RHC Weekend-29/30 de dezembro 2001 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit RHC Weekend - Resumo de noticias - 29/30 de dezembro 2001 . *SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DO PARLAMENTO CUBANO *MAIS DE 40 MIL CUBANOS PARTICIPAM DE TRIBUNA ABERTA EM SOLIDARIEDADE AOS COMPATRIOTAS ENCARCERADOS EM MIAMI *ADVERTEM SOBRE RISCO DE GUERRA CIVIL NA ARGENTINA *IRÃ PROPÕE MEDIAR NA CRISE ENTRE ÍNDIA E PAQUISTÃO *AGENTES DO FBI INTERROGAM MEMBROS DE AL-QAEDA *SUBSECRETÁRIA DE PROMOÇÃO CULTURAL DE VALÊNCIA CONDECORADA EM CUBA *PRESIDENTE DA RÚSSIA DISSOLVE COMISSÃO DE INDULTOS *HOMENAGENS PARA ALÍCIA ALONSO Comentario: *VIAGENS DE FIDEL CASTRO DURANTE 2001 *LUTA ANTIGLOBALIZAÇÃO . *SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DO PARLAMENTO CUBANO Havana, 29 dezembro (RHC)-- Sessão extraordinária do parlamento cubano decorre neste sábado, no Palácio das Convenções de Havana, convocada pelo presidente do Conselho de Estado, Fidel Castro. A reunião se transmite ao vivo por Rádio Havana Cuba a partir das 14h, hora local. *MAIS DE 40 MIL CUBANOS PARTICIPAM DE TRIBUNA ABERTA EM SOLIDARIEDADE AOS COMPATRIOTAS ENCARCERADOS EM MIAMI Havana, 29 dezembro (RHC)-- Em representação de todo o povo de Cuba, 40 mil pessoas se congregaram, neste sábado, em tribuna aberta no município Consolación del Sur, na província de Pinar del Rio, para mandar mensagem de solidariedade aos cinco compatriotas encarcerados injustamente em Miami. A tribuna aberta foi realizada a poucas horas de comemorar-se o 43º aniversário da vitória da Revolução, e prestigiada pelo segundo secretário do Partido Comunista, general de Exército Raúl Castro, e outros dirigentes cubanos e representantes das organizações de massas. Estudantes, trabalhadores e outros oradores reclamaram, também, a derrogação da lei assassina de Ajuste Cubano, a cessação do bloqueio norte-americano a Cuba e da criminosa guerra econômica imposta ao país, há mais de quatro décadas. *ADVERTEM SOBRE RISCO DE GUERRA CIVIL NA ARGENTINA Havana, 29 dezembro (RHC)-- O senador justicialista Eduardo Duhalde advertiu sobre o risco de guerra civil na Argentina se o novo governo não der ouvidos às reclamações da população e emendar tudo que seja necessário. Duhalde se posicionou a respeito da explosiva situação após as multitudinárias manifestações, que começaram sexta-feira à noite e desembocaram em desordens e confrontos com a polícia durante a madrugada com saldo de 12 feridos, dezenas com contusões e 40 detidos. O senador peronista exortou a buscar, em primeiro lugar, solução ao problema dos que têm poupanças nos bancos e não podem sacar livremente seu dinheiro por causa da medida imposta a 3 de dezembro pelo governo do então presidente Fernando de La Rúa. Os últimos protestos em Buenos Aires exigiam o fim dessa medida e a demissão dos juízes da Suprema Corte e de funcionários do governo envolvidos em casos de corrupção. Para acalmar a ira dos manifestantes, o governo aceitou a renúncia do assessor do gabinete presidencial Carlos Groso, acusado de corrupção quando foi intendente de Buenos Aires, na época do governo de Carlos Ménem. *IRÃ PROPÕE MEDIAR NA CRISE ENTRE ÍNDIA E PAQUISTÃO Havana, 29 dezembro (RHC)-- O presidente do Irã, Mohamed Khatami, propôs mediar na crise entre a Índia e o Paquistão e apelou para a sabedoria e compromisso dos governos dos dois países. Em conversa telefônica com o presidente paquistanês Pervez Musharraf, o Chefe de Estado iraniano se prontificou para qualquer iniciativa a favor da paz e estabilidade na região. O chanceler paquistanês Abdul Sattar declarou à imprensa, em Islamabad, que seu país não deseja entrar em guerra com a Índia e considerou inconcebível o uso de armas nucleares. Por sua vez, o premier indiano Atal Behari Vahpayi disse que fará tudo para evitar o conflito armado, mas prometeu continuar pressionando para que o Paquistão tome providências contra os grupos extremistas responsáveis pelo ataque ao Parlamento de Nova Delhi, em dias passados. *AGENTES DO FBI INTERROGAM MEMBROS DE AL-QAEDA Havana, 29 dezembro (RHC)-- Os serviços de inteligência do Paquistão e agentes federais norte-americanos estão interrogando mais de duzentos supostos membros de Al-Qaeda a fim de encontrar pistas sobre bin Ladem e seus seguidores fugitivos. Segundo os resultados dos interrogatórios, bin Laden e o mulá Omar estão vivos, escaparam dos bombardeios de Tora Bora e até faz uma semana estavam no Afeganistão. Na sexta-feira, o presidente norte-americano George Bush deixou claro que as tropas dos EUA não vão se retirar do Afeganistão até que a rede Al Qaeda seja desmantelada e seu líder, Osama bin Laden, capturado. *SUBSECRETÁRIA DE PROMOÇÃO CULTURAL DE VALÊNCIA CONDECORADA EM CUBA Havana, 29 dezembro (RHC)-- O ministro cubano da Cultura, Abel Prieto, condecorou em Havana com a Distinção pela Cultura Nacional Consuelo Ciscar Casaban, sub-secretária de Promoção Cultural da Generalitat da região espanhola de Valência. Abel Prieto destacou que a funcionária valenciana é uma pessoa excepcionalmente amiga da cultura cubana e merece, como ninguém, este reconhecimento pelo seu trabalho, carinho e admiração que sentem todos por sua pessoa. Ao agradecer a condecoração, Consuelo Ciscar expressou que a arte é um princípio de comunicação entre os povos, e Cuba e Valência são símbolos de uma identidade forjada no tempo e na história. *PRESIDENTE DA RÚSSIA DISSOLVE COMISSÃO DE INDULTOS Havana, 29 dezembro (RHC)-- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, dissolveu a Comissão de Indultos adjunta ao Cremlin e delegou seus poderes nas autoridades das 89 entidades federais que formam o Estado. Ao justificar a dissolução da comissão, o decreto presidencial recorda que, no ano passado, foram perdoadas cerca de quatro mil pessoas, a metade das quais cumpria sentenças por crimes graves, e a outra metade por assassinato. Considerada liberal demais pelo presidente russo, a comissão indultou, em dias recentes, nada mais e nada menos do que duas mil pessoas. A mencionada comissão foi instalada em 1992 pelo então presidente Boris Yelsin e era integrada por 17 relevantes juristas, religiosos e artistas. *HOMENAGENS PARA ALÍCIA ALONSO Havana, 29 dezembro (RHC)-- A gala no teatro Garcia Lorca de Havana, hoje à noite, encerra a jornada de homenagens à Prima Bailarina de Cuba, Alícia Alonso, no 70º aniversário de sua estréia nos palcos. A gala inclui retrospectiva da trajetória da lendária bailarina com seleções fílmicas, fotográficas e textos literários. Alícia Alonso subiu ao palco pela primeira vez a 29 de dezembro de 1931 quando interpretou, em Havana, a Grande Valsa da Bela Adormecida. Alícia, também diretora do Balé Nacional de Cuba, recebeu, na véspera, o Diploma ao Mérito Pedagógico, que confere o Instituto Superior de Arte, avalizado pelo ministério da Cultura de Cuba. Comentario: *VIAGENS DE FIDEL CASTRO DURANTE 2001 A presença do presidente Fidel Castro em foros e eventos internacionais, assim como suas visitas oficiais a vários países, durante 2001, confirmaram, mais uma vez, o prestígio que goza o líder cubano e o respeito que o mundo sente pela Revolução. Muitas viagens pagaram antigas dívidas com dirigentes e povos, que o tinham convidado em mais de uma ocasião. Sucedeu assim com a Argélia, onde desembarcou a 5 de maio, primeira escala de uma longa viagem por vários países da Ásia, África e Oriente Médio. Na Argélia, Fidel visitou os principais lugares históricos e se assumiram compromissos de cooperação entre os dois povos de conhecida tradição de luta pela soberania. Após dois dias de intensa atividade e com a emoção de ter sido condecorado com as Medalhas do Exército e da Frente de Libertação Nacioal da Argélia, o líder cubano embarcou para Teerã, capital do Irã, visita assinalada por diversos meios de imprensa com o abraço entre duas revoluções. No Irã, Fidel recebeu o tratamento reservado aos visitantes mais ilustres desde o instante em que se avistou com o presidente Mohamed Khatami, e este lhe confessou, sem hesitar, que o esperavam fazia 20 anos. Mal desembarcara na capital iraniana, o líder cubano, visivelmente emocionado, rumou ao mausoléu que guarda os restos de Khomeini, o líder da revolução que em 1979 depôs o regime pró-norte-americano do xá Reza Pahlevi. Durante sua estada no Irã, recebeu o título de Doutor Ad Honoren em Ciências Políticas, entregue pela conceituada universidade Tarbiat Modarres por ser, disseram, uma das personalidades mais importantes de nossa era, cuja trajetória revolucionária deixou profundas marcas na política mundial, e por ser o fundador da escola de resistência contemporânea. Antes de partir, em outra universidade, a Islâmica de Teerã, Fidel discorreu sobre a política como arte e ciência, e os dois países reconheceram as metas comuns que tornam mais forte o abraço entre as revoluções de Cuba e Irã. A próxima escala do presidente cubano foi a Malásia, um país rebelde, disse ao desembarcar em Kuala Lumpur, e nós somos amigos dos rebeldes. Com essas palavras, Fidel tributava homenagem à coragem e ao amor à soberania com que o povo e autoridades malaias souberam enfrentar os efeitos da crise econômica, desencadeada em 1997, no sudeste asiático. Das mãos do rei Salahudin Asis Shah, falecido meses depois, Fidel recebeu a Ordem Suprema da Coroa Nacional. O líder cubano sustentou longas conversas com o rei e com o primeiro-ministro Mahatir Mohamed. Quarenta e dois graus o esperavam em Doha, capital de Catar, mas resultou mais cálido o recebimento tributado pelo xeque Hamad bin Califa al Thani, o Chefe de Estado do país árabe. Ali, Fidel Castro visitou a Fundação para a Educação, Ciência e Desenvolvimento da Comunidade, uma escola, a zona industrial de Rass Laffan, onde se acha uma maiores e mais modernas usinas de processamento de gás natural do mundo. As conversações oficiais com seu anfitrião evidenciaram as muitas coisas em comum entre os dois países, destacadas pelo líder cubano em entrevista à televisão Al Yazeera, a mesma que meses mais tarde permitiu ao mundo conhecer uma versão diferente e fidedigna da que ofereciam os meios norte-americanos sobre a guerra dos EUA contra o Afeganistão. Novas emoções o aguardavam na escala seguinte, Síria, aonde viajou atendendo convite do presidente Bachar El Assad. Durante sua permanência nesse país, teve a oportunidade de viajar à região montanhosa de Qsua, onde, em 1973, uma brigada cubana de tanques combateu junto a uma brigada síria. Vinte e oito anos depois, seus atuais oficiais e soldados exclamaram como bemvinda "Com seu sangue e meu espírito te defendo, Fidel Castro! Acompanhado pelos imãs e muftis da mesquita dos Oméias, Fidel também visitou o sagrado e milenar santuário muçulmano, onde numerosas pessoas se congregaram para cumprimentá-lo. Ao partir de Damasco, o líder cubano expressou: "Tinha um conceito deste país e de seu povo, mas muitas vezes a realidade está bem acima de minha imaginação." A Líbia e seu líder Muammar el Kadafi esperavam o presidente de Cuba, que completaria, nesse país, seu périplo. Após o abraço do reencontro, Kadafi levou Fidel e sua comitiva até sua antiga residência, bombardeada em abril de 1986 por aviões norte-americanos, em criminoso ato que custou a vida da menor de suas filhas. A todos os mártires daquela agressão, o comandante-em- chefe tributou homenagem, e também aos que tombaram na batalha de Al Hani, travada contra os colonialistas italianos em 1911, e ao destacado combatente Mohamed Aboumeniar El Kadafi, pai do líder líbio. De volta à casa, fez escala técnica em Lisboa, que deu impulso às relações entre Cuba e Portugal através das entrevistas sustentadas com o presidente Jorge Sampaio e com o então primeiro-ministro Antonio Guterres. Foram mais de duas semanas longe da Pátria, mesmo assim nunca Cuba e os cubanos estiveram melhor representados diante de outros povos e países irmãos. A 11 de agosto Fidel chegou à Venezuela, e nesse mesmo dia foi condecorado, na Cidade Bolívar, com a Ordem do Congresso de Angostura, em reconhecimento à sua trajetória de luta, entrega à causa da independência, sua fidelidade aos ideais bolivarianos e martianos e sua inabalável fé na vitória final de nossos povos. Foi a melhor ocasião para o presidente cubano reafirmar que foi Simão Bolívar quem melhor compreendeu a possibilidade e a necessidade da união da América Latina, à que ele também dedica seus maiores esforços. Sempre acompanhado pelo presidente Hugo Chávez, Fidel visitou uma das reservas ecológicas mais impressionantes do mundo: o Parque Canaima, de mais de três milhões de hectares de superfície, e jantou, nesse mesmo dia, com amigos que festejaram seu aniversário. Naquele 13 de agosto, o presidente cubano completava 75 anos. Pouco antes de voltar a Cuba, Fidel Castro assistiu como convidado especial junto a Chávez e ao presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso à inauguração do sistema de interconexão elétrica, mediante o qual a Venezuela fornece energia à região norte do Brasil, ato que definiu como magnífico exemplo do que podem fazer os nossos países para lavrar o caminho da integração regional. Os que conhecem o respeito que sente Fidel à dignidade dos homens, não se surpreenderam quando souberam de sua viagem à Durban, a 30 de agosto, para participar da Cúpula da ONU contra o Racismo, Xenofobia, Discriminação e qualquer manifestação de Intolerância. Desembarcava de novo nessa cidade sul-africana para somar-se aos que reclamam justiça, compensação econômica e igualdade de oportunidades para os povos que sofreram durante séculos a escravidão, a exploração colonial e neocolonial, o desprezo e o olvido. Em seu discurso, o presidente cubano abordou a maioria dos temas em discussão na reunião, desde as indenizações ao continente africano, passando pelo problema dos indígenas, o caráter racista do conflito israelense-palestino e até a responsabilidade das antigas potências coloniais com o subdesenvolvimento do Terceiro Mundo. Como se sabe, os Estados Unidos boicotaram a conferência para a vergonha de seu povo e para não acabar, junto a seus aliados, no banco dos réus. Em 2001, Fidel visita pela segunda vez a Venezuela, no mes de dezembro. Desta feita viaja à Ilha Margarita, onde se realizou nos dias 11 e 12 a 3ª Cúpula da Associação de Estados do Caribe, uma nova oportunidade para unir posições e ações a fim de transformar a área em zona de turismo sustentável e construir o modelo de integração de que precisam os nossos povos. Frente às intenções anexionistas da Área de Livre Comércio das Américas, impulsionada pelos Estados Unidos, o Comandante-em-Chefe Fidel Castro tornou a convocar à unidade, à solidariedade e à cooperação entre os povos caribenhos, centro e sul-americanos, para que os pequenos e fracos estados insulares e continentais, tão castigados pela crise global e o neoliberalismo, não acabem sendo devorados economicamente, anulados em sua identidade e politicamente submetidos. Sem dúvida, o melhor embaixador de Cuba é o seu presidente, que em cada país visitado une vontades, clarifica idéias e multiplica sonhos e esperanças. Igualmente, faz crescer o amor, o respeito e a solidariedade do mundo a Cuba. *LUTA ANTIGLOBALIZAÇÃO A globalização é uma realidade de nossos tempos. Desde que apareceu no mundo, o presidente Fidel Castro vem advertindo sobre os perigos que envolve esse processo. Visto por seus defensores, poderia representar uma mundialização do mercado, mas, na verdade, responde aos interesses do capitalismo em sua etapa mais avançada, ou seja, a transnacionalização dos oligopólios empresariais. Em numerosas ocasiões, o Chefe de Estado cubano fez referência à necessidade de que haja uma verdadeira globalização no mundo, mais justa, e visando ao bem-estar da humanidade. E defendeu a globalização da solidariedade, na que os povos ajudem uns aos outros para progredir, e se opôs à atual globalização neoliberal. Um forte movimento de rechaço à globalização neoliberal e aos males que engendra já existe, e cada dia há mais homens e mulheres em todos os continentes que se opõem à consolidação dos poderosos às custas da miséria dos pobres. O ano que finaliza demonstrou que, de fato, é enorme o rechaço internacional à globalização neoliberal.As reuniões dos representantes das nações mais poderosas, como as do Foro Econômico de Davos, na Suíça, e a reunião do Grupo dos Sete mais a Rússia, em Gênova,e outras como a Cúpula das Américas, na cidade canadense de Quebec, serviram de teatro para numerosos e massivos protestos de homens e mulheres de todos os cantos do mundo exigindo a cessação das condições econômicas e políticas impostas pelos poderosos para submeter e destruir as nações pobres do planeta. Como de costume, em lugar de ouvir o que povo realmente quer, os representantes dos países poderosos só têm uma medida para quem não gosta de seus modelos de desenvolvimento: a violência, única resposta para os manifestantes que erguem suas vozes contra os males derivados da globalização. Os supostos "modelos" em questões de Direitos Humanos não puderam evitar que as câmeras de televisão mostrassem, em toda sua dimensão, a cruel repressão desencadeada nas ruas de Zurique, Quebec e Gênova contra manifestantes pacíficos que não estão dispostos a continuar sendo vítimas da exploração. Durante a repressão policial na cidade italiana de Gênova, morreu a tiro, abatido pela polícia, o jovem italiano Carlo Giulianni, vítima da brutal ação das autoridades contra manifestantes que só pediam respeito a seus direitos básicos. Como contraposição a essas reuniões dos que querem ser donos do mundo, outros, homens dignos, convocaram e realizaram importantes foros, onde foram colocadas as reclamações fundamentais dos países mais oprimidos. Assim se ergueram vozes corajosas e sábias na Conferência Internacional "Os Desafios da Globalização," na cidade espanhola de Costada; no Foro Mundial Social de Porto Alegre, no 3º Encontro Internacional de Economistas sobre Globalização e Desenvolvimento, em Havana; na Cúpula dos Povos, em Quebec; e mais recentemente, na reunião contra a ALCA e no Foro de São Paulo, na capital cubana. Os delegados, nesses encontros, destacaram que a globalização neoliberal quer impor um pensamento único sobre a diversidade cultural, violar impunemente o direito internacional e dispensar os governos no âmbito nacional e a ONU, na palestra internacional. Nesta direção, o economista Eric Toussant expressou, durante o Encontro Internacional de Economistas de Havana, que não haverá mais cúpulas ou reuniões dos que pretendem dirigir o planeta sem manifestações de protesto. É inegável que à medida que querem impor essa globalização neoliberal cresce o número de pessoas inconformadas com as idéias que apregoam os representantes dos países mais ricos. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, manifestou que o mundo global deve envolver toda a população até agora excluída do bem-estar e desenvolvimento de ocidente, e frisou que não se podia falar em globalização a homens e mulheres paralisados pela fome, doenças, ignorância e isolamento. Por sua vez, o papa João Paulo Segundo sustentou que a globalização pode ser entendida como uma nova versão do colonialismo e disse que não deve existir um só sistema sócio-econômico dominante, ou uma cultura que imponha seus valores, ou critérios políticos. Em cada foro, em cada tribuna onde se denunciou a globalização neoliberal, foram colocados claramente os perigos que representa para a humanidade a política atual que pretendem impor ao mundo as nações mais ricas, encabeçadas pelos Estados Unidos, com engendros como a ALCA, Área de Livre Comércio das Américas. Este engendro é um mero instrumento de Washington para impor seu domínio sobre as economias dos povos da América Latina. O ano 2002 acena com novos desafios, diante das tentativas dos EUA de impor um mundo unipolar dirigido por Washington e as multinacionais, onde imperem as leis de mercado dos mais ricos. Só a integração legítima, que eleve a capacidade de negociação dos países do Sul frente aos países do Norte, onde os povos sejam os protagonistas, pode neutralizar as aspirações da potência hegemônica. Só uma globalização diferente à neoliberal pode ser alternativa real de salvação em um mundo dominado por uma só potência hegemônica, manifestou o presidente Fidel Castro ao resumir,em Cuba, o ato pelo Dia Mundial do Meio Ambiente. A globalização da solidariedade é defendida pelo máximo dirigente cubano como alternativa à globalização neoliberal e suas nefastas consequências. Para conseguí-la é imprescindível a mais ampla participação das forças revolucionárias, democráticas, patrióticas e populares da humanidade. Milhões de homens e mulheres hão de aderir à essa luta porque ninguém se resigna a viver sob o jugo dos poderosos. (c) 2001 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. Todos os direitos reservados. ================================================================= NY Transfer News Collective * A Service of Blythe Systems Since 1985 - Information for the Rest of Us 339 Lafayette St., New York, NY 10012 http://www.blythe.org e-mail: nyt@blythe.org ================================================================= rhc-por-18871 2001-Dec-31 04:02:08