Radio Havana Cuba-24 de abril 2002 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 24 de abril 2002 . *FIDEL CASTRO CONSIDERA POUCO SÉRIA RESPOSTA DO MÉXICO À SUA DECLARAÇÃO POLÍTICA *DIRIGENTES POLÍTICOS LATINO-AMERICANOS CRITICAM POSIÇÃO DO GOVERNO MEXICANO EM RELAÇÃO A CUBA *PIORA CRISE NA ARGENTINA PELA RENÚNCIA DO MINISTRO DA ECONOMIA *REMESSA DE VACINAS CUBANAS AO URUGUAI CONTINUA APESAR DE MONTEVIDÉU TER CORTADO RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS *Em Foco: LEALDADE SÓ PODE EXISTIR EM RELAÇÃO À VERDADE E À JUSTIÇA . *FIDEL CASTRO CONSIDERA POUCO SÉRIA RESPOSTA DO MÉXICO À SUA DECLARAÇÃO POLÍTICA Havana, 24 abr (RHC)-- O presidente cubano, Fidel Castro, considerou precipitada e carente de análise séria a resposta do governo do México à sua declaração sobre os acontecimentos em torno de sua presença na Cúpula de Monterrey e do voto anti-cubano desse país na Comissão da ONU para Direitos Humanos. Ao responder, na véspera, através das cadeias de televisão e rádio nacionais, à declaração divulgada pelo porta-voz presidencial mexicano, Fidel Castro frisou que o aspecto mais importante da declaração é que admite a veracidade total de tudo quanto disse na segunda-feira passada, quando publicou uma conversa sua com o presidente Vicente Fox. Ao analisar a resposta mexicana, Fidel explicou que a mesma ignora sua questionada participação da Cúpula e não admite as pressões exercidas por Vicente Fox para que não fosse, e ressaltou que a verdade é que o anfitrião do encontro não queria incomodar o presidente norte-americano, George Bush. Fidel Castro assegurou que em Cuba, considerada anti-democrática pela declaração do México, não se tomam decisões sem consultar os níveis correspondentes, em troca, as autoridades mexicanas fazem isso sem pedir a opinião de ninguém. Nessa direção, o primeiro mandatário tachou de barbaridade maior terem colocado que o governo mexicano só recebeu a pressão de Havana para determinar seu voto em Genebra, e afirmou que o Congresso desse país se posicionou pela abstenção, mas foi ignorado. Quanto à suposta violação da privacidade da conversa telefônica entre ele e Vicente Fox, o presidente cubano disse que não se pode tributar lealdade à mentira e à traição, e ele não podia permitir que o governo do México enganasse milhões de mexicanos e bilhões de pessoas no mundo. O presidente cubano sugeriu que fossem consultados filósofos e religiosos para saber se foi ético ou não o uso dessa conversa, e deixou claro que foi a primeira vez que se viu obrigado a divulgar o conteúdo de uma conversa desse tipo. Neste tema, Fidel Castro garantiu que Cuba jamais gravaria conversas que não fossem com suas autoridades, e sublinhou que esse papel é dos Estados Unidos, que têm cópias de todas. O máximo dirigente cubano manifestou que o presidente Fox é uma pessoa decente, mas tem pouca ou quase nenhuma experiência política e depende do chanceler Castañeda, que trabalha em cumplicidade com o governo norte-americano e com os contra-revolucionários de origem cubana de Miami. O Chefe de Estado cubano pontuou que o presidente Fox, antes de finalizar sua visita à Ilha, em fevereiro, garantiu que seu país não patrocinaria nem apresentaria resolução anti-cubana em Genebra, e sublinhou que Cuba só exige respeito e que os direitos consagrados na Carta da ONU não seja espezinhados. *DIRIGENTES POLÍTICOS LATINO-AMERICANOS CRITICAM POSIÇÃO DO GOVERNO MEXICANO EM RELAÇÃO A CUBA Havana, 24 abr (RHC)-- Legisladores mexicanos sustentam que o comunicado do governo de seu país sobre Cuba reconhece as manobras para impedir a presença do presidente Fidel Castro na Cúpula de Monterrey. O deputado Emílio Ulloa, do Partido da Revolução Democrática, condenou a atitude do governo do presidente Vicente Fox, que mentiu para a opinião pública, e o chanceler Castañeda fez a mesma coisa em relação ao acontecido entre os dois países. O ex-presidente do México, Miguel de la Madrid, acusou Fox de ter colocado em dúvida a independência da política exterior mexicana ao permitir pressões dos Estados Unidos e restringir a presença cubana na Conferência da ONU em Monterrey. Ao opinar sobre o incidente, o ex-presidente colombiano Ernesto Samper afirmou que Cuba, como qualquer outro país, tinha todo o direito de participar da Conferência e observou que atitudes como a de Fox contrariam a democracia. Por sua vez, o ex-presidente chileno Eduardo Frei estimou que o acontecido foi um episódio negativo para o governo do México. O Movimento mexicano de Solidariedade a Cuba organiza jornada nacional em repúdio à política entreguista do governo de Vicente Fox e em defesa do povo cubano. A primeira atividade será uma manifestação no Distrito Federal, no próximo sábado. Na quinta-feira, a bancada do Partido da Revolução Democrática da Assembléia Legislativa do Distrito Federal fará passeata para exigir o afastamento do chanceler Jorge Castañeda. *PIORA CRISE NA ARGENTINA PELA RENÚNCIA DO MINISTRO DA ECONOMIA Havana, 24 abr (RHC)-- O governo do presidente argentino, Eduardo Duhalde, anuncia nesta quarta-feira novo gabinete após a renúncia do titular da Economia, Jorge Remes Lenicov, e depois de o resto do executivo ter colocado seus cargos à disposição do primeiro mandatário. Remes Lenicov se demitiu ao tomar conhecimento de que o Senado era contra o Plano Bonex, que pretende transformar os depósitos bancários de prazo fixo em bônus, a serem pagos em cinco e dez anos. A imprensa local afirma que a Argentina revive tempos bem recentes de incertezas e angústias com um governo em crise total, que realiza esforços para manter-se no poder adotando medidas impopulares. *REMESSA DE VACINAS CUBANAS AO URUGUAI CONTINUA APESAR DE MONTEVIDÉU TER CORTADO RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS Havana, 24 abr (RHC)-- A decisão do governo uruguaio de cortar relações diplomáticas com Cuba foi tema tratado pelo presidente Fidel Castro durante uma intervenção sobre assuntos diversos, transmitida por rádio e televisão, na véspera. O Chefe de Estado cubano disse que no presidente uruguaio Jorge Battle, os Estados Unidos encontraram novo Judas, utilizado em seus propósitos de condenar Cuba na Comissão da ONU para Direitos Humanos, e assegurou que de seu nome ninguém se lembrará dentro de oito ou dez anos. Meios locais uruguaios afirmam que enquanto o governo de Battle anunciava a ruptura de relações diplomáticas com Cuba, se publicava que 300 mil crianças em Montevidéu serão vacinadas contra a meningite com vacinas doadas pela Ilha. Fidel Castro garantiu que estão seguras as 800 mil vacinas comprometidas com o Uruguai para combater a epidemia de meningite, e disse que essa ajuda não é dirigida ao governo, e sim ao povo uruguaio. O presidente da Comissão de Assuntos Internacionais do Senado uruguaio, Reinaldo Gargaño, rechaçou a decisão do governo de cortar relações com a Ilha e assegurou que essa medida é consequência do pensamento anti-cubano de Batlle, que deita por terra os esforços feitos durante anos para manter vínculos estreitos entre os dois países. A principal central sindical do Uruguai exigiu ao governo repensar sua posição em relação a Cuba. Em declaração entregue à presidência, a central sindical assegura que não existe razão válida para a ruptura de relações, a não ser o alinhamento vergonhoso das autoridades de Montevidéu com a política hemisférica da Casa Branca. O documento sublinha que a decisão do governo não tem nada a ver com o sentimento do povo uruguaio, que foi e será sempre solidário à Revolução e ao povo cubanos. Em Havana, em carta aberta enviada ao presidente Jorge Batlle, os 116 estudantes uruguaios da Escola Latino-Americana de Ciências Médicas rejeitam a postura anti-cubana assumida por esse governo na Comissão da ONU para os Direitos Humanos. *Em Foco: LEALDADE SÓ PODE EXISTIR EM RELAÇÃO À VERDADE E À JUSTIÇA Ninguém é obrigado a guardar lealdade diante do injusto e imoral, sentenciou o presidente Fidel Castro em resposta categórica ao comunicado do porta-voz da presidência mexicana, cuja intenção era desviar a atenção pública para não ter que admitir a mentira desmascarada pela declaração política do líder cubano, divulgada na segunda-feira passada. O Herói Nacional de Cuba, José Marti, já dissera no século XIX: quem observa em silêncio uma injustiça, também a está cometendo. E qual outro qualificativo pode ter a mentira premeditada a um povo, a um continente, ao mundo todo, se não de injustiça? Mas vejamos os fatos: o senhor Jorge Castañeda, chanceler do México, quis deletar a história de cem anos de relações entre seu país e Cuba com conspirações e mentiras, mas seu jogo sujo acabou com a honra de seu governo, a credibilidade de seu presidente, a confiança no princípio da autoridade e sepultou a Doutrina Estrada, estandarte da até agora respeitável política exterior mexicana. Mentiu, e fez mentir, conspirou e envolveu em suas intrigas seu chefe, o presidente Vicente Fox, enganou o povo para o qual supostamente trabalha, pelo menos é o povo que paga seu salário com os impostos e contribuições, e por cima disso, queria que Cuba, com provas na mão de tamanha infâmia, ficasse calada para que ele pudesse continuar fazendo das suas. Avisos não faltaram, oportunidades para corrigir o rumo e evitar o colapso da honorabilidade de seu próprio governo teve até o último instante, mas em vez de refletir um pouco sobre o que estava fazendo, seguiu os ditados dos que o dirigem sem perceber que ele é apenas peão, para eles, na colossal batalha de dois sistemas radicalmente opostos, representados por dois países, um poderoso e abjeto, os Estados Unidos, e o outro pequeno mas digno e valente, Cuba, que representam duas concepções do mundo e de vida essencialmente diferentes. Por isso, agora, consumada a traição e a verdade diante dos olhos de todos, só resta ao chanceler mexicano se defender por meio de manejos obscuros, supostamente ligados à ética e à lealdade, duas palavras que não aparecem em seu dicionário há muito tempo. Nada mais ético, mais leal, mais digno, honesto e honrado, senhor Castañeda, o senhor que gosta tanto de sinônimos, do que as quatro décadas que o povo de Cuba leva construíndo sua própria nação, criando sua independência, defendendo sua democracia e os valores essenciais de seu povo, fiel às tradições que fundaram seus heróis, inabalável na fé em que há um mundo diferente, um futuro melhor, não só para os que sentimos o orgulho de viver nesta Ilha, e sim para todos os homens. E para terminar no espírito de José Marti, aconselhamos aos que não tenham a coragem de lutar por tudo isso que, pelo menos, façam silêncio. (c) 2002 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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