Radio Havana Cuba-19 de abril 2002 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 19 de abril 2002 . *VOTAÇÃO EM GENEBRA FOI VITÓRIA MORAL PARA CUBA *POVO CUBANO COMEMORA 41º ANIVERSÁRIO DA VITÓRIA DE PLAYA GIRÓN, PRIMEIRA GRANDE DERROTA DO IMPERIALISMO NA AMÉRICA. *DECLARAÇÕES DE FIDEL CASTRO SOBRE RECENTES ACONTECIMENTOS NA VENEZUELA *GOVERNO DA VENEZUELA IMPULSIONA DIÁLOGO NACIONAL *EXÉRCITO DE ISRAEL SE RETIRA DE YENIN MAS CERCO E OCUPAÇÃO DE OUTRAS CIDADES CONTINUAM *COMUNIDADE MUNDIAL EXIGE FIM DOS MASSACRES COMETIDOS POR ISRAEL NOS TERRITÓRIOS PALESTINOS *TREMOR DE TERRA NO CHILE *Em Foco: QUEM SALVARÁ OS DIREITOS DE NOSSAS CRIANÇAS? . *VOTAÇÃO EM GENEBRA FOI VITÓRIA MORAL PARA CUBA Havana, 19 abr (RHC)--As autoridades cubanas qualificaram de nova vitória moral os resultados da votação acontecida nesta sexta-feira, na Comissão da ONU para os Direitos Humanos. Por pequena margem de 23 votos a favor, 21 contra e nove abstenções, foi aprovada resolução anti-cubana preparada pelos Estados Unidos e apresentada pelo Uruguai, Peru e outras nações latino-americanas, que se submeteram aos ditados de Washington. Nota oficial do governo cubano destaca que 30 dos 53 países, que formam a comissão, votaram contra a resolução ou se abstiveram, o que significa que 57% de seus membros se opuseram à medida anticubana, e prova que ainda há muitas nações que defendem, firmes, a justiça e a verdade. O documento frisa que a votação em Genebra foi precedida de intensas pressões dos Estados Unidos contra muitos países do mundo, aos que ameaçaram até de que perderiam benefícios, créditos, estabilidade interna, se não obedecessem os ditames da Casa Branca. A resolução anti-cubana foi apoiada pelas representações da Argentina, Áustria, Bélgica, Camarões, Canadá, Chile, Costa Rica, Croácia e República Checa. Igualmente, aderiram os representantes da França, Alemanha, Guatemala, Itália, Japão, México, Peru, Polônia, Portugal, Coréia do Sul, Espanha, Suécia, Grã-Bretanha e Uruguai. Contra o documento votaram Argélia, Bahrein, Burundi, China, Cuba, República Popular Democrática do Congo, Índia, Indonésia, Líbia, Malásia, Nigéria, Paquistão, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Sudão, Síria, Togo, Venezuela, Vietnã e Zâmbia. Os países que se abstiveram foram Armênia, Brasil, Equador, Quênia, Senegal, Serra Leoa, Suazilândia, Tailândia e Uganda. A nota oficial cubana julga inconcebível a atitude assumida por vários países da América Latina, que se submeteram aos interesses norte-americanos. Esses resultados mostram mais uma vez que Cuba, com sua firmeza inabalável, conquistou uma nova e importante vitória moral em Genebra. E afirma que Cuba e sua Revolução se fortaleceram com esse confronto para continuar travando vitoriosamente sua luta contra o bloqueio imposto pelos Estados Unidos há mais de 40 anos, e contra a política hostil de Washington. *POVO CUBANO COMEMORA 41º ANIVERSÁRIO DA VITÓRIA DE PLAYA GIRÓN, PRIMEIRA GRANDE DERROTA DO IMPERIALISMO NA AMÉRICA. Havana, 19 abr (RHC)--Faz hoje 41 anos que o mundo, atônito, assistiu à primeira grande derrota do imperialismo na América Latina, quando a jovem Revolução cubana neutralizou em menos de 72 horas a invasão mercenária, armada e financiada pelos Estados Unidos. O povo cubano combateu com coragem e patriotismo em Playa Girón, com a certeza de que já defendia a Revolução Socialista, proclamada três dias antes, a 16 de abril, pelo seu líder Fidel Castro. Desde então, não cessou a batalha contra o bloqueio, contra os terroristas de Miami, contra as aspirações anexionistas do Norte. De uma maneira, ou outra, Girón continuou presente na obra emancipadora da Revolução e está nos sonhos transformados em realidade de uma Pátria mais culta, ética e humanista. O ato central pela vitória de Girón aconteceu no mesmo teatro da derrota imperialista, em homenagem póstuma aos que tombaram defendendo a Revolução. *DECLARAÇÕES DE FIDEL CASTRO SOBRE RECENTES ACONTECIMENTOS NA VENEZUELA Havana, 19 abr (RHC)--O presidente Fidel Castro afirmou que a chancelaria cubana se comunicou, no dia 12 de abril, com embaixadores de 21 países em Havana para evitar que o Chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, se imolasse no palácio Miraflores, como ele queria, junto a 300 quadros bolivarianos e a Guarda de Honra que o acompanhava. Em declarações publicadas, nesta sexta-feira, pelo jornal cubano Juventud Rebelde, Fidel explica que também se comunicou aos representantes diplomáticos a decisão do pessoal da embaixada de Cuba, em Caracas, de defender a acossada sede, mesmo a custo de suas vidas. O presidente Fidel Castro comentou publicamente o assunto depois que o Chefe do Governo Espanhol, José Maria Aznar, declarara, na quarta-feira, que tinha recebido dois pedidos do governo de Cuba para ajudar na saída de Chávez da Venezuela. O líder cubano disse ao Juventud Rebelde que, por enquanto, não vai comentar as declarações de Aznar, mas tem para falar sobre o tema e esperará pacientemente a ocasião. Em meio à crise venezuelana, quando os golpistas anunciaram que Chávez seria enviado ao exterior, o governo cubano reagiu dizendo que se o destino do presidente venezuelano fosse Cuba, seria devolvido a seu país no primeiro avião disponível. Fidel Castro frisou que o embaixador cubano em Caracas, Germán Sánchez, se comunicou com as embaixadas dos 21 países contatados em Havana para lhes explicar a posição cubana em relação aos ataques da corja fascista e contra-revolucionária à sede diplomática da Ilha, durante o golpe de estado na Venezuela. Avisamos a situação em tempo, assinalou Fidel, para impedir que se culpasse os membros da embaixada cubana das dolorosas consequências do que ali poderia ocorrer. *GOVERNO DA VENEZUELA IMPULSIONA DIÁLOGO NACIONAL Havana, 19 abr (RHC)--O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que o estabelecimento do Conselho Federal de Governo era o primeiro passo de um grande diálogo nacional. E adiantou que todos podem participar respeitando a Constituição. Chávez presidiu sessão do Conselho Federal de Governo que começou a analisar a próxima formação de mesas de diálogo com a inclusão da oposição. Essa instância criará comissão coordenadora a ser apresentada na próxima quarta-feira em ato de solenidade ao qual assistirá o presidente venezuelano. Entre os temas que serão levados a debate nacional, Chávez propôs o Plano Econômico Social 2002-2007 a fim de colher opiniões para seu enriquecimento e funcionamento. Quase uma semana depois do golpe fascista na Venezuela e a volta de Hugo Chávez ao poder, a OEA aprovou resolução de apoio à democracia no país sul-americano e de rechaço ao uso da violência para depor qualquer governo democrático no hemisfério. Durante assembléia especial da OEA, que discutiu a crise venezuelana, o chanceler desse país, Luis Dávila, rechaçou proposta dos Estados Unidos para que a entidade regional servisse como intermediária no diálogo entre o governo e a oposição. Para o chanceler venezuelano, só ao governo de seu país incumbe buscar caminhos e encontrar soluções a seus problemas domésticos, por meio das autoridades legítimas. *EXÉRCITO DE ISRAEL SE RETIRA DE YENIN MAS CERCO E OCUPAÇÃO DE OUTRAS CIDADES CONTINUAM Havana, 19 abr (RHC)--A direção palestina está atenta aos movimentos de tropas israelenses no sul da faixa de Gaza, principalmente nos arredores das cidades de Yan Yunes, Deir Al Balah e Rafah, onde morreram pelo menos três palestinos. Comunicado da direção palestina assegura que prosseguem os tiroteios israelenses nas imediações da Igreja da Natividade, na cidade cisjordaniana de Belém. Após três semanas de ocupação, o exército sionista se retirou da zona autônoma palestina de Yenin, em meio a crescentes denúncias internacionais sobre as violações dos direitos humanos cometidas por Israel na base de refugiados. Não obstante, as tropas israelenses continuam cercando a zona, onde se calcula que haja centenas de mortos debaixo das ruínas de 800 casas. O exército de Israel ocupa quatro importantes cidades cisjordanianas: Nablus, Beit Jala, Belém e Ramallah. Israel rejeitou taxativamente a possiblidade de que a ONU mande contingente internacional à região e está estudando de novo como expulsar Arafat dos territórios palestinos. *COMUNIDADE MUNDIAL EXIGE FIM DOS MASSACRES COMETIDOS POR ISRAEL NOS TERRITÓRIOS PALESTINOS Havana, 19 abr (RHC)--Durante debate aberto no Conselho de Segurança da ONU, mais de vinte países pediram que Israel deixasse de massacrar o povo palestino e uma força internacional de paz fosse embarcada ao Oriente Médio. A União Européia rechaçou a destruição da infra-estrutura da Autoridade Nacional Palestina, o cerco ao presidente Yasser Arafat, e as violações cometidas pelas tropas sionistas contra o povo palestino. A reunião do Conselho de Segurança da ONU foi convocada imediatamente depois de a opinião pública mundial tomar conhecimento do massacre e destruição cometidos por Israel na base de refugiados de Yenin. Representanrtes da Tunísia, Egito, África do Sul, Argélia, Iraque, Catar, Jordânia, Cuba e Brasil pediram a Israel sua saída imediata dos territórios autônomos palestinos. *TREMOR DE TERRA NO CHILE Havana, 19 abr (RHC)--Mais de 300 desabrigados deixou forte tremor de terra que estremeceu na véspera áreas da zona norte e central do Chile, onde as autoridades ainda estão avaliando os prejuízos. O movimento telúrico foi mais forte em Copiapó, a 805 quilômetros a norte da capital chilena, e sua intensidade foi de 6 graus na escala de Mércali. *Em Foco: QUEM SALVARÁ OS DIREITOS DE NOSSAS CRIANÇAS? Juanita, menina guatemalteca de doze anos nasceu e viveu, sua vida curta, na região leste de seu país, onde sua família, juntamente com muitas outras têm esquálidas parcelas de terra quase estéril, da qual tiram com muitas dificuldades os poucos alimentos que comem. Como todas as crianças, Juanita brinca de "quando eu crescer" com seus irmãozinhos, e imaginamos que pensa em ser professora, ou talvez enfermeira e, quem sabe, doutora. Mas não poderá ser. Juanita morreu de fome em um hospital do município de Camotán, na Guatemala. A paixão e morte de Juanita foi acompanhada pelos meios de comunicação que acabavam de descobrir que a fome mata crianças. Não só na África, mas também nesse país centro-americano. O triste desfecho conturbou a sociedade toda e caminhões de ajuda inundaram os sobreviventes, mas ninguém pensou em que Juanita morreu porque todos os seus direitos humanos foram abertamente violados. Ser criança na América Central pode ser uma tragédia de incalculáveis proporções, os perigos são enormes e são contadas as instituições e as leis que ofereçam proteção apropriada. O Congresso da Guatemala, por exemplo, recusou-se a ratificar o Código da Infância. Entretanto, a organização Casa Aliança denuncia o crescimento do abuso e da exploração sexual de menores, e ninguém se mexe para aliviar, pelo menos, esse crime execrável. Quem defenderá as nossas crianças? Quem responderá pelas dezenas de milhares que não puderam viver pela falta de uma simples vacina, ou mínima alimentação que não chegou porque é mais importante comprar aviões de combate, treinar soldados e preparar uma guerra contra um inimigo inexistente? Recentemente, se informava que 16 indígenas do estado mexicano de Guerrero foram indenizados por terem sido esterilizados por médicos dos serviços públicos de saúde com mentiras e sob ameaça. O Estado compensou-os com dois mil dólares e várias sacas de cimento. As autoridades acham que esse é o preço justo dos filhos que não puderam ter nunca. Segundo o grupo Miguel Augustin Pro Juarez, a esterilização à força é muito comum nas comunidades indígenas mexicanas, ao melhor porque alguém decidiu que assim se protegem melhor os direitos humanos desse grupo marginalizado, pois dos dez milhões de pessoas que o integram, nove milhões vivem na pobreza total. Quem vai defender todos aqueles milhões que, em martirizados países de Nossa América, nem sequer puderam chegar a ter o direito de ser? Triste há de ser o futuro das sociedades, que, prisioneiras de um sistema de mercado que só admite o direito de ter e de consumir para um terço delas, se permitem negar a vida de muitos de seus filhos mais pequenos, sem sentir por eles outra coisa senão pena inspirada num frio dado estatístico. Diante de tanta indiferença de quê direitos e de quê humano falam? (c) 2002 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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