RHC-notíciais nacionais de 2001-31 de dezembro 2001 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit RHC - Notíciais nacionais de 2001 - 31 de dezembro 2001 . *FURACÃO MICHELLE E RECUPERAÇÃO *VIAGENS DE FIDEL *LEI ANTITERRORISTA *CONGRESSOS E REUNIÕES IMPORTANTES *ESPORTE CUBANO *SAÚDE E AJUDA MÉDICA *MEIO AMBIENTE *ECONOMIA CUBANA *CULTURA CUBANA *Comentario: CUBA - 43º ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO . Estas são as notíciais nacionais mais importantes, que foram manchete ao longo de 2001: *FURACÃO MICHELLE E RECUPERAÇÃO O domingo quatro de novembro de 2001 passou para a história de Cuba como data da chegada do maior furacão que atingiu a Ilha nos últimos 50 anos: o Michelle. Os ventos e chuvas deste furacão, de categoria quatro na escala Saffir-Simpson, ocasionaram prejuizos em oito províncias cubanas: Pinar del Río, Havana, Cidade de Havana, Matanzas, Cienfuegos, Villa Clara, Sancti Spíritus e Ciego de Ávila, além do município especial Ilha da Juventude. Os cubanos viram, com preocupação, a queda de árvores que pareciam inabaláveis, povoados cujas casas ficaram sem teto, plantações de cítricos arrasadas, como a de Jaguey Grande, em Matanzas, onde 90 mil toneladas de frutas foram arrancadas das árvores pela força dos ventos. As cifras preliminares apontam para cerca de 100 mil casas afetadas, delas 13 mil totalmente destruidas. Na agricultura, os prejuizos foram enormes, principalmente nos cítricos, banana, cana-de-açúcar e café. A rede nacional de transmissão de energia elétrica foi cortada ao meio, e várias torres de comunicações tombaram no solo. As autoridades cubanas empreenderam as tarefas de recuperação logo depois da passagem do furacão Michelle. O presidente Fidel Castro percorreu as localidades mais prejudicadas quando ainda se sentiam os ventos do fenômeno atmosférico. Fidel garantiu aos cidadãos que ninguém seria esquecido. *VIAGENS DE FIDEL A participação do presidente Fidel Castro em eventos e fóruns internacionais, bem como suas visitas oficiais a vários países ao longo de 2001, serviram para confirmar mais uma vez o prestígio que detenta o máximo líder cubano, e o respeito que o mundo sente pela Revolução cubana. A Argélia foi a primeira escala de um giro extenso por várias nações da Ásia, África e Oriente Médio. Qualificado pelo presidente argelino Abdelaziz Bouteflika como o amigo que nunca lhes falhou, Fidel teve nesse país uma volumosa agenda de atividades, com visitas a lugares históricos e assinatura de novos acordos de cooperação entre os dois povos, que ostentam uma tradição de lutas pela soberania. Da Argélia, Fidel partiu para o Irã. Sua estada em Teerã foi qualificada por meios de imprensa como o abraço entre duas revoluções. Depois viajou para a Malásia, um país rebelde, como falara o presidente cubano ao chegar a Kuala Lumpur. "Nós somos amigos dos rebeldes" - apontou. Sua próxima escala foi Qatar, onde o recebeu o xeque Jamad bin Califa Al Tani. As conversações evidenciaram o alto nível de coincidências existente entre os dois países. Na Síria, onde esteve convidado pelo presidente Bachar El Assad, Fidel externou: "Tinha um grande conceito deste país e do seu povo, porém, muitas vezes a realidade ultrapassa minha imaginação." Na Líbia, do líder Muammar Khadafi, o presidente cubano fez a última escala do seu longo giro. Em parada técnica em Lisboa, na viagem de retorno a Havana, Fidel entrevistou-se com o presidente Jorge Sampaio e com o então primeiro-ministro Antonio Guterres. Foi uma jornada produtiva para as relações entre Cuba e Portugal. Em 11 de agosto de 2001, Fidel Castro chegou a Venezuela. Nesse mesmo dia foi condecorado com a Ordem do Congresso de Angostura, em reconhecimento a sua trajetória de lutas. No próprio mês de agosto, o presidente cubano viajou a Durban, África do Sul, para participar da Conferência da ONU contra o Racismo, a Xenofobia, a Discriminação e qualquer forma de intolerância. Chegou lá para se somar aos que clamavam justiça, compensação econômica e igualdade de oportunidades para os povos que, durante cinco séculos, sofreram a escravidão, a exploração colonial e neocolonial, o desprezo e o esquecimento. Em dezembro passado, pela segunda vez Fidel Castro visitou a Venezuela. Na Isla Margarita assistiu à Terceira Cúpula da Associação de Estados do Caribe, uma nova oportunidade para acertar posturas e ações encaminhadas a transformar esta região numa zona de turismo sustentável, e construir um modelo de integração necessário para os nossos povos. *LEI ANTITERRORISTA A lei contra ações terroristas, aprovada pela Assembléia Nacional do Poder Popular no final de 2001, ratificou o compromisso do governo cubano de combater sem dubiedades e com todos os meios a seu alcance esse flagelo da humanidade, que tantas vidas cerceou nesta Ilha ao longo das últimas quatro décadas. A nova legislação espelha as convicções éticas e políticas da Revolução, e contribui para cumprir os 12 instrumentos internacionais reconhecidos pela ONU contra o terrorismo, dos quais Cuba é signatária. A lei cubana contra o terrorismo prevê sanções contra os autores desses crimes de 18 anos de prisão até cadeia perpétua ou pena de morte. Não obstante, respeita as garantias processuais para os réus e advogados da defesa, condizente com as leis vigentes em Cuba. Com esse passo, esta Ilha soma-se ao repúdio mundial contra os atos terroristas de 11 de setembro passado, e sublinha que a luta contra esse flagelo deve responder a uma vontade genuina de eliminá-lo em todas as partes e em todas as suas formas e manifestações. *CONGRESSOS E REUNIÕES IMPORTANTES Em abril passado, Havana foi sede da Conferência 105 da União Interparlamentar. Participaram legisladores de mais de 120 países. Foram aprovadas quatro resoluções, entre elas a que ratifica a importância de preservar e respeitar os princípios do direito internacional em prol da paz e segurança mundiais, e outra ligada ao valor da educação e da cultura como instrumentos para promover a participação de homens e mulheres na vida política da sociedade. Foi adotada, também, resolução proposta por Cuba, na qual se condena energicamente todos os atos, métodos e práticas terroristas. A reunião tornou-se palco de reflexão sobre os graves problemas do mundo atual, agravados pelas tendências imperantes no processo de globalização. Em outubro de 2001 decorreu na capital cubana o Congresso de Jornalistas da América Latina e o Caribe, qualificado por Fidel Castro de "congresso de jornalistas honrados." Participaram mais de 400 profissionais de 29 países, que trocaram opiniões em torno da situação atual da informação e a comunicação, as possibilidades dos meios alternativos e os perigos da profissão. Foi externada a necessidade de promover e coordenar esforços para colocar a mídia à serviço das grandes massas, e não apenas de grupos econômicos poderosos e privilegiados. Prestou-se homenagem aos mais de 600 jornalistas latino-americanos e caribenhos assassinados nos últimos 25 anos. Em novembro, a capital cubana acolheu cerca de 800 representantes de 39 países, que asistiram ao Encontro Hemisférico de Luta contra a ALCA-Área de Livre Comércio das Américas. Foram debatidas experiências no enfrentamento a esse projeto anexionista dos EUA, e avaliadas alternativas de integração, cientes da necessidade de rejeitar o modelo que pretende se impor no hemisfério. A Declaração Final externa que é preciso intensificar as lutas contra a agenda neoliberal, qualificada de desastre para a maioria dos habitantes do continente. A reunião condenou qualquer manifestação de terrorismo, incluso o de Estado. O texto exige o fim do bloqueio a Cuba e o desmantelamento das bases militares norte-americanas de Vieques e Manta. Sublinhou a necessidade de união entre as organizações do continente, para mobilizar os povos contra a intentona imperialista da ALCA. Ao falar no encontro de Havana, o presidente Fidel Castro externou que a luta contra a ALCA faz parte de uma batalha internacional, contra a ALCA mundial que está sendo gerada com métodos semelhantes dentro da OMC-Organização Mundial do Comércio. Disse que a instauração da ALCA significaria a anexação da América Latina aos EUA, política da qual Cuba foi vítima desde o século XIX. Havana foi sede, no mes de dezembro, da 10ª reunião do Foro de São Paulo, à qual assistiram 517 delegados e convidados, que aprovaram Declaração Final, na que se confirma a vigência e o vigor do Foro. O encontro ratificou seu compromisso com as bandeiras da independência nacional, a justiça social, a paz e a democracia; e a disposição de fortalecer sua luta por um projeto econômico, social e político. Entre as numerosas resoluções aprovadas pelo Foro vale destacar a que exige a libertação dos cinco patriotas cubanos injustamente presos nos Estados Unidos, assim como a cessação do bloqueio norte-americano e da política hegemônica do governo dos Estados Unidos. *ESPORTE CUBANO Em 2001, Cuba continuou sendo a primeira potência esportiva da América Latina e o Caribe. No ano passado, o boxe, o atletismo e o beisebol abriram o caminho para sua participação dos Jogos Olímpicos de Atenas 2004. Nos últimos doze meses, atletas cubanos conquistaram 43 medalhas em competições mundiais, sendo 14 delas de ouro, sete de prata e 22 de bronze, e Cuba continuou entre as 10 nações mais destacadas no esporte mundial. O judô, a luta, a canoagem e o vôlei cubano também brillharam no ano passado. *SAÚDE E AJUDA MÉDICA O êxito do plano integral de saúde no exterior e a melhora do atendimento no plano doméstico caracterizaram o ano 2001. Cuba conseguiu baixar a taxa de mortalidade infantil, neste ano, a menos de 7 óbitos para cada mil crianças nascidas vivas e manter a expectativa de vida em mais de 76 anos, bem assim reduzir a 0,8 a mortalidade por doenças contagiosas, índices só ostentados por países altamente desenvolvidos. Importante tem sido 2001 quanto à recuperação de programas nacionais de saúde que tinham sido seriamente afetados pela crise econômica da década de noventa. Retomaram-se os transplantes de órgãos e a cirurgia de acesso mínimo e se aperfeiçoou o atendimento ao paciente grave, entre outros avanços no setor. No plano internacional, a medicina cubana tem, hoje em dia, 3 845 cooperantes em 53 países de todos os continentes, exceto Austrália. Do total, 2 450 se encontram no plano integral da saúde, que engloba, também, a prestação de serviços em diferentes países e a formação, em Cuba, de profissionais na Escola Latino-Americana de Medicina, onde estudam mis de 5 000 alunos de 24 países, inclusos de países africanos e dos Estados Unidos. *MEIO AMBIENTE Havana foi sede no ano passado do Dia Mundial do Meio Ambiente, em reconhecimento aos êxitos do país nesse sentido, entre eles a proclamação do Parque Nacional Alexandre de Humbolt como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Situado a norte das províncias de Guantánamo e Holguin, no leste cubano, ocupa uma superfície de 700 quilômetros quadrados. É considerado o parque mais extenso do sistema nacional de áreas protegidas e o mais importante do país quanto à biodiversidade. O parque guarda 24% das espécies da flora mundial e possui a maior densidade de espécies endêmicas do planeta. Ideal para o turismo de natureza, esta jóia ecológica da humanidade leva o nome do ilustre alemão que, dada a sua contribuição ao conhecimento da natureza cubana, é considerado o segundo descobridor da Ilha. *ECONOMIA CUBANA No contexto da crise econômica e política internacional, agravada pelos ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos, Cuba teve de defrontar fortes tensões para atenuar as carências materiais e financeiras e continuar progredindo. Cuba, à diferença do resto da América Latina, ostentou um crescimento do Produto Interno Bruto de 3% no 2001, muito acima da média latino-americana. Entre os ramos que avançaram aparecem o petróleo e o gás natural, cuja produção foi de 2,9 milhões de toneladas, o petróleo, e 584 milhões de metros cúbicos o gás. Estas cifras representam crescimentos de 7,5% e 2% nos ítens anteriormente mencionados, nesta ordem, em relação ao no 2000. A economia no 2001 se apoiou no cumprimento da Lei do Orçamento do Estado aprovada pela Assembléia Nacional, o que permitiu manter o déficit orçamentário no limite favorável de 2,5% do PIB. Quanto ao ano 2002, a lógica dos acontecimentos aponta para uma crise econômica global, que Cuba não poderá esquivar, porém, as autoridades cubanas garantem que a Ilha está melhor preparada do qualquer outro país para enfrentar o que vier. *CULTURA CUBANA A 10ª Feira Internacional do Livro, acontecida em fevereiro, foi visitada por mais de 200 mil cubanos em nove dias, que adquiriram meio milhão de livros e presenciaram mais de cem lançamentos. A feira, que homenageou o conceituado intelectual Roberto Fernández Retamar, concentrou 57 expositores de trinta países e 62 editoras nacionais. Pelo resgate de uma ética humanista universal face à ameaça que paira sobre a identidade sócio-cultural de nossos povos, se pronunciaram os 600 delegados de 14 países que assistiram, em junho, ao 2º Congresso Internacional "Cultura e Desenvolvimento," uma oportunidade que permitiu debater, também, a preservação do patrimônio, políticas culturais, turismo, arte e economia, cooperação nesses campos e a formação artística. Um dos acontecimentos transcendentes no âmbito cultural cubano foi, sem dúvida, a reabertura do Museu Nacional das Belas Artes, que após 27 meses de reparo geral resplandece em seus três prédios: a antiga sede que mostra a arte cubana, o majestoso Centro Asturiano, dedicado à arte universal e o outrora Quartel Colonial de Milícias, atualmente dedicado a funções administrativas. Em sua área de 12 mil metros quadrados, se exibem mais de 2 500 obras, que representam 37% da coleção geral do museu. Em dezembro, como todos os anos, se realizou o Festival Internacional do Cinema Novo Latino-Americano, em Havana. Sua 23ª edição reuniu 87 filmes competindo pelos prêmios Coral e mais de 300 mostras e retrospectivas da cinematografia mundial. Por sua vez, a dança tributou homenagem a eterna bailarina Alícia Alonso, no 70º aniversário de sua estréia nos palcos, ao que se uniu um dos maiores sonhos da bailarina: a inaguração de uma Escola Nacional de Balé Clássico, com capacidade inicial para 200estudantes. Em todo o país se inauguraram também, durante 2001, quinze escolas para a formação de instrutores de arte. A maioria dos atos foi prestigiada pelo presidente Fidel Castro, que reconhece o gênio artístico como virtude de massas. *Comentario: CUBA - 43º ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO O povo cubano, com razão de sobra, festejará o 43º aniversário da vitória de sua Revolução. Festejará com alegria de ter superado, com êxito, um ano difícil, marcado pela passagem do mais devastador furacão pela Ilha, nos últimos 50 anos, e por ter mantido e consolidado as conquistas sociais que fizeram de Cuba um país onde vive um povo cada vez mais culto e solidário. Quarenta e três anos de poder revolucionário frente à hostilidade do império mais poderoso do planeta, tem enorme significação para os povos da América Latina e o resto do Terceiro Mundo. Demonstra que sim há alternativas ao capitalismo neoliberal, baseado no egoísmo, nas desigualdades e nas injustiças. Sim é possível, ainda que o país seja pequeno e pobre, implantar autêntica democracia participativa e fazer, desde o governo, os maiores esforços para que prevaleçam a igualdade e a dignidade. A Revolução Cubana entra no 2002 com um povo mais unido e firme, e em meio a uma formidável revolução espiritual cujos protagonistas são as crianças, os adolescentes, a juventude toda, junto a seus predecessores, unidos em colossal batalha de idéias dirigida pelo pensamento e a ética de José Marti, o mais universal dos cubanos. A todos os nossos ouvintes na América e no resto do mundo, nossos mais sinceros votos de felicidade. Cuba continuará sua luta sem trégua por uma sociedade mais justa, pela paz verdadeira e universal, por um mundo onde impere a dignidade plena do homem, um mundo sem terrorismo, onde sejam respeitados os povos e prevaleçam realmente os princípios sagrados da autodeterminação, independência, soberania, integração territorial e a igualdade entre as nações. Felicidades, irmãos e irmãs. A Revolução Cubana não lhes falhará. (c) 2001 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. 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