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL *ORÇAMENTO DO GOVERNO ARGENTINO SE AJUSTA ÀS EXIGÊNCIAS DO FMI *MAL-ESTAR NA RÚSSIA PELA DECISÃO DO CREMLIN DE RETIRAR-SE DO CENTRO DE LOURDES E DA BASE DE CAM RAM *CAMPANHAS DE VACINAÇÃO EM CUBA: PRIORIDADE DO MINISTÉRIO DA SAÚDE *FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE HAVANA DEDICADO À FRANÇA *JOVENS LATINO-AMERICANOS DEVEM SE UNIR CONTRA POLÍTICA NEOLIBERAL *PROTESTOS NA BOLÍVIA E EQUADOR *CRITICAM ELEVADO ORÇAMENTO MILITAR DOS EUA *YASSER ARAFAT PEDE AJUDA EFICAZ PARA ACABAR COM CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO Comentario: *ORÇAMENTO MILITAR DOS EUA SOBE ÀS NUVENS *CEM ANOS DE HISTÓRIA CONTEMPLARAM A VISITA DO PRESIDENTE DO MÉXICO A CUBA *POBREZA, DESEMPREGO E DESIGUALDADE, MALES DE NOSSA AMÉRICA . *FÓRUM SOCIAL MUNDIAL DE PORTO ALEGRE AFIRMA-SE COMO MAIOR EVENTO CONTRA GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL Havana, 6 fevereiro (RHC)--O organizador do 2º Fórum Social Mundial de Porto Alegre, Cândido Grzybovski, informou que o número de assistentes ao Fórum, neste ano, se triplicou em relação ao 2001 e o encontro se consolidou como o maior evento antiglobalização neoliberal dos movimentos sociais, em oposição ao Fórum Econômico de Davos, realizado em dias recentes em Nova York. Sessenta mil pessoas de 150 países prestigiaram, neste ano, o Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Ratificado como movimento de solidariedade global, o Fórum fializou com clara mensagem contra o neoliberalismo, a ALCA, o militarismo e a guerra, se pronunciou pela paz e a justiça social. Os delegados também condenaram o terrorismo e todas as suas manifestações, assim como a maneira em que os Estados Unidos decidiram combatê-lo. *ORÇAMENTO DO GOVERNO ARGENTINO SE AJUSTA ÀS EXIGÊNCIAS DO FMI Havana, 6 fevereiro (RHC)--O governo argentino encaminhou ao Congresso projeto de orçamento nacional ajustado às condições fixadas pelo Fundo Monetário Internacional, com o propósito de receber ajuda da instituição. O presidente Eduardo Duhalde, por sua vez, fixou as eleições presidenciais para o segundo domingo de setembro do ano 2003 e disse que seu governo fará profunda reforma eleitoral. Entrementes, o feriado cambial, e parcialmente o bancário continuam nesta quarta e também na quinta-feira, por decisão do governo, que tenta estabelecer maiores controles e restrições à venda de dólares para impedir que o preço dessa moeda se dispare quando abrirem os mercados com a flutuação livre do peso. *MAL-ESTAR NA RÚSSIA PELA DECISÃO DO CREMLIN DE RETIRAR-SE DO CENTRO DE LOURDES E DA BASE DE CAM RAM Havana, 6 fevereiro (RHC)--A imprensa russa estampa o descontentamento existente nas forças armadas e nos órgãos de segurança pela decisão do Cremlin de abandonar o centro radioeletrônico de Lourdes, em Cuba, e a base militar de Cam Ram, alugada ao Vietnã. Em geral, os jornais russos comentam que se trata de um grande erro e de presentes estratégicos feitos pelo presidente Vladimir Putin aos Estados Unidos, em novembro passado, quando se reuniu com seu colega George Bush. "A Rússia entregou em bandeja de prata boa parte de sua capacidade estratégica e de informação aos Estados Unidos, ao decidir sua saída de Lourdes e Cam Ram," sustenta o jornal Nezavizimaya Gazeta. O assunto foi trazido à tona ao anunciarem altos oficiais norte-americanos o interesse do Pentágono em recuperar Cam Ram, base que já tinha sido utilizada pelos Estados Unidos durante sua agressão ao Vietnã. *CAMPANHAS DE VACINAÇÃO EM CUBA: PRIORIDADE DO MINISTÉRIO DA SAÚDE Havana, 6 fevereiro (RHC)--No mes de fevereiro, todas as crianças cubanas de 4 a 9 anos serão vacinadas contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, em campanha que começa na província de Villa Clara e continuará ao longo do país. A dose atual completa o esquema que se aplica durante o primeiro ano de vida e continua até os dois anos, período no qual os menores recebem 19 doses de diferentes vacinas que os protegem de 13 doenças. As campanhas de vacinação em Cuba constituem prioridade dentro das tarefas do ministério da Saúde Pública e contam com o apoio de todos os organismos do Estado, graças ao qual foi possível erradicar muitas enfermidades que matam milhões de crianças em outros lugares do mundo. *FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE HAVANA DEDICADO À FRANÇA Havana, 6 fevereiro (RHC)--A 11ª Feira Internacional do Livro de Havana, dedicada à cultura literária da França, abrirá suas portas na quinta-feira e se estenderá até o dia 17. A sede principal do evento será, como no ano passado, o Forte La Cabaña, mas outros recintos também poderão ser visitados pelo público, que terá a oportunidade de adquirir muitos livros franceses, entre eles 1 500 viabilizados pela France Edition. Mais de cem escritores, editores, promotores e artistas franceses já se encontram em Havana. Por sua vez, outros cem autores e editoras de 24 países mostrarão o melhor de suas obras na feira, que terá um mes de duração e estará presente em Cuba toda. *JOVENS LATINO-AMERICANOS DEVEM SE UNIR CONTRA POLÍTICA NEOLIBERAL Havana, 6 fevereiro (RHC)--O presidente da Federação de Estudantes Universitários de Cuba, Hassan Pérez, exortou os jovens latino-americanos a se unirem contra a política neoliberal que prolifera na região. Durante palestra, na 3ª Convenção Internacional de Educação Superior, Universidade 2002, que decorre em Havana, o dirigente estudantil afirmou que o centro da unidade pode ser a independência, ou a pátria latino-americana. Perante mais de mil delegados de 30 países, Hassan Pérez alertou para os perigos que envolve a globalização neoliberal e o fosso cada vez maior que separa países ricos e pobres. O dirigente universitário explicou o trabalho do governo cubano para garantir ao povo todo o acesso gratuíto ao ensino em todos os níveis, incluso o superior, e detalhou os mais de 70 programas educacionais e sociais aplicados em Cuba. *PROTESTOS NA BOLÍVIA E EQUADOR Havana, 6 fevereiro (RHC)--Um camponês e um policial morreram na região boliviana de Chapare, onde os lavradores medem forças com os policiais pelo controle da estrada Cochabamba-Santa Cruz. Manifestantes obstrúem as estradas na Bolívia para protestar contra o fechamento do mercado de folhas de coca de Sacaba e pela devolução da imunidade parlamentar ao líder cocaleiro Evo Morales. O governo de La Paz afirma que está disposto a negociar com os cocaleiros, mas não com Morales. No Equador, o presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas, Leonidas Iza, avisou que a organização fará novos protestos se o governo não retificar sua política econômica e não desistir de privatizar o serviço de eletricidade. Líderes sindicais, camponeses, estudantis e de outros segmentos populares também reclamam do governo política econômica em benefício do povo. *CRITICAM ELEVADO ORÇAMENTO MILITAR DOS EUA Havana, 6 fevereiro (RHC)--"El País," o jornal de maior tiragem na Espanha, criticou o orçamento solicitado pelo presidente norte-americano George Bush, e sublinha que os enormes gastos militares incluídos no projeto são preocupantes, especialmente para a Europa. Em página editorial, "El País" denuncia essa enorme injeção de gastos militares, não conhecida desde a época do presidente Ronald Reagan, e sublinha que constitui um orçamento de guerra e uma maneira de subvencionar o complexo militar-industrial às custas das verbas sociais. *YASSER ARAFAT PEDE AJUDA EFICAZ PARA ACABAR COM CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO Havana, 6 fevereiro (RHC)--O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, pediu ajuda urgente e eficaz para acabar com o conflito no Oriente Médio, e advertiu que se não for assim, a comunidade internacional se verá afetada diretamente. Em entrevista ao jornal britânico Mirror, Arafat sublinhou que a paz no Oriente Médio é a plataforma para toda a paz no planeta, e manifestou disposição de terminar a guerra com Israel pelo futuro de seu povo e do mundo. Por sua vez, o premier israelense Ariel Sharon viajou a Washington, em sua 4ª visita aos Estados Unidos desde que está no poder, há um ano. Nesse ínterim, o presidente norte-americano George Bush não se avistou com o líder palestino. Comentario: *ORÇAMENTO MILITAR DOS EUA SOBE ÀS NUVENS A guerra fria jaz na memória dos que a sofreram na própria pele, e nos arquivos e museus históricos ( sem perder de vista que persistem vestígios, como a doentia obsessão de Washington por destruir a Revolução Cubana). O fim da bipolaridade ideológica embriagou muitos, até o ponto que não faltaram os que anunciaram o fim da história e a inevitável entrada no " paraíso" do capital. Sem um inimigo visível - o colapso do socialismo na Europa do Leste e a desagregação da União Soviética fizeram ruir a tendenciosamente chamada Cortina de Ferro - parecia que as armas tinham deixado de ser imprescindíveis para manter o adversário à distância. Porém, os falcões da guerra não se conformaram com perde sua casta, e a bolsa multimilionária, mesmo às custas da própria humanidade. Sobre essa corda caminha a projeção do governo dos Estados Unidos de elevar seu orçamento militar a limites estratosféricos. O presidente George Bush, iceberg do poderoso complexo militar industrial norte-americano, já pediu ao Congresso o maior aumento dos gastos de defesa nas últimas décadas. Com os 48 bilhões de dólares adicionais solicitados, o Pentágono terá à disposição mais de 379 bilhões de dólares no ano 2003. O pretexto para a subida do orçamento é perfeito: a cruzada contra o terrorismo, o novo inimigo, difuso e capaz de desfechar golpes em qualquer canto do planeta, o que assegura e justifica a pretensão de Washington de virar policial mundial. Nos próximos cinco anos, a administração Bush tenciona investir quantias estratosféricas de dinheiro em armamentos e outros equipamentos bélicos, a fim de preparar os militares para as guerras do futuro, nas quais a velocidade, o sigilo, as comunicações avançadas e as super-armas serão a chave do êxito. Por exemplo, o Pentágno vai agilizar o aperfeiçoamento de bombardeiros e aviões de espionagem a controle remoto, e reabastecerá seu arsenal de "bombas inteligentes," esgotado no dilúvio sobre o Afeganistão. É claro que após a destruição do Afeganistão e aniquilamento do regime talibã, os milhares de civis mortos e feridos são apenas "danos colaterais," serão necessários novos cenários para matar. O Sherife Global já descobriu um novo "eixo do mal," formado, desta feita, pelo Irã, Iraque e Coréia do Norte, países que supostamente tentam se dotar de armas de extermínio em massas para atacar os Estados Unidos. Não é casualidade que nas páginas iniciais do documento orçamentário deste ano apareçam as fotografias das torres gêmeas, os bombeiros em ação e os fuzileiros navais içando a bandeira norte-americana no Afeganistão. *CEM ANOS DE HISTÓRIA CONTEMPLARAM A VISITA DO PRESIDENTE DO MÉXICO A CUBA Um século de história contemplou a visita de 24 horas que realizou o presidente do México, Vicente Fox, a terras cubanas atendendo convite do mandatário Fidel Castro. Durante esse longo período de relações diplomáticas entre ambos os países houve numerosos momentos luminosos e breves instantes de distanciamento, mas sempre prevaleceu, acima de tudo, o sentimento de irmanamento, fraternidade, carinho familiar. É indiscutível que o México é o país que permaneceu mais tempo próximo de Cuba, e conquistou a pulso o carinho dos moradores da Ilha, não só pelo corajoso ato de desafiar os Estados Unidos, seu poderoso vizinho do norte, e manter abertos os vínculos quando se pretendia expulsar Havana do continente todo. A verdade é que a proximidade entre os dois povos tem raízes históricas que avançam até os primeiros anos da colônia, enriquecida de numerosos vínculos culturais importantes e tradição. Por isso, doía mais o discreto distanciamento que se percebia nos últimos oito anos e por isso, também, a alegria do reencontro, encabeçado pelo primeiro mandatário Fox. O presidente mexicano declarou, ao concluir a visita, que se tinha aberto novo capítulo nas relações entre o México e Cuba. Temos certeza de que esta visita é um passo que se deve mais ao carinho natural que existe entre os dois países do que ao frio pragmatismo das relações internacionais. E, a partir da mesma, serão fortalecidos todos os aspectos dos vínculos, entre eles os econômicos, da maior importância para ambos, mas também os culturais, acadêmicos e esportivos. A sociedade cubana aprecia mais por isso as declarações do governante mexicano contra o injusto bloqueio comercial, econômico e financeiro imposto há mais de 40 anos pelos Estados Unidos a Cuba. Com a dolorosa história da perda de quase a metade de seu território para os Estados Unidos, e as tempestuosas relações diárias ao longo de milhares de quilômetros de fronteira comum, os mexicanos compreendem perfeitamente os desígnios da Casa Branca, assim como a roupagem prepotente e arrogante de suas relações com a América Latina. Por isso, temos certeza de que é do agrado, também, de cada mexicano este novo impulso às relações entre os dois povos que nunca estiveram distanciados, porque seu carinho rompe formalidades, os rituais do compromisso, porque em cada coração que bate nos dois países circula sangue da mesma espécie, e não tem importância que no México se brinda com mezcal e em Cuba com o rum banhado pelo sol caribenho. O objetivo é o mesmo: beber pela saúde dos dois povos que encontraram novas razões para continuarem se gostando. *POBREZA, DESEMPREGO E DESIGUALDADE, MALES DE NOSSA AMÉRICA O torvelinho social que estremece a Argentina preocupa muitos governos de Nossa América. Temem o contágio. A preocupação não carece de fundamento, sobretudo se levarmos em conta que a pobreza, o desemprego e a desigualdade encontram terreno fértil em muitos países da região. Os mais de 225 milhões de pobres que ora sobrevivem por puro milagre na América Latina são a pavorosa colheita desse fértil regime de injustiça. Quase duas décadas de neoliberalismo, imposto sem contar com a opinião do povo, com su servidão à privatização, à tirania total do mercado, a negação da política social, o círculo vicioso da dívida externa e outros dogmas que desmascaram sua filosofia de salve-se quem possa constituem, hoje em dia, uma sensível bomba-relógio próclive a estourar com qualquer detonante. Os protestos contínuos na Bolívia e no Equador reclamando mudanças na política econômica, manifestações que despontam no Uruguai, são avisos claros de que a paciência dos desterrados da terra já não suporta tanta dor. Essa percepção, contudo, contrasta com a do secretário executivo da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe, José Antonio Ocampo, cuja opinião é que a tragédia argentina não provocará reação em cadeia em outros países. Não há sinais de que possa suceder no terreno econômico, nem em termos de mobilizações sociais, afirma ele. Não obstante, Ocampo prognosticou que o panorama econômico deste ano será muito parecido com o do ano passado porque os fluxos financeiros para a região continuarão sendo fracos. A recessão que, no 2001, deixou abaixo de 1% o crescimento médio da América Latina continuará sua marcação. Isto quer dizer que a probabilidade de novas convulsões sociais é bem elevada. (c) 2002 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. Todos os direitos reservados. ================================================================= NY Transfer News Collective * A Service of Blythe Systems Since 1985 - Information for the Rest of Us 339 Lafayette St., New York, NY 10012 http://www.blythe.org e-mail: nyt@blythe.org ================================================================= rhc-por-18287 2002-Feb-07 05:04:00