Radio Havana Cuba-04 de dezembro 2001 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 04 de dezembro 2001 . *A MAIOR HONRA DE TODAS É COMBATER PELA SAÚDE HUMANA, AFIRMA FIDEL *CUBA E EUA SUSTENTAM NOVA RODADA DE CONVERSAÇÕES MIGRATÓRIAS *FÓRUM DE SÃO PAULO COMEÇA EM HAVANA *INAUGURADO FESTIVAL INTERNACIONAL DO CINEMA NOVO LATINO-AMERICANO *ACORDO NA CONFERÊNCIA DE BONN PARA FORMAR GOVERNO NO AFEGANISTÃO *ATAQUES AÉREOS DE ISRAEL SOBRE GAZA E CISJORDÂNIA *ACORDOS DE COLABORAÇÃO ENTRE CUBA E VIETNÃ Comentario: *O ENCONTRO MAIS IMPORTANTE DA ESQUERDA LATINO-AMERICANA E CARIBENHA COMEÇA HOJE EM HAVANA . *A MAIOR HONRA DE TODAS É COMBATER PELA SAÚDE HUMANA, AFIRMA FIDEL Havana, 4 dezembro (RHC)-- A criação da Escola Latino-Americana de Ciências Médicas de Havana representa formosa realidade para fortalecer a cooperação cubana com o desenvolvimento da medicina em outras nações da região, afirmou o presidente Fidel Castro ao discursar, na 2ª-feira, em Tribuna Aberta pelo Dia da Medicina Latino-Americana, nesse centro de estudos. O primeiro mandatário recordou que a escola foi criada depois do furacão Mitch, que castigara severamente muitas nações centro-americanas, e o propósito de sua fundação foi o fortalecimento dos serviços médicos e o preparo de pessoal nesses países. Fidel Castro recordou que Cuba conta com 67 128 médicos e três mil deles prestam serviços em outras nações. "Incutiram-se nos médicos cubanos a consciência e a disposição de ir a lugares difíceis para prestar serviços e ajudar seres humanos, vítimas de uma medicina muitas vezes comercial à que não têm acesso," afirmou. O líder cubano explicou que os progressos no setor da medicina permitiram que o país possa ostentar, hoje, uma taxa de mortalidade infantil de apenas 6,29 para cada mil crianças nascidas vivas, o que deixa prever que o ano terminará com uma média de 6,3. Esta conquista - disse- foi possível apesar do período especial, dos furacões e do bloqueio. Em relação ao combate à AIDS, Fidel Castro lembrou que Cuba ofereceu o talento de seus cientistas e pesquisadores para a busca de soluções contra esse mal que contunde de maneira alarmante várias nações, especialmente africanas. "Os médicos, e os futuros médicos serão como soldados de primeira fileira no combate contra esta e muitas outras enfermidades, portanto, podemos sustentar que seu trabalho, junto ao do professor, ou cientista, representa uma contribuição inigualável para o ser humano. A maior honra de todas é combater pela saúde humana," sentenciou o presidente Fidel Castro. *CUBA E EUA SUSTENTAM NOVA RODADA DE CONVERSAÇÕES MIGRATÓRIAS Havana, 4 dezembro (RHC)-- Em Havana, Cuba e os EUA sustentaram nova rodada de conversações migratórias e se comprometeram a continuar cumprindo os acordos assinados na matéria em 1994 e 1995. A delegação cubana foi presidida por Ricardo Alarcón, presidente do Parlamento, e a norte-americana por James Carrahan, coordenador de Assuntos Cubanos do Departamento de Estado. "O encontro foi sério e predominou o respeito. Apesar de descumprimentos e manipulações, os acordos migratórios devem ser preservados porque são úteis e importantes, beneficiam a um considerável número de pessoas e permitem certa ordem nas relações migratórias entre os dois países," afirmou Alarcón. O chefe da delegação cubana explicou que os norte-americanos recusam-se a admitir que a Lei de Ajuste Cubano, aplicada desde 1966 por Washington, é o maior obstáculo para a implementação cabal dos compromissos assumidos pelos dois governos na matéria. Por meio dessa lei, qualquer cubano que chegue ao território norte-americano, por via ilegal, é admitido instantaneamente, o que estimula a emigração ilegal e o tráfico de pessoas, ao mesmo tempo, viola o espírito dos acordos migratórios. Delegações de Cuba e EUA se reúnem duas vezes por ano para checar os acordos. O próximo encontro será em Nova York, no primeiro semestre de 2002. *FÓRUM DE SÃO PAULO COMEÇA EM HAVANA Havana, 4 dezembro (RHC)-- Prestigiado pelo presidente Fidel Castro, o 10º encontro do Fórum de São Paulo foi aberto no Palácio das Convenções de Havana, nesta terça-feira. Mais de 380 delegados e convidados participam da maior reunião de partidos e organizações de esquerda da América Latina e o Caribe. Ao abrir o encontro, José Ramón Balaguer, membro do Bureau Político do Partido Comunista de Cuba, disse que a batalha da esquerda latino-americana, em nossos dias, é uma batalha de idéias contra os mitos que a globalização neoliberal trata de nos impor. Na presidência do Fórum também estavam presentes Ricardo Alarcón, presidente do Parlamento cubano, Felipe Pérez Roque, ministro das Relações Exteriores, e Carlos Lage, secretário executivo do Conselho de Ministros, assim como os máximos dirigentes de partidos e organizações de esquerda da Colômbia, El Salvador, Guatemala, Porto Rico, México, Uruguai, Guadalupe e Haiti. *INAUGURADO FESTIVAL INTERNACIONAL DO CINEMA NOVO LATINO-AMERICANO Havana, 4 dezembro (RHC)-- A 23ª edição do Festival Internacional do Cinema Novo Latino-Americano foi inaugurada segunda-feira à noite por Alfredo Guevara, presidente do evento. Guevara deu a bemvinda aos cineastas, que participam com mais de 400 obras na maior feira da imagem de Nossa América. "Nós mostramos a realidade do continente e contribuimos para renovar a identidade de nossos povos, todos unidos por essa utopia que se chama cinema," destacou Alfredo Guevara na abertura. A gala tributou homenagem póstuma ao ator cubano Adolfo Llauradó recentemente falecido. *ACORDO NA CONFERÊNCIA DE BONN PARA FORMAR GOVERNO NO AFEGANISTÃO Havana, 4 dezembro (RHC)-- Os delegados afegães que participam da Conferência de Bonn, Alemanha, debatem a distribuição dos cargos no futuro governo interino. A Aliança do Norte propôs o monarquista patane Hamid Karzai para encabeçar o governo interino do Afeganistão, que deve tomar posse uma semana depois da assinatura do acordo, prevista para quarta-feira. Segundo o aprovado segunda-feira à noite, se prevê a formação do governo interino e seis meses mais tarde haverá uma Grande Assembléia para indicar as autoridades permanentes, e o estacionamento em Cabul de uma força internacional. *ATAQUES AÉREOS DE ISRAEL SOBRE GAZA E CISJORDÂNIA Havana, 4 dezembro (RHC)-- Helicópteros israelenses atacaram a sede de Yasser Arafat na cidade de Ramalah e três mísseis cairam a poucos metros de distância do gabinete do líder palestino, que estava presente durante o ataque, mas saiu ileso. Na véspera, mísseis israelenses destruiram três helicópteros que utilizava Arafat para se deslocar pela faixa de Gaza, e na madrugada de hoje, tropas de Tel Avive destruiram a pista do aeroporto internacional de Gaza. Ministros do partido Trabalhista, ao qual pertence o chanceler Shimón Peres, estão aborrecidos com as últimas medidas ordenadas pelo premier Ariel Sharon, líder do direitista Partido Likud. A respeito, o ministro do Transporte, Efrain Sneh, sugeriu que os trabalhistas poderiam abandonar o governo de coalizão israelense. *ACORDOS DE COLABORAÇÃO ENTRE CUBA E VIETNÃ Havana, 4 dezembro (RHC)-- o Chefe de Estado Fidel Castro presidiu a assinatura de acordos de colaboração entre Vietnã e Cuba, por ocasião da visita do vice-premier executivo do governo vietnamita, Guyén Tan Dung, à Havana. Durante a cerimônia, foi assinado contrato de compra-venda de 250 mil toneladas de arroz vietnamita e acordo de produção popular e familiar do cereal em Cuba. Igualmente, firmaram-se convênios de cooperação no ramo eletrônico, inclusa a introdução da televisão digital na Ilha e a produção conjunta de televisores para exportá-los ao Caribe. Em declarações à imprensa, Fidel Castro comentou os vínculos que unem os dois povos e governos: "Não são relações de amizade, são relações de família, de irmãos, somos dois países irmanados, somos dois países que conquistamos o direito ao respeito e isso nos torna fortes. A amizade e a irmandade têm sido muito importantes para nós, nestes anos difíceis, quando desabou o campo socialista e o Vietnã nos ajudou, isso não se pode esquecer." Comentario: *O ENCONTRO MAIS IMPORTANTE DA ESQUERDA LATINO-AMERICANA E CARIBENHA COMEÇA HOJE EM HAVANA Passaram-se dez anos desde aquele terrível período em que os partidos e organizações de esquerda da América Latina e Caribe ficaram perdidos como crianças na escuridão. Entre tombos e tropeços, avanços e recuos, as forças mais progressistas da região continuaram seu caminho e sua luta em busca de um lugar no mundo em que nenhum problema tinha sido resolvido, onde nenhum rumo novo tinha sido marcado aos povos e todas as condições de exploração e miséria permanecem inalteráveis. Ainda que os da extrema-direita proclamaram o fim da história e a derrota definitiva de nossas sociedades que, segundo eles, entrariam em silêncio, como cordeiros, no abatedouro eterno sob os ditados imutáveis de um destino manifesto, a verdade é que, hoje em dia, podemos constatar para o assombro dos profetas do imobilismo, que a esquerda, a despeito de tudo, se move. E não deixou de se mover nunca, pois soube criar seus próprios espaços de reflexão, de análise e articulou ações para enfrentar o fluxo ideológico, comercial e cultural que chega do norte do continente. Um destes espaços, talvez o mais importante, é o denominado Fórum de São Paulo, cuja 10ª edição se realiza em Havana, a partir de hoje, com a participação de 320 delegados, que representam dezenas de organizações e partidos políticos de esquerda, e que terão como convidados representantes dos Estados Unidos, Canadá, Europa, África e Ásia. As mudanças drásticas acontecidas no planeta a partir de 11 de setembro passado, quando o imperialismo encontrou o pretexto para se expandir, se somam aos já antigos problemas acumulados durante décadas com sua cauda de mortes desnecessárias, violência, fome e doenças. Os perigos da Área de Livre Comércio das Américas e sua cabeça de praia, o Plano Puebla-Panamá, as nefastas implicações do Plano Colômbia, a defesa de nossa identidade, de nossa cultura e de nosso espírito, tudo isso será tema na reunião de Havana. Dentro dos grandes desafios de nossos povos, também está a luta do povo de Porto Rico por sua independência e a retirada definitiva, e sem condições, da marinha norte-americana de Vieques. Em seus onze anos de vida, o Fórum de São Paulo foi encontrando, aos poucos, um lugar para a esquerda, demonstrando que a história não parou, o tempo não morreu e não estamos destinados à escravidão eterna. Os nossos povos ainda têm muito que dizer e fazer no seio da humanidade. Muitas coisas importantes hão de emanar da reunião de Havana. Sem dúvida, a maior será que o mundo constate o fim do período de imobilidade e que as forças progressistas de Nossa América já não são crianças perdidas. Nossa identidade, cultura e necessidades descortinaram o véu da escuridão. Nosso povo reclama respostas lúcidas e concretas para continuar vivendo e lutando. (c) 2001 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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