Radio Havana Cuba-13 de novembro 2001 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 13 de novembro 2001 . *CHANCELER CUBANO AFIRMA QUE TERRORISMO SÓ PODERÁ SER DERROTADO SOB LIDERANÇA DA ONU *CUBA COMUNICA SEUS PÊSAMES AOS EUA E REPÚBLICA DOMINICANA PELO ACIDENTE AÉREO EM NOVA YORK *ENCONTRO HEMISFÉRICO DE LUTA CONTRA ALCA COMEÇA EM HAVANA *ALIANÇA DO NORTE ENTRA EM CABUL *A ILHA SE RESTABELECE APÓS FURACÃO *CUBA PARABENIZA CHINA PELA ENTRADA NA OMC *MINISTRO DE TURISMO AFIRMA QUE CUBA ESPERA RECEBER TRÊS MILHÕES DE TURISTAS ATÉ O ANO 2005 Comentario: *LUTA CONTRA O TERRORISMO DEVE VIR ACOMPANHADA PELA LUTA CONTRA AS DESIGUALDADES . *CHANCELER CUBANO AFIRMA QUE TERRORISMO SÓ PODERÁ SER DERROTADO SOB LIDERANÇA DA ONU Havana, 13 novembro (RHC).- O chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, exortou na ONU a parar a guerra no Afeganistão e aos Estados Unidos a admitirem que erraram em sua injustificável campanha de bombardeios. Ao falar perante a Assembléia Geral das Nações Unidas, Pérez Roque advertiu que a guerra no Afeganistão é uma matança interminável de um povo faminto e indefeso e corre o risco de se transformar em genocídio. O chanceler cubano clarificou que a palavra de Cuba não se sustenta em sentimentos de rancor pelos Estados Unidos, e sim em sincero espírito construtivo e de respeito e amizade ao povo norte-americano, vítima do injustificável e atroz ato terrorista de 11 de setembro passado. O ministro das Relações Exteriores de Cuba renovou a posição de Cuba contra o terrorismo e contra a guerra e frisou que a ação bélica dirigida pelos Estados Unidos não era, não é e não será nunca o caminho para erradicar esse flagelo. Felipe Pérez Roque rejeitou, também, a declaração dos Estados Unidos ao Conselho de Segurança da ONU, na que ameaçou reservar-se o direito de atacar outros países no encalço de terroristas, em detrimento da soberania e segurança dos povos. "Só sob a liderança da ONU o terrorismo poderá ser derrotado", sentenciou o ministro cubano. E ponderou que a cooperação em lugar da guerra é o caminho, e o método é a articulação de ações e não a imposição. Por isso Cuba - apontou- já ratificou os doze tratados e convenções da ONU sobre terrorismo, o marco legal para combatê-lo. *CUBA COMUNICA SEUS PÊSAMES AOS EUA E REPÚBLICA DOMINICANA PELO ACIDENTE AÉREO EM NOVA YORK Havana, 13 novembro (RHC).- O governo de Cuba enviou na véspera mensagem de condolências e solidariedade aos povos dos EUA e República Dominicana, alguma horas depois do desastre da Americam Airlines, cuja aeronave Airbus-300 caiu no bairro Queens de Nova York segunda-feira de manhã com 255 pessoas a bordo, a maioria de nacionalidade dominicana. O sinistro ocasionou 260 mortos e seis desaparecidos. A mensagem foi divulgada durante a habitual mesa-redonda da televisão cubana. A atitude de Cuba reitera a assumida a 11 de setembro passado, após os ataques terroristas em Nova York e Washington, quando o governo de Havana condenou os atentados e repudiou o terrorismo como método de luta, oferecendo ajuda médica e humanitária às vítimas, nos EUA. *ENCONTRO HEMISFÉRICO DE LUTA CONTRA ALCA COMEÇA EM HAVANA Havana, 13 novembro (RHC).- O Encontro Hemisférico de Luta contra a ALCA- Área de Livre Comércio das Américas- foi aberto nesta terça-feira, no Palácio das Convenções de Havana, sob os auspícios de 14 organizações sociais cubanas e a Aliança Social Continental. Cerca de 400 delegados de 37 países da região estão presentes na reunião, convocada para articular crescente e convergente movimento social americano contra as verdadeiras pretensões anexionistas do projeto ALCA. Sob o lema: ALCA NÃO, outra América é possível, os trabalhos a serem apresentados versam sobre as experiências de lutas na América Latina e o Caribe contra a política neoliberal e seus efeitos, a pobreza, a marginalização social e a injusta ordem econômica mundial. No entendimento dos organizadores, a reunião de Havana se insere nas grandes batalhas como as que estremeceram as cidades de Seattle, Quebec e Gênova, e será a continuação dos trabalhos do Fórum Social de Porto Alegre. *ALIANÇA DO NORTE ENTRA EM CABUL Havana, 13 novembro (RHC).- A oposição afegã entrou na madrugada de terça-feira em Cabul, abandonada durante a noite pelos talibãs, segundo meios de imprensa. A Aliança do Norte sustenta que a maioria de suas tropas continua nas imediações da capital afegã. As fontes informam que após cinco anos de proibição talibã, a rádio afegã começou a transmitir música de novo, e dezenas de homens cortavam a barba para não ser confundidos com estudantes do Corã. Porta-vozes do exilado rei do Afeganistão, Mohamed Zaher, Shab disseram que a Aliança do Norte quebrou a promessa feita ao entrar em Cabul, após a retirada das tropas talibãs.Igualmente, manifestaram esperança em que só teriam entrado na capital para manter a segurança e não para tomar o poder. O Paquistão declarou que Cabul deve permanecer como zona desmilitarizada. Por sua vez, a Rússia acha que a prioridade, agora, é instalar um governo multiétnico estável. China, de seu lado, renovou a necessidade de instalar no Afeganistão um governo de vasta base que viva em paz com seus vizinhos, e pediu atuação ativa da ONU no país centro-asiático. Entrementes, milhares de combatentes anti-talibã avançavam em direção da cidade de Qandahar, no sul do Afeganistão, base do Taleban, após terem ocupado um aeroporto perto do lugar, afirmam testemunhas. Segundo a agência de notícias iraniana IRNA, Ossama Bin Ladem e os altos oficiais do Taleban estão sãos e salvos e rumaram para o sul. Soube-se que o embaixador talibã no Paquistão abandonou Islamabad em direção à cidade de Qandahar. *A ILHA SE RESTABELECE APÓS FURACÃO Havana, 13 novembro (RHC).- A vice-ministro da Saúde de Cuba, Yamila de Armas, afirmou que já estão funcionando todos os hospitais em Cuba e explicou que o furacão afetara instalações sanitárias em oito províncias. A vice-ministro sublinhou que não houve epidemias porque se conseguiu manter a qualidade da água de consumo, o saneamento ambiental, a higiene na manipulação de alimentos e o controle de vetores. Igualmente, foi restabelecida a rede de microonda digital, que tinha sido interrompida com a queda da torre de Jacán, em Matanzas, e a televisão nacional já está transmitindo em todas as províncias do país. *CUBA PARABENIZA CHINA PELA ENTRADA NA OMC Havana, 13 novembro (RHC).- O governo de Cuba parabenizou a China por sua entrada na OMC-Organização Mundial do Comércio- e garantiu que se trata de importante passo qualitativo na análise dos graves problemas que defronta o comércio internacional. A mensagem cubana foi comunicada pelo ministro Ricardo Cabrisas a funcionários chineses durante a conferência da OMC em Doha, capital de Catar. Cabrisas explicou que não se podia falar em uma organização mundial sem a presença de um país como a China, que reúne cerca da quinta parte dos consumidores do planeta. A China, por sua vez, agradeceu o apoio das autoridades da Ilha durante os quinze anos que duraram as diligências para sua entrada na OMC. *MINISTRO DE TURISMO AFIRMA QUE CUBA ESPERA RECEBER TRÊS MILHÕES DE TURISTAS ATÉ O ANO 2005 Havana, 13 novembro (RHC).- O ministro de Turismo cubano, Ibrahim Ferradaz, declarou em coletiva de imprensa em Paris que seu país calcula receber cerca de três milhões de turistas no ano 2005 em relação a 1,7 milhão do ano 2000. Ferradaz frisou que Cuba deseja desenvolver o turismo e disse estar confiante em que o número de turistas vai aumentar durante a temporada de inverno, considerada alta na Ilha. Neste ano - recordou o ministro- a taxa de crescimento foi menor que a estimativa devido à tensa atmosfera provocada pelos atentados de setembro passado, nos EUA, e a consequente crise registrada no setor do transporte aéreo civil. Comentario: *LUTA CONTRA O TERRORISMO DEVE VIR ACOMPANHADA PELA LUTA CONTRA AS DESIGUALDADES Embora longe da unidade política exigida pelos tempos atuais, a América Latina conseguiu externar uma mensagem coerente no 56º período de sessões da Assembléia Geral da ONU. Com lógica variedade de matizes, vários líderes políticos da região coincidiram em que a luta contra o terrorismo não terá sucesso, se não forem combatidas, também, as causas que lhe dão origem. O caminho rumo ao futuro requer que as forças da globalização sejam aproveitadas na busca da paz duradoura, sustentada não pelo medo, e sim pela aceitação voluntária de uma ordem internacional justa, indicou Fernando Henrique Cardoso, presidente do Brasil. Nessa direção, o mandatário colombiano, Andrés Pastrana, disse que a globalização é uma realidade de assimetrias que tem levado ao descontentamento e ao conflito. Por sua vez, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sublinhou que a luta contra o terrorismo deveria se transformar numa guerra contra a guerra, ou seja, no alcance da paz. Seu homólogo chileno, Ricardo Lagos, admitiu que o que hoje torna vulneráveis nossos cidadãos, além do terrorismo, são fenômenos como a ignorância, a fome, o tráfico de drogas, as mudanças climáticas e os movimentos descontrolados da população. Em termos semelhantes expressou-se o governante mexicano, Vicente Fox, ao indicar que as novas ameaças à paz e à segurança surgem, também, de conflitos internos que tem efeitos além das fronteiras. Entre esses efeitos mencionou o deslocamento massivo de pessoas, as tragédias humanas, as violações graves dos direitos humanos e o acirramento de sentimentos nacionalistas ou de fanatismos religiosos. Para o mandatário peruano, Alejandro Toledo, é urgente reduzir as despesas militares na América Latina e o mundo, para dedicar o dinheiro poupado à luta frontal contra a pobreza que, junto à corrupção e ao narcotráfico, conspira contra a democracia. Nesse contexto, o presidente Fernando de la Rúa, da Argentina, acredita que o enfoque do terrorismo estaria incompleto se desconsiderasse a existência de fatores que realimentam sua subsistência. A distribuição econômica desigual provoca frustração e desespero em amplos segmentos carentes, e gera condições para o surgimento de conflitos e enfrentamentos, sobre os quais operam os fundamentalismos de vários tipos, indicou De la Rúa. O chefe de Estado guatemalteco, Alfonso Portillo, sublinhou que o combate à violência é a luta contra a desigualdade nas relações econômicas internacionais. Certamente, todos esses pontos de vista espelham uma tomada de consciência, a compreensão de que nas desigualdades econômicas e sociais está a semente do terrorismo. Porém, esse passo de avanço deve, a partir de agora, ultrapassar os limites da retórica. Os mais de 225 milhões de latino-americanos vítimas desse terrorismo econômico e social silencioso estão à espera. (c) 2001 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. Todos os direitos reservados. ================================================================= NY Transfer News Collective * A Service of Blythe Systems Since 1985 - Information for the Rest of Us 339 Lafayette St., New York, NY 10012 http://www.blythe.org e-mail: nyt@blythe.org ================================================================= rhc-por-31679 2001-Nov-13 21:00:03