Radio Havana Cuba-30/31 de dezembro 2000 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 30-31 de dezembro 2000 . Comentario: *ECONOMIA CUBANA CRESCE MAIS DE 5% EM 2000 *VIAGENS FIDEL - ANO 2000 *A BATALHA DE IDÉIAS EM CUBA . *ECONOMIA CUBANA CRESCE MAIS DE 5% EM 2000 O último ano do século XX em Cuba foi marcado pela estiagem e problemas tão sérios quanto a subida dos preços do petróleo, mesmo assim a economia continua crescendo firme como resultado das medidas de reajuste que começaram a se aplicar nos últimos cinco anos. Em Cuba, se produz, hoje, com maior eficiência e o parque industrial funciona melhor organizado. Por sua vez, os investimentos no turismo e noutros setores da economia cubana estão em pleno desenvolvimento. A agricultura, embora tenha progredido, ainda não resolve as necessidades fundamentais da população. Esta situação obriga a continuar destinando consideráveis quantias em divisas à importação de alimentos, que poderiam ser investidas noutros ramos em busca de um desenvolvimento mais rápido da economia. Como se não bastasse, está prestes a assumir o poder, nos Estados Unidos, uma nova administração ultrarreacionária que já anunciou o endurecimento de sua política em relação a Cuba. Esse movimento, compreende mais medidas agressivas e o endurecimento do bloqueio econômico imposto à Ilha durante os últimos quarenta anos. Essa realidade atrasa notavelmente o desenvolvimento sócio-econômico em Cuba. Porém, este pequeno país, batalhador e seguro de si, aprendeu a resistir e avançar nas piores circunstâncias. Desenvolveu suas relações com a maioria dos países do mundo e saiu vitorioso de todas as tentativas de isolá-lo da comunidade mundial. Nenhuma das medidas que possa tomar a administração norte-americana para piorar a vida dos cubanos poderá ser mais dura do que as aplicadas até agora, a não ser que se decida cometer a loucura de uma nova agressão militar cujas consequências seriam incalculáveis. É pouco provável que os que poderiam ter feito isso nas quatro décadas passadas, desde a vitória da Revolução, enloqueçam de repente e apelem à guerra com toda a opinião pública mundial contra. A missão dos cubanos é continuar trabalhando com vêm fazendo até agora, aprendendo de cada erro, ou de cada derrota, e mantendo a exemplar unidade nacional e a firmeza ideológica e política que lhes permitiram sobreviver sem recúo. Cuba encara o século novo com fé e otimismo, confiança total na sua força moral e determinada a compartilhar, como sempre tem feito, suas vitórias e suas conquistas com os países irmãos do Terceiro Mundo. *VIAGENS FIDEL - ANO 2000 As viagens do presidente cubano Fidel Castro ao longo do ano 2000 demonstraram, mais uma vez, o desempenho ativo da política exterior de Cuba e a solidariedade crescente a esta Ilha. Engajado, junto ao povo, na batalha histórica pelo retorno do menino Elián González, sequestrado pela máfia anticubana e terrorista de Miami, só no segundo semestre do ano Fidel teve a oportunidade de cumprir seus compromissos internacionais. Em 5 de novembro, o presidente cubano chegou a Nova Iorque para participar, junto a governantes e estadistas de mais de cem países, da Cúpula do Milênio, convocada pelo Secretário-geral da ONU. Os debates giraram em torno do papel que deve desempenhar a Organização das Nações Unidas para enfrentar os desafios da humanidade no Terceiro Milênio. A Cúpula foi palco propício para que Fidel reiterasse seu chamamento a fortalecer a ONU como instituição, e trabalhar com urgência para eliminar injustiças e desigualdades, promover o desenvolvimento e propiciar no mundo um clima de paz, segurança e justiça. Seu apêlo à globalização da solidariedade foi acompanhado do oferecimento de 3 mil médicos e técnicos cubanos da saúde, dispostos a prestar serviço na África, onde é preciso enfrentar o avanço da AIDS e de outros males que ameaçam com fazer desaparecer a vida na imensa maioria das nações sub-saarianas do chamado continente negro. Além de participar da Cúpula do Milênio, o presidente cubano realizou uma série de atividades. Sua agenda incluiu encontros com seus homólogos da Rússia, China, Venezuela, Irã e Senegal. Assistiu, também, a um ato de massas, no qual representantes de diversos segmentos da sociedade norte-americana, bem como emigrantes cubanos, de origem latina e organizações sociais e religiosas, lhe prestaram homenagem. A igreja Riverside, do bairro negro de Harlem, resultou pequena para acolher as milhares de pessoas que, apesar do frio, desejavam externar sua simpatia pela Revolução cubana, seu povo e seu máximo líder. O próprio Fidel qualificou o gesto de expressão da mais sadia e nobre amizade. Menos de um mês depois de ter retornado a Havana, o presidente cubano tornou a viajar. Foi ao Canadá para estar presente nos funerais do mais proeminente político desse país, seu amigo pessoal Pierre Trudeau. Chegou a Montreal em três de outubro, e uma hora depois já estava na sede do legislativo para prestar homenagem póstuma ao ex-premiê, junto ao povo canadense. A amizade, admiração e respeito entre Fidel e Trudeau era conhecida pelos canadenses, que agradeceram o gesto do chefe de Estado cubano com mostras de carinho e apoio. Fidel Castro foi recebido pelas autoridades da província de Quebec, e entrevistou-se, em privado, com o primeiro ministro Jean Chretien. A visita oficial do presidente Fidel Castro a Venezuela ultrapassou todas as expectativas. Entre 26 e 31 de outubro passado, acompanhado sempre por seu anfitrião Hugo Chávez e pelo amor do povo venezuelano, Fidel percorreu boa parte da geografia dessa nação sul-americana. Visitou o estado de Vargas, o mais atingido pelas chuvas e inundações de dezembro de 1999, onde ainda trabalha uma brigada médica cubana. Em La Guaira, recordou a passagem de José Martí, o prócer cubano, por terras venezuelanas. Prestou homenagem, também, a Simón Bolívar, o Libertador. Visitou o panteão onde estão depositados seus restos, sua casa natal, e prestou-lhe homenagem, como o fizera Martí há mais de um século, perante a estátua de Bolívar erguida na Praça Maior de Caracas. Fidel foi declarado Filho Ilustre da capital venezuelana, e recebeu as Chaves da cidade. A figura do Libertador esteve presente no discurso de Fidel Castro na Assembléia Nacional venezuelana, convocada para recebê-lo. Reiterou sua vocação bolivariana e martiana, e seu apoio à revolução liderada por Hugo Chávez. O contato direto com a população nos estados de Barinas, Portuguesa e Lara, fizeram-lhe reviver os primeiros anos da Revolução cubana, quando o desespêro e a desesperança eram os sentimentos mais comuns entre os segmentos carentes da sociedade, que apostavam na mudança. Na capital de Lara, Barquisimeto, o presidente cubano protagonizou, e desfrutou, um dos momentos mais esperados da visita: o jogo de revanche entre equipes de veteranos do beisebol cubano e venezuelano. A partida anterior, em Havana, um ano antes, tinha terminado com vitória para os ex-jogadores cubanos. Embora novamente os louros tenham sido para Cuba, a vitória foi dos dois povos. No dia seguinte, Fidel e Chávez estiveram respondendo perguntas, ao vivo, no programa radiofônico de domingo "Alô Presidente," transmitido desde Valencia. Também teve a oportunidade de percorrer, acompanhado por seu anfitrião, os lugares pelos que atravessou Bolívar à frente do seu exército para travar a histórica batalha de Carabobo. Fidel Castro foi condecorado com a Ordem do Libertador, e, antes de terminar sua visita, assinou com Chávez um convênio integral de cooperação. O documento amplia e aprofunda as relações econômicas e comerciais entre os dois povos. Ambos participaram de uma vídeoconferência, que deixou inaugurado o Centro Internacional de Imprensa "Simón Bolívar," da chancelaria local. A vídeoconferência enlaçou Caracas com as capitais de seis países ibero-americanos e a sede das Nações Unidas. Foram seis dias intensos pelo caminho dos sonhos de Bolívar e Martí, que o próprio presidente cubano resumiu numa frase: "A viagem a Venezuela foi o melhor que pude fazer na minha vida"... O compromisso seguinte na agenda internacional do presidente cubano no ano 2000 foi a Décima Cúpula Ibero-americana, na Cidade do Panamá. O tema central da reunião foi a situação da infância e da adolescência. Cuba, como anfitriã da cimeira anterior, ofereceu seu respaldo e experiência. Fidel Castro chegou à capital panamenha em 17 de novembro. Após informar às autoridades desse país, reuniu-se com a imprensa credenciada no encontro para denunciar a presença de um comando terrorista, chefiado por Luis Posada Carriles. O grupo pretendia atentar contra sua vida. A denúncia de Fidel, somada às evidências e informações oferecidas às autoridades panamenhas, levou a que, horas depois, o comando fosse detido num hotel do centro da cidade. Luis Posada Carriles é responsável de numerosos atentados e sabotagens contra Cuba, entre eles a explosão no ar de um aparelho de Cubana de Aviação, em 1976, pouco depois de ter decolado de Barbados. Os 73 passageiros e tripulantes morreram vítimas do atentado. O líder cubano prestou homenagem ao ex-presidente Omar Torrijos, ao visitar o túmulo do seu amigo pessoal. Na abertura da Cimeira, Fidel falou como anfitrião do encontro anterior, em Havana, e participou de todas as atividades programadas. Paralelamente, o chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, convocou a imprensa para explicar a postura de Cuba a respeito de um projeto de declaração especial que condenava o terrorismo. Disse que o texto era omisso e excluente, porque se referia só às ações terroristas da organização separatista basca ETA, sem mencionar as atividades desse tipo perpetradas contra Cuba nas últimas quatro décadas, com a anuencia ou o patrocínio de agências do governo norte-americano. Esses argumentos foram ratificados na plenária da Cimeira Ibero-americana, quando o texto foi submetido a votação. O presidente cubano retaliou certas críticas à postura assumida por esta Ilha, e destacou o paradoxo que significava o fato de o documento contra o terrorismo ter sido apresentado por El Salvador, justamente o país onde tinha se instalado e onde desfrutava impunidade total o terrorista Luis Posada Carriles. Surpreendido em sua falta, o presidente salvadorenho reagiu com frases típicas da época da Guerra Fria, que deixaram evidente sua posição servil ante o governo da Espanha, a impunidade concedida a um criminoso confesso e o desconhecimento da história do seu próprio país. Fidel arvorou verdades e exemplos, ante as quais Francisco Flores não teve o que responder. As palavras do presidente cubano encontraram eco nos mais diversos segmentos da sociedade panamenha, principalmente nos jovens, que se concentraram no Paraninfo da Universidade pública dessa capital para acolher com expressões de solidariedade à delegação cubana. O ato decorreu no lugar que tinha sido escolhido pelo comando terrorista para assassinar o presidente cubano. Se a bomba tivesse sido colocada por Posada Carriles e seus cúmplices, junto com Fidel teriam morrido centenas de estudantes, professores e personalidades panamenhas. No começo de dezembro, o chefe de Estado cubano realizou sua última viagem do ano 2000. Chegou ao México no dia primeiro, convidado pelo presidente Vicente Fox para as cerimônias de sua posse. A acolhida dada pelo povo mexicano, pelas autoridades do novo governo, incluso o presidente Fox, os representantes das diversas forças políticas do país e pelos presidentes de outras nações, constituiu uma expressão do fracasso da conspiração forjada contra Cuba durante a Cúpula Ibero-americana, que tencionava isolar e desacreditar esta Ilha. Fidel foi alvo do interesse da imprensa e da população da capital mexicana. Cumpriu uma agenda volumosa de entrevistas com outros mandatários, entre eles os da Colômbia, Venezuela e Guatemala, com o novo chefe de Estado mexicano e com dirigentes da Igreja católica. As atividades oficiais não foram empecilho para que Fidel Castro encontrasse tempo para saudar integrantes dos movimentos de solidariedade a Cuba, e conversar com pessoas que colaboraram nos preparativos da expedição do iate Granma, em 1956. Visitou, também, seu amigo Gabriel García Márquez e os parentes do ex-presidente Lázaro Cárdenas. Foi o único convidado que recebeu homenagens do governo do Distrito Federal. O ato decorreu no pátio do antigo Palácio do Vice-reino, e foi acompanhado nas vizinhanças por milhares de mexicanos. Satisfeito com a visita, Fidel Castro externou que, a partir de agora, as relações com o México vão recuperar sua vitalidade, e apontou que isso será beneficioso para a América Latina. Como em anos anteriores, as viagens de Fidel ao exterior demonstraram o prestígio da Revolução, a admiração dos povos do mundo pelo líder cubano, e o isolamento dos EUA em sua política anticubana. *A BATALHA DE IDÉIAS EM CUBA O último ano do milênio foi considerado pelos cubanos o mais intenso de suas vidas. A explicação se encontra nos 12 meses de intensa batalha de idéias protagonizada pelo povo, desde que em 5 de dezembro de 1999 um menino, durante evento técnico-juvenil, propôs organizar uma marcha em frente ao Escritório de Interesses dos Estados Unidos, em Havana, para reclamar a devolução de Elián González, sequestrado pela máfia anticubana de Miami. A proposta potenciou a chama da dignidade e do patriotismo de 11 milhões de cubanos, que se tornaram, todos, advogados de uma causa justa e transbordaram as ruas como rio embravecido em marchas, comícios e tribunas. Em 14 de janeiro de 2000, comoventes imagens da marcha de cem mil mães na avenida beira-mar da capital exigindo a volta de Elian chegaram a todos os cantos do mundo. A unidade do povo ficou demonstrada de novo na marcha de 1º de maio, encabeçada pelo Presidente Fidel Castro, e na de mais de 150 mil crianças dos ensinos primário e secundário, em junho passado. Momento transcendental da batalha de idéias foi o Juramento de Baraguá, quando todos os cubanos tornaram pública sua determinação de não esmorecer na luta contra o bloqueio norte-americano, as leis Torricelli, Helms-Burton e de Ajuste Cubano, e contra qualquer outra que ameace a soberania da Nação. Milhares de oradores expressaram suas opiniões nas tribunas abertas, onde a nova geração de cubanos provou sua vocação patriótica. Esse movimento, que tinha começado numa esplanada em frente ao Escritório de Interesses dos Estados Unidos, em Havana, conquistou o direito de contar, ali mesmo, com uma instalação em cuja ponta há uma simbólica estátua do Herói Nacional apontando para o norte, com uma criança nos braços. A Tribuna Antiimperialista "José Marti," foi testemunha de comícios e marchas pela volta do menino Elián González, do que pensa o povo da mentira em torno da flexibilização do bloqueio dos EUA à Ilha, dos protestos contra as leis anticubanas e das exigências para que devolvam os fundos cubanos roubados nos Estados Unidos. A batalha de idéias conquistou adeptos no mundo, que vieram ao país para dar seu apoio no 2º Encontro Mundial de Amizade e Solidariedade a Cuba, acontecido em novembro passado com a participação de mais de quatro mil delegados. Para além das tribunas abertas em todas as localidades do país, criaram-se as mesas-redondas, que todos os dias, à tarde, levam ao conhecimento da população assuntos de primeira linha profundamente esmiuçados por analistas e especialistas. Através das mesas-redondas, a população se informa sobre as artimanhas da Fundação Nacional Cubano-Americana, das manobras para estrangular a Revolução com medidas anticubanas adotadas no Congresso dos EUA. Com a mesma profusão de dados, os analistas trataram a Lei de Ajuste Cubano, que continua provocando saídas ilegais do país, o contrabando de pessoas, os efeitos da dolarização na América Latina, a cooperação das brigadas de saúde cubanas no mundo, a Cimeira do Milênio, e muitos outros temas de interesse nacional e mundial. A estratégia da batalha de idéias envolve todos os meios de comunicação e incorpora as possibilidades da informática para levar ao mundo, através da Internet, as verdades de Cuba. A mais recente escalada a favor da cultura geral e global dos cubanos, consolida-se atualmente por meio de cursos da denominada Universidade para Todos e os Jovens Clubes de Computação. Um programa que se aplica e se afirma diariamente e que nenhum outro país conseguiu organizar ao não existir vontade política de seus governos. A intensidade vivida no ano 2000 possibilitou que o povo cubano seja, hoje, mais unido e mais culto, capaz de entrar no 3º milênio com as ferramentas imprescindíveis que concede a ideologia para defrontar os acontecimentos que se avizinham. (c) 2000 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. Todos os direitos reservados. ================================================================= NY Transfer News Collective * A Service of Blythe Systems Since 1985 - Information for the Rest of Us 339 Lafayette St., New York, NY 10012 http://www.blythe.org e-mail: nyt@blythe.org ================================================================= rhc-por-15513 2000-Dec-31 11:43:42