Radio Havana Cuba-16 de outubro 2001 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 16 de outubro 2001 . *NOVA ESCOLA PARA FORMAR TRABALHADORES SOCIAIS EM CUBA *CONTINUAM BOMBARDEIOS NORTE-AMERICANOS SOBRE CIDADES AFEGÃS *FBI AFIRMA NÃO TER CONDIÇÕES PARA ENFRENTAR PÂNICO EM TORNO DA ANTRAZ *CÚPULA DE REITORES LATINO-AMERICANOS ELOGIA AVANÇOS DE CUBA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR *MINISTRO CUBANO DO COMÉRCIO EXTERIOR TERMINA VISITA A CHINA *BIBLIOTECA NACIONAL JOSÉ MARTÍ RECEBE CONDECORAÇÃO *ABERTO CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO HERMANOS SAÍZ *UNIÃO EUROPÉIA RECONHECE PREJUIZOS DA GUERRA NO AFEGANISTÃO PARA O TURISMO E AS COMPANHIAS AÉREAS *FAO CONCLAMA A COMBATER A FOME E A POBREZA *ENCHENTES DA CORÉIA DEMOCRÁTICA *VOTO NEGATIVO GANHA ELEIÇÕES NA ARGENTINA *MINISTRO COLOMBIANO CONDENA VIOLÊNCIA DOS PARAMILITARES Comentario: *A CRISE ECONÔMICA MUNDIAL CHEGOU, COM EFEITOS DEVASTADORES PARA PAÍSES PEQUENOS *DESCONSIDERANDO AS LIÇÕES DA HISTÓRIA, COLIN POWELL FAZ VISITA PROVOCADORA AO PAQUISTÃO . *NOVA ESCOLA PARA FORMAR TRABALHADORES SOCIAIS EM CUBA Havana, 16 de outubro (RHC) -- Hoje se inaugura, na província de Villa Clara, região central de Cuba, a segunda escola do país para formar trabalhadores sociais. Nela estudarão 1200 jovens das províncias de Villa Clara, Cienfuegos e Sancti Spíritus. *CONTINUAM BOMBARDEIOS NORTE-AMERICANOS SOBRE CIDADES AFEGÃS Havana, 16 de outubro (RHC) -- Fortes bombardeios atingiam, por oitavo dia consecutivo, várias cidades do Afeganistão, principalmente Cabul, a capital, e Kandahar. Fontes do Pentágono disseram que os alvos eram supostas instalações militares dos talibãs, porém, organizações pacifistas norte-americanas garantem que já não há o que bombardear nesse país. Na mesa redonda de ontem, nos estúdios da Tv cubana, especialistas apontaram que enquanto os EUA continuam ocasionando mortes de civis no Afeganistão, o presidente George Bush conseguiu abocanhar as maiores prerrogativas dadas a um chefe de Estado norte-americano para dirigir a política exterior, embora seja o mais ilegítimo da história do país por causa da fraude eleitoral na Flórida. No Paquistão, ao terminar sua visita oficial, o secretário norte-americano de Estado, Colin Powell, não deu garantias em torno da duração da guerra. As autoridades paquistanesas pediram a Powell que os ataques contra o Afeganistão durem pouco, e sejam contra alvos escolhidos. Em meio a greves e manifestações contra sua visita, o alto funcionário norte-americano exortou a uma solução pacífica entre a Índia e o Paquistão, a respeito do litígio de Caxemira. Na Nigéria, 218 pessoas morreram e cerca de 200 foram detidas na cidade de Kano, palco de enfrentamentos religiosos pelos protestos de muçulmanos contra os bombardeios dos EUA no Afeganistão. *FBI AFIRMA NÃO TER CONDIÇÕES PARA ENFRENTAR PÂNICO EM TORNO DA ANTRAZ Havana, 16 de outubro (RHC) -- O FBI-Bureau Federal de Investigações dos EUA, declarou-se impossibilitado para atender todas as emergências ligadas ao pânico ocasionado pela eventual presença da bactéria antraz no país. Só na cidade de Dallas, no Texas, foram recebidas nos últimos três dias 180 ligações telefônicas denunciando envelopes suspeitos. A OMS-Organização Mundial da Saúde, decidiu ativar seus mecanismos de vigilância epidemiológica no mundo, para detectar eventuais casos de antraz. *CÚPULA DE REITORES LATINO-AMERICANOS ELOGIA AVANÇOS DE CUBA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR Havana, 16 de outubro (RHC) -- A Cúpula de Reitores Latino-americanos, realizada na Guatemala, elogiou os avanços de Cuba no ensino superior, sua estabilidade, competitividade e alto rigor científico. O Reitor da Universidade de Havana, Juan Vela, declarou aos jornalistas que o encontro propiciou estreitar os laços entre centros de altos estudos da América Latina. Nos debates foi abordado o problema da migração de profissionais - o roubo de cérebros - na região, e a grave crise que sofrem algumas universidades pelos cortes de verbas. *MINISTRO CUBANO DO COMÉRCIO EXTERIOR TERMINA VISITA A CHINA Havana, 16 de outubro (RHC) -- O ministro cubano do Comércio Exterior, Raúl de la Nuez, disse que sua visita a China, concluida ontem, foi muito frutífera, e sublinhou que o intercâmbio bilateral continua crescendo. Em declarações antes de partir de Pequin, De la Nuez falou da boa acolhida que as autoridades da Feira Internacional de Cantão deram à delegação cubana. *BIBLIOTECA NACIONAL JOSÉ MARTÍ RECEBE CONDECORAÇÃO Havana, 16 de outubro (RHC) -- A Biblioteca Nacional José Martí, de Havana, recebeu a Ordem Félix Varela, de Primeiro Grau, em reconhecimento a seu importante trabalho na área cultural. No dia 18 deste mês, a biblioteca cumpre cem anos de fundação. No ato, o ministro da Cultura, Abel Prieto, recordou que em 1985 a instituição foi designada centro reitor do Sistema Nacional de Bibliotecas. Nesse papel, contribuiu para que não fechassem suas portas as mais de 300 bibliotecas espalhadas pelo país, nestes anos de crise econômica. *ABERTO CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO HERMANOS SAÍZ Havana, 16 de outubro (RHC) -- Hoje foi aberto, em Havana, o primeiro congresso da Associação Hermanos Saíz, que agrupa jovens artistas cubanos. Os debates vão enfocar as estratégias a seguir por essa vanguarda estética da cultura da Ilha. Estão previstos contatos com o presidente do Parlamento, Ricardo Alarcón, o chanceler Felipe Pérez Roque e o diretor do Centro de Estudos da Economia Mundial, Osvaldo Martínez. A Associação Hermanos Saíz surgiu em 1986, por iniciativa da União de Jovens Comunistas de Cuba. *UNIÃO EUROPÉIA RECONHECE PREJUIZOS DA GUERRA NO AFEGANISTÃO PARA O TURISMO E AS COMPANHIAS AÉREAS Havana, 16 de outubro (RHC) -- A União Européia admitiu que o setor do turismo e as companhias aéreas sofrem as piores conseqüências da reação militar dos EUA ante os ataques de 11 de setembro passado. Especialistas apontam que as pessoas tem medo de viajar de avião ou em cruzeiros, que podem ser alvos de ações terroristas. Hotéis de países com grande tradição turística, como Grécia, Itália ou Egito, tiveram de fechar suas portas pela falta de hóspedes. Situação semelhante defrontam a França, Espanha, Israel e nações caribenhas. *FAO CONCLAMA A COMBATER A FOME E A POBREZA Havana, 16 de outubro (RHC) -- A FAO-Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, conclamou a combater a fome e a pobreza. Neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, a entidade recordou que quase 800 milhões de pessoas no mundo vivem mergulhadas na fome e na miséria, e para elas a data não significa celebração. Por sua vez, o Programa Mundial de Alimentos revelou que 14 % da população da América Latina e Caribe sofre insegurança alimentar. O papa João Paulo II exortou os governos a ajudarem os pobres, que pedem mais justiça. Em mensagem pelo Dia Mundial da Alimentação, o Sumo Pontífice da Igreja Católica exortou a trabalhar pela justiça e a solidariedade. *ENCHENTES DA CORÉIA DEMOCRÁTICA Havana, 16 de outubro (RHC) -- Mais de cem pessoas morreram ou estão desaparecidas na Coréia Democrática, vítimas das inundações ocasionadas pelas intensas chuvas da semana passada, que alagaram o leste do país. Agências da ONU estimam em mais de 11 mil os danificados. *VOTO NEGATIVO GANHA ELEIÇÕES NA ARGENTINA Havana, 16 de outubro (RHC) -- O voto negativo foi o verdadeiro ganhador nas eleições parciais de domingo passado na Argentina, ao representar 50 % dos 25 milhões de votantes cadastrados no país. A abstenção chegou a 26 %, e os votos anulados ou em branco significaram 24 %. Observadores apontam que isso espelha o descontentamento popular não só com o governo, mas também com os políticos tradicionais, num país onde crescem o desemprego e a pobreza. O opositor partido Justicialista abocanhou mais votos que a coalizão de governo. *MINISTRO COLOMBIANO CONDENA VIOLÊNCIA DOS PARAMILITARES Havana, 16 de outubro (RHC) -- O ministro do Interior da Colômbia, Armando Estrada, condenou a violência crescente dos bandos paramilitares nos últimos dias, e exigiu o fim do terror contra a população civil. Estrada disse que a ofensiva da extrema-direita armada constitui empecilho sério no caminho rumo à reconciliação nacional, dentro do processo de negociações com a guerrilha. O ministro colombiano falou que os paramilitares perpetram assassinatos e violações dos direitos humanos sob o pretexto de frear a atividade dos movimentos guerrilheiros. Na semana passada morreram quase 70 camponeses, assassinados pelos bandos de extrema-direita. Comentario: *A CRISE ECONÔMICA MUNDIAL CHEGOU, COM EFEITOS DEVASTADORES PARA PAÍSES PEQUENOS Já não é a espada de Dâmocles pairando sobre as nossas cabeças, nem histórias de terror para assustar... a crise econômica é uma realidade, hoje, e seus efeitos começam a se tornar devastadores, principalmente quanto aos países pequenos e mais fracos. Na prática, a economia mundial já vinha mostrando sintomas de esgotamento há várias décadas. Cada certo tempo era preciso fazer um curativo aqui, outro ali, prever a crise asiática, proteger-se do efeito "tequila" ou dançar um "tango" com a mais feia, no final da festa. O que aconteceu em 11 de setembro passado foi apenas o estopim da grande explosão, cujos estilhaços estão começando a ocasionar prejuizos, com os primeiros cortes na ajuda financeira prestada pelas nações industrializadas, o acirramento do protecionismo comercial e o crescimento da dívida externa, um tema do qual quase não se fala nos últimos dias. Para demonstrar o que espera ao mundo, temos aqui alguns dados e opiniões a respeito. Segundo estimativas da ONU-Organização das Nações Unidas, o Produto Interno Bruto mundial vai crescer este ano apenas 1,4 %, com melhores resultados, naturalmente, nas nações industrializadas. Para a América Latina e o Caribe, o prognóstico é de apenas 0,8 %. No Caribe poderia ser menos ainda, por causa da queda no fluxo de turistas de origem norte-americana. Em termos concretos, essas notícias são péssimas para os povos da região. Organismos especializados, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, dizem que para que uma nação possa sentir realmente o efeito do desenvolvimento, seu PIB deve crescer não menos de 5 % por ano. Essa cifra permitiria absorver a taxa de crescimento da população, o aumento nos custos dos serviços públicos e gerar um pequeno excedente para o investimento social. Agora, simplesmente, não haverá possibilidades de aumentar a oferta de emprego, e muitos dos que trabalham hoje perderão suas vagas. Os serviços públicos, principalmente os de saúde e educação, vão se deteriorar, e o investimento social chegará praticamente a zero. A própria Organização das Nações Unidas reconhece que este ano o comércio internacional não vai crescer, e no caso dos países latino-americanos que dependem das exportações de café, sofrerão uma contração. A fome imperante na Guatemala, Honduras e Nicarágua é apenas o primeiro aviso do que pode acontecer. Como sempre, os países industrializados estão melhor protegidos, porque mesmo com uma queda na atividade financeira e nos lucros das empresas de seguros, turismo e transporte aéreo, encontrarão o remédio na própria doença. Um exemplo: os EUA, cujos gastos de defesa estão no patamar dos 300 bilhões de dólares por ano, agora terão sua economia impulsionada justamente pelo aumento dessas despesas. Isso poderia explicar muito bem o comportamento belicoso de Washington e seus aliados. Contudo, o bilhão e 300 milhões de pessoas no mundo que vivem com menos de um dólar diário, em breve serão acompanhadas por mais 200 milhões. As coisas vão piorar tanto que, talvez, comecem então a melhorar. *DESCONSIDERANDO AS LIÇÕES DA HISTÓRIA, COLIN POWELL FAZ VISITA PROVOCADORA AO PAQUISTÃO Em 28 de setembro passado cumpriu-se um ano do começo da segunda Intifada palestina, desencadeada pela visita provocadora do ultra-direitista israelense Ariel Sharon ao lugar sagrado da Esplanada das Mesquitas, em Jerusalem. Esse acontecimento acendeu novamente o fogo no Oriente Médio, com custo notável em vidas humanas e prejuizos econômicos para ambas as partes, embora as conseqüências piores fossem para a população civil palestina, ante a indiferença de boa parte do planeta. Ignorando as lições desse incidente, agora o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, começa uma visita ao Paquistão e à Índia, uma área que está vivendo uma situação extremamente precária ocasionada, justamente, pelas pressões da Casa Branca para que se somem à aventura bélica contra a população do vizinho Afeganistão. As primeiras informações indicam que a visita de Powell objetiva mediar entre o Paquistão e a Índia, para tratar de evitar uma fissura em sua chamada Frente contra o Terrorismo. Contudo, a região é tão volátil que, mais do que evitar um problema, o que o chefe da diplomacia norte-americana pode conseguir é tocar fogo na região, muito instável. No Paquistão, por exemplo, existem grupos radicais que ameaçam seriamente o governo atual. A Casa Branca não deve esquecer que este é um dos países da região que tem armamento nuclear, e que uma viragem na situação política interna poderia colocar esse arsenal em mãos irresponsáveis ou radicais, e isso significaria uma ameaça grave para a quase liquidada paz mundial. Se não fosse que Colin Powell tem dado mostras de suas qualidades como estrategista, poderia pensar-se que se trata simplesmente de uma visita motivada pela imprudência, a prepotência e a sede de vingança que movem as ações atuais dos EUA. Consideramos, contudo, que remexer as já agitadas águas no centro da Ásia, brincar com fogo em meio a um incêndio, tem outros propósitos. Por trás disso esconderia-se, por exemplo, criar uma situação tão grave que levasse a uma intervenção militar em grande escala nessa área, fato que deixaria graves seqüelas políticas e sociais, como aconteceu na zona do Golfo. Seja qual for o resultado, a visita do alto funcionário norte-americano já foi alvo de uma forte rejeição, que acontece justamente quando o mundo parece ir acordando pouco a pouco e pipocam as mostras de oposição à guerra contra a inocente população civil do Afeganistão. No final da semana viu-se como, na América Latina, Europa e Ásia, crescia o repúdio ao ato de vingança executado por Washington, e como cresce também o clamor contra a guerra, à medida que o mundo vê o terror desencadeado pelas bombas, bem pouco inteligentes aliás, que os EUA estão lançando contra um dos países mais pobres do mundo. A esperança é que esse clamor continue crescendo, e consiga abafar o estrondo das armas e as intenções belicosas norte-americanas. (c) 2001 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. Todos os direitos reservados. ================================================================= NY Transfer News Collective * A Service of Blythe Systems Since 1985 - Information for the Rest of Us 339 Lafayette St., New York, NY 10012 http://www.blythe.org e-mail: nyt@blythe.org ================================================================= rhc-por-20828 2001-Oct-17 01:40:55