Radio Havana Cuba-17 de abril 2002 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 17 de abril 2002 . *SECRETÁRIO GERAL DA OEA RECONHECE LEGITIMIDADE DO GOVERNO CONSTITUCIONAL DE HUGO CHÁVEZ *NOVAS EVIDÊNCIAS DO ENVOLVIMENTO DO GOVERNO NORTE-AMERICANO NO GOLPE FASCISTA DA VENEZUELA *PARTIDOS MEXICANOS PEDEM AO GOVERNO NÃO VOTAR CONTRA CUBA EM GENEBRA *VICE-PRESIDENTE DO IRÃ DE VISITA EM CUBA *DUHALDE PROGNOSTICA NOVAS CONVULSÕES SOCIAIS NA ARGENTINA *GREVE DE 20 MILHÕES DE TRABALHADORES NA ITÁLIA OBRIGA GOVERNO A CONVERSAR COM SINDICATOS *COLIN POWELL ADMITE FRACASSO DE SUA INTERMEDIAÇÃO NO ORIENTE MÉDIO *CONFERÊNCIA DOS BISPOS DO BRASIL EXIGE PROPOSTAS E COMPROMISSOS CLAROS DOS PARTIDOS POLÍTICOS PARA COMBATER MISÉRIA E FOME *Em Foco: DIREITOS, PARA TODOS? . *SECRETÁRIO GERAL DA OEA RECONHECE LEGITIMIDADE DO GOVERNO CONSTITUCIONAL DE HUGO CHÁVEZ Havana, 17 abr (RHC)-- O secretário geral da Organização de Estados Americanos, Cesar Gavíria, afirmou em Caracas que a OEA reconhece como constitucional o governo do presidente Hugo Chávez. "Vejo no presidente Chávez uma vontade enorme de se entender com os setores da oposição," frisou Gavíria, que tinha viajado à Venezuela para conhecer detalhes da realidade do país e conversar com representantes de todos os segmentos sociais. O secretário-geral da OEA se reuniu, na terça-feira, com o presidente venezuelano, com o presidente da Conferência Episcopal, Baltasar Porras e com o máximo dirigente da Assembléia Nacional, William Lara. "Nosso compromisso com a democracia venezuelana é total e quisemos vir expressamente à Assembléia Nacional para deixar isto bem claro," disse César Gaviria. A China declarou sentir-se satisfeita com a volta à estabilidade política na Venezuela, e falou que, sob a liderança de Hugo Chávez, o povo do país andino terá maiores progressos sociais. Por sua vez, o chanceler boliviano Gustavo Fernández rechaçou de novo a ruptura do processo democrático venezuelano. *NOVAS EVIDÊNCIAS DO ENVOLVIMENTO DO GOVERNO NORTE-AMERICANO NO GOLPE FASCISTA DA VENEZUELA Havana, 17 abr (RHC)-- O jornal The New York Times revela, hoje, novas evidências do envolvimento do governo norte-americano no golpe fascista da Venezuela. Diz o jornal que o subsecretário de Estado para assuntos latino-americanos, Otto Reich, tinha advertido ao golpista Pedro Carmona que não dissolvesse o Congresso. Segundo The New York Times, Reich ligou para Carmona e falou que a dissolução do Parlamento seria uma estupidez. O artigo sobre os contatos entre os Estados Unidos e os golpistas é o segundo que publica The New York Times, nesta semana. Na terça-feira passada, esse jornal informou que funcionários norte-americanos se reuniram em várias ocasiões com oposicionistas venezuelanos durante os últimos meses. *PARTIDOS MEXICANOS PEDEM AO GOVERNO NÃO VOTAR CONTRA CUBA EM GENEBRA Havana, 17 abr (RHC)-- Tempestade política desencadeou no México o anúncio da mudança de posição do governo em relação a Cuba na Comissão da ONU para os Direitos Humanos, comenta a agência de notícias EFE. Na véspera, todos os partidos, exceto o governante Ação Nacional, pediram ao governo que dê marcha à ré em sua postura e não vote contra Cuba em Genebra. Durante o debate, Félix Salgado, do Partido da Revolução Democrática, pediu a renúncia do chanceler Jorge Castañeda. No entendimento de Salgado, o governo mexicano não tem moral para criticar a situação dos direitos humanos em outros países, quando aqui - disse- mais de 250 mulheres foram assassinadas em Chihuaha, mataram a regente de Atizapán, sem falar nas chacinas de Águas Blancas, El charco e Chiapas. Por sua vez, Manuel Añorve, do Partido Revolucionário Institucional, comentou que a mudança de posição em relação a Cuba é um erro histórico. A embaixada de Cuba no México afirmou que os Estados Unidos estão por trás do projeto de resolução contra a Ilha, e denunciou que esta proposta é mais negativa, politizada e intervencionista do que as anteriores. A legação diplomática tachou de surpreendente e ingênua a interpretação da frase "apesar de uma atmosfera internacional adversa," como uma referência ao bloqueio. Nesse sentido sustenta que o projeto de resolução anticubano não menciona o assunto porque os Estados Unidos não autorizaram que se colocasse nada a respeito. *VICE-PRESIDENTE DO IRÃ DE VISITA EM CUBA Havana, 17 abr (RHC)-- A fim de ampliar e fortalecer as relações entre os dois países, desembarca nesta quarta-feira, em Havana, o vice-presidente do Irã, Mohsen Mehr Alizade. As duas nações, que estabeleceram relações em 1975, coincidem em posições quanto à defesa dos interesses do Terceiro Mundo, no Movimento de Países Não Alinhados, no Grupo dos 77, assim como na ONU e noutros fóruns internacionais. Cuba e Irã também condenam as agressões e sanções utilizadas pelos Estados Unidos como política para se apoderarem do mundo unipolar, comenta o jornal cubano Granma. *DUHALDE PROGNOSTICA NOVAS CONVULSÕES SOCIAIS NA ARGENTINA Havana, 17 abr (RHC)-- O presidente argentino, Eduardo Duhalde, admitiu que poderiam ocorrer convulsões sociais nas provínciais por causa das crises regionais, demora no pagamento dos salários e queda do poder aquisitivo. Falando para Rádio Continental de Buenos Aires, Duhalde se referiu ao conflito registrado na província de San Juan, onde servidores públicos ocuparam a sede do governo para exigir o pagamento de vencimentos atrasados. Meios de imprensa revelam que a crise na Argentina aumentou com o agravamento da situação dos serviços públicos como a saúde e a educação, as altas taxas de desemprego e a pobreza. Dados divulgados pelo Sistema de Informação, Monitoração e Avaliação de Programas Socias revelam que mais de sete milhões de crianças e adolescentes argentinos vivem, hoje em dia, na pobreza. *GREVE DE 20 MILHÕES DE TRABALHADORES NA ITÁLIA OBRIGA GOVERNO A CONVERSAR COM SINDICATOS Havana, 17 abr (RHC)-- Bem-sucedida greve de 20 milhões de trabalhadores, na terça-feira, obrigou o governo italiano a anunciar a retomada das negociações com os sindicatos. O ministro do Trabalho italiano, Roberto Maroni, informou que nos próximos dias será dado esse passo, mas avisou que as autoridades não têm intenção de corrigir a suspensão do artigo 18 do Estatuto do Trabalho que permite aos operários dispensados ocupar de novo seus postos. A greve de terça-feira foi a maior registrada na Itália nos últimos vinte anos. *COLIN POWELL ADMITE FRACASSO DE SUA INTERMEDIAÇÃO NO ORIENTE MÉDIO Havana, 17 abr (RHC)-- O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, admitiu o fracasso de sua intermediação no Oriente Médio, e comentou que o cessar-fogo não acontecerá até que haja ataques israelenses contra os territórios palestinos. Powell, que terminou seu périplo avistando-se, em Ramallah, com o presidente Yasser Arafat, anunciou à imprensa que brevemente viajarão ao Oriente Médio o emissário norte-americano Anthony Zinni e o diretor da Agência Central de Inteligência, CIA, George Tenet. Em visita de sete dias ao Oriente Médio, o secretário de Estado norte-americano não conseguiu convencer o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, de que pusesse fim à ocupação dos territórios palestinos, nem que levantasse o cerco imposto ao presidente Yasser Arafat. Sharon também não admitiu o estacionamento de uma força internacional de paz. *CONFERÊNCIA DOS BISPOS DO BRASIL EXIGE PROPOSTAS E COMPROMISSOS CLAROS DOS PARTIDOS POLÍTICOS PARA COMBATER MISÉRIA E FOME Havana, 17 abr (RHC)-- A 40ª Assembléia Geral Anual da Conferência Nacional de Bispos do Brasil exigiu dos partidos políticos propostas e compromissos para combater a miséria e a fome. O encontro de 424 bispos brasileiros emitirá documento final que sirva de guia para discussão em toda a sociedade. Os debates sobre a fome e a miséria no Brasil levaram conhecidos bispos a colocar seu enfoques e propostas, com profundo espírito crítico e de inspiração humanitária. *Em Foco: DIREITOS, PARA TODOS? Miriam Rosa Verástegui, jovem engenheira de origem peruana emigrou de seu país em busca de dinheiro para sustentar suas duas filhas pequenas. Caminhando na rua, em Madri, onde trabalha como empregada doméstica, foi detida pela polícia só porque esta viu que era latino-americana, por sua aparência. Miriam foi violada, humilhada e, ao denunciar a agressão, foi simplesmente ignorada pelas autoridades. O jovem Antonio Augusto Fonseca, da Guiné Bissau, teve pior destino. Foi encontrado morto na cela de uma prisão de imigrantes ilegais, também em Madri, e sua família nunca recebeu nenhuma explicação a respeito. O assunto sequer foi investigado pela polícia para apurar responsabilidades. Ambos os casos, como já mencionamos, aconteceram na capital da Espanha,na culta e civilizada Europa, e motivam algumas considerações nestes dias em que as acusações sobre violações dos direitos humanos vão de um lado para o outro, algumas como via livre, que viajam sobre motivações políticas, e outras, com muita dificuldade, sobre uma efetiva preocupação por casos bem definidos, como o massacre sionista nos territórios palestinos. A questão é que muitas pessoas, como a moça peruana, são obrigadas a emigrar e enfrentar os riscos que a emigração representa simplesmente porque não têm oportunidades em sua própria pátria, onde seu direito a uma vida digna, a um trabalho e acesso aos serviços indispensáveis lhes são negados. Sem perspectivas e passando fome, dezenas de milhares de latino-americanos, africanos e asiáticos são obrigados a partir em busca de outros sonhos, muitos atraídos como borboletas, em meio da noite, pela luz de um desenvolvimento que, embora financiado com os recursos de seus antepassados, não se fez para eles. Esses emigrantes descobrirão na Espanha, Itália, França, Grã-Bretanha ou Alemanha, só para mencionar a região ocidental da Europa, que a cor de sua pele, ou seu aspecto físico, são argumentos suficientes para transformá-los em alvo de vexames, torturas e até a morte, em meio do silêncio e da impunidade. Será que na questão dos direitos humanos acabaremos falando só de um segmento que goza de todos os direitos e viola os dos outros impunemente, e de outro segmento para o qual tais direitos só existem para ser violentados, mas não usufruidos? Em tempos de reuniões em Genebra, manobras políticas para condenar inocentes e proteger os culpados, condenações mascaradas e conciliábulos de bruxos, deve-se perguntar já: para que serve tudo isso, se até agora o princípio básico que animou a humanidade há mais de cinquenta anos não foi cumprido. Quanto tempo terá de se passar até que se convençam de que os direitos são de todos, e não só dos que podem pagá-los? A resposta infelizmente continua no ar, pois, por enquanto, e como quase sempre, os que têm ouro, continuam fazendo as regras. (c) 2002 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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