Radio Havana Cuba-08 de outubro 2001 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 08 de outubro 2001 . *JORNAL GRANMA DENUNCIA QUE ATAQUE AO AFEGANISTÃO NÃO É GUERRA CONTRA O TERRORISMO, E SIM A FAVOR DO TERRORISMO *ATAQUES CONTRA AFEGANISTÃO CONTINUAM PELO SEGUNDO DIA CONSECUTIVO *COMUNIDADES ISLÂMICAS REJEITAM ATAQUES *PROMOTORA PANAMENHA PEDE ENTRAR COM PROCESSO CONTRA O TERRORISTA LUIS POSADA CARRILES *FIDEL CASTRO PRESTIGIA ABERTURA DO CONGRESSO DE JORNALISTAS LATINO-AMERICANOS E CARIBENHOS EM HAVANA *HOMENAGENS AO GUERRILHEIRO HERÓICO ERNESTO CHE GUEVARA *MINISTRO SECRETÁRIO DA PRESIDÊNCIA DO BRASIL DE VISITA EM CUBA *Comentario: A GUERRA COMEÇOU (Granma) . *JORNAL GRANMA DENUNCIA QUE ATAQUE AO AFEGANISTÃO NÃO É GUERRA CONTRA O TERRORISMO, E SIM A FAVOR DO TERRORISMO Havana, 8 de outubro (RHC)--Editorial intitulado "A Guerra Começou," publicado nesta segunda-feira pelo jornal cubano Granma, analisa o ataque militar dos EUA contra o Afeganistão. Sejam quais forem os pretextos - afirma o editorial - trata-se de uma guerra da tecnologia mais sofisticada contra os que não sabem ler nem escrever. É uma guerra dos mais desenvolvidos contra os menos desenvolvidos, dos mais ricos contra os mais pobres, dos que se julgam civilizados contra os que eles consideram atrasados e bárbaros. Não é uma guerra contra o terrorismo, é uma guerra a favor do terrorismo, sustenta o editorial publicado no jornal Granma. EM FOCO oferecemos o editoral na íntegra. *ATAQUES CONTRA AFEGANISTÃO CONTINUAM PELO SEGUNDO DIA CONSECUTIVO Havana, 8 de outubro (RHC)--Os ataques dos EUA e Grã-Bretanha contra o Afeganistão continuam pelo segundo dia consecutivo. A CNN divulgou imagens, nesta segunda-feira, sobre a atividade da defesa anti-áerea nos arredores de Cabul. O secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, declarou sentir-se satisfeito com os resultados dos primeiros bombardeios e admitiu que um número não determinado de soldados dos EUA se encontra no Afeganistão. Outras notícias revelam que pelo menos 90 membros das forças especiais norte-americanas se uniram à Aliança Norte, opositora ao regime talibã. Os norte-americanos amanheceram hoje em estado de alerta, ordenado pelo Bureau Federal de Investigações dos EUA, que teme novos atos terroristas em retaliação contra os ataques com mísseis. Por sua vez, a Grã-Bretanha reforçou as medidas de segurança em Londres por temor a represálias, enquanto isso, na cidade filipina de Zamboanga explodiram três bombas de fabricação caseira em três hotéis, ao parecer em rechaço aos ataques contra o Afeganistão. Em Luxemburgo, os ministros do Exterior da União Européia resolveram se reunir na próxima quinta-feira para acompanhar a situação após a agressão contra território afegão. Por sua vez, agentes secretos franceses se encontram no Afeganistão em contato com a Aliança do Norte, adversária dos talibãs. Os primeiros ataques lançados no domingo deixaram saldo de 25 mortos e número não determinado de feridos, segundo a agência de notícias AIP, do Afeganistão. *COMUNIDADES ISLÂMICAS REJEITAM ATAQUES Havana, 8 de outubro (RHC)--Várias comunidades islâmicas rejeitaram os ataques contra o Afeganistão, principalmente na Índia e no Paquistão. Neste último país, a violenta repressão policial aos indignados manifestantes deixou um morto e oito feridos. Em Jakarta, o Movimento da Juventude Islâmica da Indonésia avisou que mandará mais de 3 000 voluntários ao Afeganistão para aderirem à Guerra Santa contra os EUA e a Grã-Bretanha. Por sua vez, o governo do Sudão condenou os ataques e exortou a por fum à guerra contra um país muçulmano.A população iraniana manifestava abertamente nesta segunda-feira seu rechaço aos ataques contra o país vizinho, e as autoridades da Índia não permitiram a utilização de seu espaço aéreo e instalações pela coalização liderada por Washington em sua guerra contra o Afeganistão. O movimento fundamentalista palestino Hamas disse que os bombardeios foram um ataque contra sua religião e os muçulmanos. O emir de Catar, Hamad Ben Jalifa Al Thani, em conversa telefônica com o presidente francês, Jacques Chirac, questionou a atitude dos EUA e da Grã-Bretanha ao iniciarem seus ataques contra território afegão. *PROMOTORA PANAMENHA PEDE ENTRAR COM PROCESSO CONTRA O TERRORISTA LUIS POSADA CARRILES Havana, 8 de outubro (RHC)--A promotora panamenha Argentina Barrera solicitou entrar com processo contra o conhecido terrorista Luis Posada Carriles por delitos de terrorismo, associação ilícita para delinquir, posse de explosivos e por atentar contra a segurança interna do estado. Igualmente, pediu julgar Guillermo Novo, Gaspar Jiménez e Pedro Remón que, juntamente com Posada Carriles, estão detidos no Panamá desde 17 de novembro passado por prepararem plano para assassinar o presidente Fidel Castro, durante a Cimeira Ibero-Americana. O pedido da promotora foi divulgado 48 horas depois de o governo da Venezuela ter anunciado formalmente que vai solicitar a extradição de Luis Posada Carriles, mentor do ataque terrorista que provocou a explosão em vôo de um avião de passageiros cubano em 1976 matando as 73 pessoas a bordo. *FIDEL CASTRO PRESTIGIA ABERTURA DO CONGRESSO DE JORNALISTAS LATINO-AMERICANOS E CARIBENHOS EM HAVANA Havana, 8 de outubro (RHC)--O presidente Fidel Castro prestigiou a abertura do Congresso Latino-Americano e Caribenho de Jornalistas, no Palácio das Convenções de Havana. Participam 270 comunicadores procedentes de 129 países e 100 jornalistas cubanos. A cerimônia começou com grande ovação em recordação do Guerrilheiro Heróico, comandante Ernesto Che Guevara, por ocasião do 34º aniversário de sua morte. Túbal Páez, presidente da União de Jornalistas de Cuba, manifestou em seu discurso de abertura o rechaço dos jornalistas cubanos à guerra como meio para resolver as divergências entre os países, e lamentou que este congresso tenha lugar nas circunstâncias que vive o mundo, hoje. *HOMENAGENS AO GUERRILHEIRO HERÓICO ERNESTO CHE GUEVARA Havana, 8 de outubro (RHC)--Centenas de estudantes nicaraguenses tributaram homenagem em Manágua a Ernesto Che Guevara por ocasião do 34º aniversário de sua morte na Bolívia, e colocaram flores junto ao monumento que recorda o guerrilheiro nessa capital. Externaram, também, sua condenação à guerra no Afeganistão. Alunos da Universidade Centro-Americana realizaram na véspera velada cultural com mais de 12 horas contínuas de canções revolucionárias. Por sua vez, os camponeses nicaraguenses ofereceram uma missa ao guerrilheiro, durante a qual o sacerdote Antonio Castro disse que Che Guevara é um modelo para a juventude de qualquer ideologia e credo porque defendeu os pobres. No México e Cuba também se realizaram atos em homenagem ao Guerrilheiro Heróico. Na cidade argentina de Rosário, onde nasceu o Che, haverá uma tribuna anti-imperialista na terça-feira, organizada pelo grupo de Solidariedade a Cuba. *MINISTRO SECRETÁRIO DA PRESIDÊNCIA DO BRASIL DE VISITA EM CUBA Havana, 8 de outubro (RHC)--O ministro secretário da Presidência do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira externou preocupação porque pessoas inocentes morram nos ataques iniciados pelos EUA e Grã-Bretanha contra o Afeganistão. Em declarações na província cubana de Matanzas, disse que o terrorismo deve ser condenado e suas bases desmanteladas, mas no seu entendimento, o mais eficaz para lutar contra esse flagelo são as relações internacionais equilibradas. O dirigente brasileiro, de visita em Cuba, esteve ontem na cidade de Cárdenas onde conheceu o museu da Batalha de Idéias e as instalações turísticas da praia de Varadero em companhia do vice-presidente cubano Carlos Lage. Após percorrer várias instalações petrolíferas da província de Matanzas, Nunes Ferreira anunciou a possibilidade de potenciar a colaboração entre o Brasil e Cuba no ramo do petróleo, e adiantou que havia contatos permanentes entre a Petrobrás e a empresa Cuba-Petróleo. *Comentario: A GUERRA COMEÇOU (Granma) A guerra começou ontem às 21 h, hora do Afeganistão. Mais do que a guerra, o ataque militar contra o Afeganistão. A palavra guerra sugere uma contenda entre partes mais ou menos iguais, na que a mais fraca disponha, pelo menos, de mínimos recursos técnicos, financeiros e econômicos para defender-se. Neste caso, uma das partes não tem nada. Mesmo assim, vamos chamá-la guerra. Assim a qualificou quem ordenou as operações militares.Um tipo de guerra realmente singular. Um país todo é transformado em campo de testes das mais modernas armas inventadas até hoje. Os especialistas e experts, que investiram dezenas de bilhões de dólares nos centros de pesquisa e oficinas militares, acompanharão cada detalhe do comportamento de suas sinistras criaturas. Sejam quais forem os pretextos, é uma guerra da tecnologia mais sofisticada contra os que não sabem ler nem escrever; de 20 trilhões de dólares de Produto Interno Bruto por ano contra um país que produz mil vezes menos. Acabará se transformando, por razões econômicas, culturais e religiosas, em uma guerra dos antigos colonizadores contra os antigos colonizados, dos mais desenvolvidos contra os menos desenvolvidos; dos mais ricos contra os mais pobres; dos que se autoproclamam civilizados contra os que eles consideram atrasados e bárbaros. Não é uma guerra contra o terrorismo, que devia e podia ser derrotado por outros meios realmente eficazes, rápidos e duradouros, que estavam a nosso alcance. É uma guerra a favor do terrorismo cujas operações militares vão complicá-lo e sua eliminação será ainda mais difícil. Um medicamento pior do que a doença. Agora choverão notícias sobre bombas, mísseis, ataques aéreos, avanço de blindados com tropas de etnias aliadas aos invasores, desembarques aéreos ou avanços por terra de tropas elites dos países atacantes; cidades tomadas, inclusa a capital, em tempo mais ou menos breve, imagens por televisão de quanto permita a censura, ou escape da mesma. Os combates serão contra os naturais do país e não contra os terroristas. Não batalhões nem exércitos de terroristas. O terrorismo é um método tenebroso, um conceito sinistro de luta, um fantasma. Os fatos mencionados serão acompanhados de triunfalismo, exaltações chauvinistas, e outras expressões de arrogância e de espírito de superioridade cultural e racial. Depois virá a grande pergunta: cessará a resistência, desaparecerão todas as contradições, ou começará a verdadeira guerra, aquela que foi definida como longa e interminável? Temos certeza de que essa é a grande pergunta que levam dentro os que, hoje, se gabam de ter-se jogado nessa guerra aventureira. Milhões de refugiados se espalham por todas as partes e as dificuldades maiores ainda estão por chegar. Esperemos os acontecimentos. Nosso povo será informado com a máxima objetividade de cada um dos fatos, com maior ou menor espaço na imprensa, rádio e televisão, de acordo com sua importância, sem alterar o ritmo de nossas atividades e programas normais de informação e recreação, e muito menos descuidar dos enormes esforços de desenvolvimento social e cultural que estamos levando para frente, das atividades produtivas e dos serviços. Hoje, é mais importante do nunca atender cuidadosamente as atividades já mencionadas, dados os prejuízos que os acontecimentos podem ocasionar a já deteriorada economia mundial, de cujos efeitos não poderia escapar nenhuma país, ainda que não há outro mais preparado, organizado e ciente do que o nosso para enfrentar-se a qualquer dificuldade que apareça. Também não deixaremos de prestar atenção à defesa, como nunca deixamos de fazê-lo. De novo, veremos no mundo hesitações e pânico. Depois, à medida que vão se apresentando os problemas previsíveis, virá a tomada de consciência e o rechaço universal à guerra que acaba de começar. Até os próprios cidadãos norte-americanos, hoje impactados pela horrível tragédia, vão compreendê-lo mais cedo, ou mais tarde. Embora a oposição e a condenação ao terrorismo e à guerra, que tem sido a essência de nossa posição - hoje compartilhada por muitas pessoas no mundo- tenha sofrido o esperado golpe do início das operações militares, persistiremos lutando com todas as nossas forças pela única solução possível: a cessação das operações militares e a erradicação do terrorismo através da cooperação e do apoio de todos os países, o repúdio e a condenação unânimes da opinião pública internacional, sob a direção da Organização das Nações Unidas. (c) 2001 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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