Radio Havana Cuba-21 de dezembro 2000 Via NY Transfer News * All the News That Doesn't Fit Radio Havana Cuba - Resumo de noticias - 21 de dezembro 2000 . *PRESIDENTE FIDEL CASTRO AFIRMA QUE CUBA NÃO SE VENDE EM TROCA DA CESSAÇÃO DO BLOQUEIO *FIDEL CASTRO CONDECORA A PRIMEIRA BAILARINA CUBANA ALÍCIA ALONSO *PARLAMENTO CUBANO SESSIONA EM HAVANA *CUBA CONFIRMA DISPOSIÇÃO DE ADERIR AO ACORDO DE COTONOU SE FOREM RETIRADAS AS CONDIÇÕES POLÍTICAS E DISCRIMINATÓRIAS IMPOSTAS À ILHA *CUBA ASSINA ACORDOS DE COLABORAÇÃO COM GRÃ-BRETANHA *Comentario: EQUADOR ANO 2000 . *PRESIDENTE FIDEL CASTRO AFIRMA QUE CUBA NÃO SE VENDE EM TROCA DA CESSAÇÃO DO BLOQUEIO O Presidente Fidel Castro afirmou que nos esperam anos de combate e de luta de idéias, o trabalho será duro e intenso e nesta nova etapa Cuba entra com força tremenda, sem esmorecimento e muito estimulada. Fidel Castro falou para mais de três mil jovens no Teatro Lázaro Peña, durante ato central pela comemoração do 78º aniversário de fundação da Federação de Estudantes Universitários. No encontro, o líder da Revolução destacou que Cuba não se vende em troca da cessação do bloqueio, mas sim exige seu cancelamento incondicional. Inclusive, os Estados Unidos são os que mais necessitam eliminar essa política. A respeito, frisou que o governo de William Clinton foi incapaz de levantar essa agressão por falta de poder da sua administração. Graças ao bloqueio, Cuba não depende do Banco Mundial nem do comércio com os Estados Unidos e se tornou o país mais independente do mundo, frisou Fidel e afirmou que o povo está mais integrado, unido e forte frente à velha estratégia de aniquilar a Revolução. O governo de Clinton não foi honesto ao afirmar que o incidente das aeronaves abatidas por Cuba ao violarem seu espaço internacional, procedentes de Miami, em 1996, impediu a aproximação entre os dois países. Ele sabe muito bem, como e porquê se produziram os acontecimentos. "Cuba foi muito discreta a respeito," enfatizou o Presidente cubano. Igualmente, disse que era tola a idéia de que o apoio do governo dos Estados Unidos à volta do menino Elián González a Cuba foi a causa da derrota do candidato democrata Albert Gore nas eleições presidenciais. "Nesse processo eleitoral houve muitos truques, e se roubaram as eleições. Por sinal, nesse trabalho a máfia cubano-americana de Miami teve seu papel e decidiu os resultados com fraude." O Presidente de Cuba destacou que ao comemorar-se o aniversário da FEU, hoje, a Revolução cubana é sólida e os adversários da Revolução são órfãos de idéias e mais cedo ou mais tarde ruirá o império contra o qual o mundo se rebela cada vez mais. No ato, esteve presente o músico norte-americano Harry Belafonte, que fez uso da palavra a pedido de Fidel Castro, e disse que tenciona travar uma batalha, nos EUA, contra o roubo das eleições. Igualmente, iniciará um processo de protestos e de resistência pública contra a discriminação da comunidade afro-norte-americana. *FIDEL CASTRO CONDECORA A PRIMEIRA BAILARINA CUBANA ALÍCIA ALONSO O Presidente Fidel Castro condecorou, em Havana, com a ordem José Marti a primeira bailarina cubana Alícia Alonso por sua longa e fecunda carreira artística, sua contribuição determinante com a criação de uma escola cubana de balé e seu compromisso patriótico e revolucionário. Ao receber a mais alta distinção concedida pelo Estado cubano, Alícia Alonso disse sentir-se orgulhosa de obter a ordem que leva o nome de um homem com tantas virtudes humanas, artísticas e patrióticas como José Marti e afirma que ela existe graças ao povo cubano. Ao concluir o ato de solenidade, o Presidente Fidel Castro, em declarações à imprensa, garantiu que não há quem destrúa esta revolução, nem com armas nem com campanhas de propaganda. "Ninguém acreditou que resistiríamos o período especial, mas tenho certeza de que não há império que possa destruir a Revolução, sem dúvida, o maior acontecimento da metade do século que termina. A Revolução entra cheia de energia no 3º Milênio," sentenciou o líder cubano. Para o chefe de estado cubano, Alícia Alonso é uma glória da cultura nacional e elogiou a contribuição da lendária bailarina para o desenvolvimento do balé em Cuba. *PARLAMENTO CUBANO SESSIONA EM HAVANA O Presidente Fidel Castro participa nesta quinta-feira do 6º período ordinário de sessões do Parlamento cubano, que analisa no Palácio das Convenções de Havana os lineamentos econômicos e sociais e a lei da receita do Estado para o ano 2001. Preliminarmente, as dez comissões permanentes de trabalho do legislativo cubano examinaram com ministros e dirigentes de vários organismos amplo leque de temas da vida sócio-econômica nacional. *CUBA CONFIRMA DISPOSIÇÃO DE ADERIR AO ACORDO DE COTONOU SE FOREM RETIRADAS AS CONDIÇÕES POLÍTICAS E DISCRIMINATÓRIAS IMPOSTAS À ILHA Cuba confirmou em Bruxelas sua disposição de aderir ao Acordo de Cotonou se a União Européia retirar as inadmissíveis condições políticas e discriminatórias impostas à Ilha e que vulneram sua soberania. No Acordo de Cotonou, assinado neste ano, se estabelece a cooperação entre a União Européia e os países do grupo ACP -- África-Caribe-Pacífico -- mas Cuba não aderiu ao convênio devido às condições impostas pelas nações comunitárias. O embaixador da Ilha na UE, René Juan Mujica, recordou que Cuba, a partir deste mes de dezembro, era membro pleno do ACP, mas considerava inadmissível que a comunidade comunitária estabeleça de maneira unilateral e totalmente falsa que no país caribenho se violam os direitos humanos e não existe democracia. Por sua vez, o secretário-geral do ACP, Jean Robert Goulongana sublinhou, também em Bruxelas, que o grupo apóia a entrada de Cuba no Acordo de Cotonou e recordou que só se fixam condições econômicas e legais aos demais países signatários do convênio com União Européia. "A posição de Cuba é muito clara. Eles estão prontos para entrar, mas sem as condições políticas inadmissíveis estabelecidas pelos europeus." *CUBA ASSINA ACORDOS DE COLABORAÇÃO COM GRÃ-BRETANHA As autoridades cubanas e da Grã-Bretanha assinaram, em Havana, seis convênios de cooperação que serão financiados pelo Fundo Britânico de Cooperação, sobretudo nos setores da educação, juventude, infância e meio ambiente. Os documentos foram firmados pelo vice-ministro cubano para o Investimento Estrangeiro e a Colaboração Econômica, Rodrigo Malmierca, e o embaixador britânico na Ilha, David Ridgway. Os convênios também estabelecem a capacitação de pessoal cubano na área agrícola e noutros campos como a ortopedia, a tração animal e o combate às pragas e doenças. *Comentario: EQUADOR ANO 2000 Durante o ano 2000, o Equador viveu uma de suas piores crises nos últimos 70 anos. Entre os acontecimentos mais relevantes, no país, podemos mencionar a queda do governo de Yamil Mahuad, a falência financeira e a instablilidade social. Apesar de ser uma nação rica em recursos naturais: minérios, petróleo, madeiras preciosas e grandes fontes hidrográficas, dos seus 12 milhões de habitantes 80%, a maioria indígenas, vive abaixo do limite de pobreza.Tal situação é consequência das políticas neoliberais aplicadas pelos sucessivos governos, entre eles o do democrata-cristão Yamil Mahuad, deposto em 21 de janeiro passado. Só durou 17 meses no poder. Mahuad herdou um país com saldos econômicos muito negativos, uma dívida flutuante por salários atrasados da ordem dos 300 milhões de dólares e uma inflação de 32 a 35%. Ele esperava a ajuda das instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial e o Inter-Americano de Desenvolvimento, mas não queria tomar medidas traumáticas para os segmentos humildes, porém não conseguiu evitá-las e teve de aplicar as políticas econômicas impostas por essas entidades. A situação virou insustentável com índice de desemprego de 18% e déficil fiscal de 1.2 bilhão de dólares. Mahuad anunciou a privatização do setor petrolífero e das telecomunicações, subida dos preços da gasolina e laticínios e o congelamento dos vencimentos dos servidores públicos. Isto, por sua vez, provocou uma crise bancária e três milhões de equatorianos perderam suas poupanças. No final de 1999, o governo de Mahuad já era muito impopular e os protestos se multiplicavam sob a direção da Confederação de Nacionalidades Indígenas e outros segmentos civis do país. A gota d'água foi o anuncio da Lei Marco, uma legislação polêmica encaminhada a dolarizar o país. Até a CEPAL-Comissão Econômica para a América Latina, discordou da decisão de Mahuad e advertiu que a medida era muito perigosa e contundiria os segmentos mais pobres da sociedade, sobretudo as comunidades indígenas. Em 11 de janeiro, o Parlamento do Povo, liderado pela Confederação das Nacionalidades Indígenas, convocou à desobediência civil a fim de revogar o mandato de Yamil Mahuad, instaurar um governo patriótico de unidade nacional com representação de todos os segmentos do país e dissolver o Congresso e a Suprema Corte. O levante popular durou quase uma semana em todo o Equador, com obstrução de estradas e vias de acesso às cidades mais importantes do país. Em Quito, a sublevação foi apoiada por 25 mil manifestantes que ocuparam as sedes do Parlamento e da Suprema Corte de Justiça, ações que também foram apoiadas por um grupo de militares. Em 21 de janeiro, instaurou-se uma Junta de Salvação Nacional sob a direção do coronel sublevado Lúcio Gutierrez, o ex-presidente da Suprema Corte, Carlos Solórzano e o líder indígena, Antonio Vargas. A Junta exigiu a Mahuad que se demitisse e, ao mesmo tempo, emitiu decreto ignorando os três poderes do estado, mandou apurar as responsabilidades do presidente, seus ministros, representantes do congresso e do poder judicial. Por decisão da Junta de Salvação Nacional, o general de exército Carlos Mendoza passou a dirigir esse comitê, juntamente com o dirigente indígena e o ex-presidente da Suprema Corte. Algumas horas depois, Mendoza renunciou ao poder e entregou a direção do governo ao vice-presidente Gustavo Noboa, atualmente presidente. A ação foi considerada uma traição pelo movimento indígena e colocou ponto final ao levante popular. Infelizmente, a situação no Equador não mudou e a maioria dos habitantes vive mergulhada numa pobreza insuportável apesar dos grandes empréstimos viabilizados pelo Fundo Monetário Internacional ao governo atual. O índice de desemprego está por volta dos 20% e a dívida externa ultrapassa os 16 bilhões de dólares. A dolarização da economia acabou sendo implantada e os protestos sociais não cessam. A dez meses do governo de Gustavo Noboa, as condições de explosão social estão intactas: miséria, pobreza generalizada, desemprego, elevado custo de vida e marginalização das comunidades indígenas, assim como a frustração das esperanças que não se tornaram realidade depois do movimento que depôs Mahuad. (c) 2000 Radio Havana Cuba, NY Transfer News. Todos os direitos reservados. ================================================================= NY Transfer News Collective * A Service of Blythe Systems Since 1985 - Information for the Rest of Us 339 Lafayette St., New York, NY 10012 http://www.blythe.org e-mail: nyt@blythe.org ================================================================= rhc-por-28493 2000-Dec-21 22:54:00