Radio Havana Cuba-11 de maio 2001 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 11 de maio 2001 . *PRESIDENTE CASTRO E O PREMIER DA MALÁSIA SUSTENTAM CONVERSAÇÕES *PRÊMIO INTERNACIONAL PARA A RAINHA DA MÚSICA CAIPIRA CUBANA *TURISTAS EM CUBA TÊM SÓLIDAS ALTERNATIVAS CULTURAIS *Comentario: A REALIDADE NEGA ILUSÕES OTIMISTAS . *PRESIDENTE CASTRO E O PREMIER DA MALÁSIA SUSTENTAM CONVERSAÇÕES O Presidente Fidel Castro e o premier malaio Mahathir Mohamad sustentaram conversações oficiais em Putrajaya, capital administrativo da Malásia. O Chefe de Estado cubano e o governante malaio tiveram uma reunião de trabalho depois de o visitante ter sido recebido oficalmente na sede do Parlamento pelo rei, Sultão Salahuddiu Abdul Azis Shah. No auditório do hotel Renaissance, onde se hospeda, Fidel Castro deu uma palestra sobre globalização e a situação internacional, auspiciada pelo Instituto de Diplomacia e Relações Internacionais da Malásia. Ao encontro assistiram 450 personalidades do governo, ministério das Relações Exteriores, diplomatas, acadêmicos e a imprensa. Na abordagem do tema, o líder cubano analisou a dramática situação das nações do Terceiro Mundo, as desigualdades cada vez maiores entre ricos e pobres e o poder que concentram nas mãos os grandes meios de comunicação que manipulam as realidades nacionais, entre outros tópicos. "Me limito a dizer que o neoliberalismo tem sido um desastre para a maioria dos países do mundo, especialmente para a região que eu mais conheço, que é a América Latina," frisou Fidel Castro na palestra. A globalização -disse- nos conduz a isso ao que chamamos de globalização neoliberal. Não é a globalização do apoio entre a cooperação internaconal, não é a globalização onde o mundo mais rico e mais desenvolvido apóia a fatia mais pobre... Hoje à noite, o rei malaio recebeu em audiência o presidente cubano no Palácio real de Istana Negara. Os dois governos assinaram acordo de cooperação econômica, científica, técnica e cultura. A delegação oficial cubana capitaneada por Fidel Castro chegou quinta-feira à noite a Kuala Lumpur, capital da Malásia, como parte de um périplo por países do Oriente Médio e Ásia. Cuba e a Malásia estabeleceram relações diplomáticas em fevereiro de 1975 e nos últimos anos potenciaram seus vínculos dentro da cooperação sul-sul. Mahathir Mohamad, primeiro-ministro, é um dos dirigentes mais notáveis da região e do Terceiro Mundo por suas posições firmes a favor dos direitos das nações do Sul. Sob sua direção, a Malásia se recuperou na época da crise financeira asiática de 1997 sem as recomendações do Fundo Monetário Internacional. *PRÊMIO INTERNACIONAL PARA A RAINHA DA MÚSICA CAIPIRA CUBANA A rainha da música caipira cubana, Celina González, recebeu em Havana o Prêmio Internacional Fernando Ortiz por 50 anos de vida artística e difusão da música caipira. Miguel Barnet, escritor e diretor da Fundação Fernando Ortiz, disse que para ele era uma grande honra entregar o prêmio a uma genuína orquídea cubana.O prêmio, explicou Barnet, consiste em uma campainha utilizada nos ritos religiosos dos jorubás e se entrega a pesquisadores que contribuiram para os estudos das ciências sociais e cultura popular. Éa primeira vez que se concede a um artista. *TURISTAS EM CUBA TÊM SÓLIDAS ALTERNATIVAS CULTURAIS O ministro da Cultura Abel Prieto afirmou em Havana que os turistas têm alternativa cultural sólida na Ilha. O ministro elogiou a estratégia cubana de desenvolvimento do turismo, que dá prioridade a cultura nacional. "É muito saudável oferecer aos turistas uma visão plural da cultura autóctone," ponderou. O ministro participou de painel sobre Cultura e Turismo, dentro das atividades da Convenção de Turismo 2001, que finaliza hoje na capital cubana. O encontro congregou 2500 representantes de 43 países nas áreas do Forte Morro-Cabaña. *Comentario: A REALIDADE NEGA ILUSÕES OTIMISTAS O diretor do Fundo Monetário Internacional Horst Koehler é um sujeito otimista, talvez mais do que Voltaire. Apoiado nessa filosofia, Koehler vaticinou futuro brilhante para os países latino-americanos e estima que a Argentina conseguirá sair de sua grave crise. No entendimento do financista alemão, a América Latina está melhor agora do que faz 10 ou 20 anos atrás, naturalmente graças ao trabalho do FMI. "Os países da região abraçaram a democracia, abriram seus mercados e há estabilidade macroeconômica. Este são os alicerces de um bom futuro," garantiu o diretor do Fundo Monetário. É claro que Koehler admitiu a existência de um elevado nível de pobreza na América Latina e que alguns países são muito vulneráveis à volatilidade dos mercados. Quanto à Argentina, Koehler disse que, ali, tinham tomado medidas para debelar "a crise econômica com uma orientação pró mercado." O ministro da Economia, Domingo Cavallo, afirmou que seu enfoque se baseia na disciplina fiscal, respeito ao direito da proriedade e criação de uma atmosfera sólida para o investimento e o crescimento, comentou Koehler em Washington. Infelizmente, a realidade nega as ilusões de Koehler. Basta recordar que no começo da década de 80 havia 135 milhões de pessoas na América Latina mergulhadas na pobreza e o hoje são 224 milhões. Os programas de ajuste neoliberais, que o FMI e o Banco Mundial recomendam e checam rigorosamente, baixaram os índices inflacionários mas aumentaram o desemprego e as dívidas das nações latino-americanas. Se os anos 80 foram para a América Latina a Década Perdida, podemos sustentar que os 90 resultaram a Década Frustrada. Os índices de crescimento econômico foram insuficientes, a dependência externa aumentou e a produtividade permaneceu baixa, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe. Números conservadores revelam que o desemprego flagela quase 20 milhões de pessoas. Além disso, a América Latina é a região que ostenta a mais injusta distribuição das riquezas, no mundo. A perda dos empregos por consequência das privatizações desvalorizou o capital humano. Atualmente, o desprotegido mercado informal abocanha cerca de 50% da força de trabalho nas zonas urbanas e porcentagens ainda mais elevadas nas zonas rurais. A população sente-se insegura, indefesa e pessimista quanto ao futuro em um continente que deve aos credores nada mais e nada menos do que 700 bilhões de dólares. (c) 2001 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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